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Eles abandonaram a rotina urbana e foram criar os seis filhos em um lugar onde a natureza dita o ritmo

Longe da rotina urbana, uma família encontrou uma maneira incomum de conciliar estudos, trabalho, natureza e vida doméstica em um mesmo lugar.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Imagine começar o dia sem trânsito, despertador ou correria para chegar à escola. No lugar disso, a primeira tarefa pode envolver animais, plantações ou algum trabalho na terra. Foi essa mudança radical de rotina que levou uma família a construir uma nova vida em meio à natureza. Ali, crianças e adultos dividem responsabilidades, estudam e trabalham juntos, transformando o próprio ambiente em parte essencial do cotidiano.

Quando a manhã começa de um jeito completamente diferente

Enquanto milhões de famílias iniciam o dia com horários apertados, deslocamentos e compromissos, a rotina dos Porter segue outro relógio: o da natureza.

Natalie e Michael Porter deixaram os Estados Unidos com os seis filhos e se estabeleceram na província de Napo, no Equador. O objetivo era construir uma vida mais autossuficiente, em que a casa, a educação e a produção de alimentos estivessem integradas.

Por ali, as primeiras horas do dia podem incluir ordenhar uma vaca, alimentar animais, colher frutas ou preparar a terra. As tarefas não são apenas responsabilidades dos adultos. Cada criança participa de acordo com sua idade e capacidade.

Os filhos mais novos estudam em casa e também ajudam em atividades simples da propriedade. Já os mais velhos assumem tarefas que exigem mais esforço e continuidade, especialmente aquelas relacionadas ao gado.

Tommy e Jerry, por exemplo, criaram um sistema de revezamento para cuidar da vaca. Um deles fica responsável pela ordenha e pelo manejo durante determinado dia, enquanto o outro assume a função no dia seguinte.

Essa organização permite que as tarefas sejam distribuídas sem que o trabalho impeça os estudos ou os momentos de lazer. O resultado é uma rotina bastante diferente daquela encontrada em uma família urbana convencional.

Mas a verdadeira peculiaridade da experiência aparece quando se percebe que, para os Porter, o ambiente ao redor não é apenas o lugar onde vivem. Ele também participa diretamente da formação das crianças.

A floresta virou parte da escola

Na propriedade, aprender não significa necessariamente estar sentado diante de um livro ou de uma lousa. A natureza funciona como uma espécie de laboratório permanente.

As crianças têm contato direto com animais, plantações, ferramentas e diferentes atividades práticas. Jerry, por exemplo, desenvolveu habilidades manuais ao fabricar objetos durante o tempo livre, enquanto outras atividades da propriedade ajudam a ensinar conceitos que normalmente seriam apresentados apenas de maneira teórica.

Isso não significa abandonar a educação tradicional. Pelo contrário. A família mantém uma rotina estruturada de estudos dentro de casa, com uma ajuda especial.

A avó das crianças, também chamada Natalie, mora com a família e possui 26 anos de experiência como professora de ciências e matemática nos Estados Unidos. Sua presença ajuda a manter uma formação acadêmica organizada enquanto os netos convivem diariamente com experiências práticas.

Matemática e ciências podem, portanto, ultrapassar as páginas dos livros. O cultivo de alimentos, os ciclos da natureza e a observação dos animais tornam-se oportunidades para aprender de outra maneira.

Até a alimentação reflete essa combinação entre passado e presente. A família aproveita frutas produzidas na propriedade e outros alimentos disponíveis, mas também mantém hábitos trazidos dos Estados Unidos, incluindo pratos como waffles acompanhados de geleia caseira.

A proposta não é apagar a antiga vida, mas adaptá-la a uma realidade completamente diferente.

Seis filhos, muitos animais e uma casa que exige participação de todos

Viver em um ambiente tão distante da estrutura urbana também significa assumir responsabilidades que normalmente são terceirizadas ou realizadas por outras pessoas.

Na propriedade dos Porter, não basta simplesmente morar. É necessário cuidar dos animais, produzir parte dos alimentos, manter a casa funcionando e organizar os estudos das crianças.

A avó também participa das atividades domésticas. Mesmo aposentada, ajuda na cozinha, faz trabalhos de crochê e contribui sempre que necessário.

Essa divisão de tarefas parece ser um dos elementos fundamentais para que o projeto familiar funcione. Em vez de concentrar todas as obrigações nos pais, diferentes integrantes assumem funções específicas.

A experiência mostra, portanto, que uma vida mais próxima da natureza não significa necessariamente uma vida sem regras. Na realidade, a família precisa de bastante organização para conciliar escola, trabalho, alimentação, cuidados com os animais e descanso.

A principal diferença é quem determina o ritmo.

Em vez de seguir horários definidos por trânsito, escolas e escritórios, os Porter organizam o cotidiano de acordo com as necessidades da propriedade e com as condições naturais do lugar.

Foi assim que a família transformou um pedaço da Amazônia equatoriana em muito mais do que uma residência. O local passou a funcionar simultaneamente como casa, escola, espaço de trabalho e ambiente de aprendizado.

A pergunta que fica é talvez a mais interessante de todas: depois de experimentar uma rotina assim, será que alguém ainda sentiria falta da correria da cidade?

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