A Tesla voltou a provocar o mercado com mais um movimento enigmático. A empresa entrou com pedidos de registro das marcas “Cybercar” e “Cybervehicle” junto ao Escritório de Patentes e Marcas dos Estados Unidos (USPTO), segundo documentos publicados nesta semana. A novidade chega em meio a uma fase de transição declarada por Elon Musk — e levanta uma pergunta inevitável: esses nomes representam produtos reais ou apenas mais peças de marketing em um tabuleiro cada vez mais especulativo?
Não é a primeira vez que a montadora faz isso. Nos últimos anos, a Tesla já registrou termos como Cybercab, Cyberbus e, claro, Cybertruck. Alguns viraram realidade. Outros continuam apenas no papel.
Três anos para provar que não é vaporware
Segundo o escritório Gerben IP, que identificou os novos pedidos, existe um detalhe importante: após a aprovação de uma marca, a empresa geralmente tem cerca de três anos para começar a usá-la comercialmente. Caso contrário, corre o risco de perder o registro.
Em outras palavras, não dá para guardar um nome indefinidamente, como se fosse um domínio de internet. Em algum momento, é preciso lançar um produto — ou abandonar a ideia.
Isso coloca pressão sobre a Tesla para transformar Cybercar e Cybervehicle em algo concreto. A questão é saber se esses termos apontam para veículos que realmente chegarão ao público ou se são apenas apostas antecipadas em conceitos ainda nebulosos.
Adeus aos Model S e X, olá ao “futuro autônomo”
O timing não é aleatório. No mesmo dia em que os registros vieram à tona, Elon Musk anunciou em uma teleconferência de resultados que pretende encerrar a produção dos Model S e Model X já no próximo trimestre.
“Esperamos reduzir gradualmente a produção do S e do X e basicamente parar de produzi-los”, afirmou. Segundo Musk, a decisão faz parte da transição da Tesla para um “futuro autônomo”.
Mas o que isso significa, na prática?
Para o CEO, envolve desde carros sem volante até robôs humanoides. Musk tem promovido intensamente o Optimus, o robô da Tesla, apesar de a empresa ainda estar atrás de concorrentes em termos de capacidade. Em várias demonstrações públicas, tarefas como servir bebidas ou dobrar roupas acabaram sendo realizadas com ajuda humana remota — às vezes com resultados constrangedores.
Ainda assim, o discurso oficial segue apostando em automação total.
Cybertruck, Cybercab… e agora Cybercar?
Existem algumas hipóteses sobre o destino das novas marcas.
Uma delas é que Cybercar e Cybervehicle sejam parentes diretos do Cybertruck, mantendo o design angular e futurista da picape elétrica. O próprio Gerben IP sugere que um dos nomes poderia acabar estampado em uma versão menor e mais acessível do Cybertruck.
Outra possibilidade é uma ligação mais estreita com o Cybercab, um conceito apresentado por Musk no fim de 2024. Trata-se de um veículo compacto para duas pessoas, sem volante, pensado exclusivamente para operação autônoma.
Esse modelo não deve ser confundido com o Robotaxi que já transporta passageiros em Austin, no Texas. Os veículos em operação atualmente ainda têm volante e são basicamente Teslas convencionais, acompanhados por supervisores humanos.
A dúvida é se Cybercar e Cybervehicle representam carros totalmente sem direção física — ou apenas mais variações conceituais.
E se for algo ainda mais extravagante?
Há também uma opção mais improvável, mas que não pode ser descartada quando se fala de Elon Musk: a ligação com um suposto carro voador.
No ano passado, durante uma entrevista com Joe Rogan, Musk prometeu demonstrar um veículo desse tipo antes do fim de 2025. Isso não aconteceu. Ainda assim, sempre que a situação da Tesla parece delicada, o executivo costuma apresentar uma nova promessa futurista para manter o entusiasmo dos investidores.
Não ajuda o fato de que as vendas do Cybertruck vêm ficando aquém do esperado, o que torna menos provável uma expansão imediata dessa linha.
Silêncio oficial e muitas interrogações
Procurada pela imprensa, a Tesla não respondeu aos pedidos de comentário — algo que já virou padrão desde que Musk encerrou o departamento de relações públicas da empresa. Hoje, praticamente todas as companhias sob seu controle mantêm uma postura hostil em relação à mídia.
Por enquanto, Cybercar e Cybervehicle permanecem como nomes sem rosto.
Podem ser o prenúncio de uma nova geração de veículos autônomos. Podem ser apenas registros estratégicos. Ou podem acabar se juntando à longa lista de projetos que nunca saíram do papel.
O que é certo é que, com a Tesla, cada nova marca registrada costuma dizer menos sobre produtos imediatos — e mais sobre a narrativa de um futuro que Elon Musk insiste em vender, mesmo quando ele ainda está longe de chegar.