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Tecnologia

Tesla volta a ganhar força na Europa apesar das polêmicas envolvendo Elon Musk, enquanto o continente tenta reduzir sua dependência das gigantes de tecnologia dos EUA

Depois de um período de forte queda nas vendas, a Tesla voltou a crescer na Europa e já prepara uma expansão de sua fábrica na Alemanha. A recuperação acontece em um momento delicado, no qual governos europeus buscam diminuir a dependência de empresas americanas de tecnologia e fortalecer a indústria local de veículos elétricos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Nos últimos anos, a Tesla deixou de ser apenas uma fabricante de carros elétricos para se tornar também um símbolo das disputas políticas e tecnológicas entre Estados Unidos e Europa. As posições políticas de Elon Musk, somadas ao aumento da concorrência e às tensões comerciais entre os dois lados do Atlântico, contribuíram para uma desaceleração nas vendas da empresa em 2025. Agora, porém, os números indicam uma recuperação significativa, levando a companhia a ampliar sua produção na Alemanha.

Tesla prepara nova expansão da Gigafactory de Berlim

A fabricante anunciou a contratação de mais mil funcionários para sua Gigafactory localizada nos arredores de Berlim.

O objetivo é elevar a produção para 7.500 veículos por semana até outubro, dando sequência ao plano de expansão iniciado no começo do ano, quando a empresa já havia aberto outras mil vagas e projetado fabricar 6 mil unidades semanais até o fim de junho.

Se a nova meta for alcançada, a fábrica poderá produzir cerca de 390 mil veículos elétricos por ano.

Embora o número represente um avanço importante, ele ainda fica abaixo da capacidade originalmente planejada pela Tesla quando a unidade foi inaugurada, em 2022, com expectativa de atingir meio milhão de veículos anuais.

Recuperação após um período turbulento

A melhora ocorre depois de um ano marcado por forte queda nas vendas da Tesla em diversos mercados europeus.

Analistas atribuem parte desse desempenho às controvérsias envolvendo Elon Musk, que passou a ocupar papel de destaque na política americana e a manifestar apoio a movimentos conservadores e partidos de direita na Europa.

Suas declarações e posicionamentos geraram críticas em vários países do continente, especialmente na Alemanha, um dos principais mercados da empresa.

Apesar disso, fatores econômicos parecem ter favorecido a retomada.

O aumento dos preços dos combustíveis e a adoção de novos incentivos governamentais para veículos de emissão zero, especialmente na Alemanha, estimularam novamente a procura por carros elétricos.

Registros de veículos voltam a crescer

Dados da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA) mostram que os registros de veículos da Tesla aumentaram 57% entre janeiro e maio deste ano, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Foram mais de 118 mil automóveis registrados no continente durante os cinco primeiros meses do ano, sinalizando uma recuperação importante para a montadora.

Os resultados sugerem que, ao menos por enquanto, a imagem pública de Musk não foi suficiente para afastar permanentemente os consumidores europeus da marca.

Europa tenta reduzir sua dependência tecnológica

A recuperação da Tesla acontece justamente quando a União Europeia intensifica esforços para fortalecer sua autonomia tecnológica.

Nos últimos meses, líderes europeus têm defendido uma estratégia de maior independência em áreas consideradas essenciais, como inteligência artificial, computação em nuvem, semicondutores e infraestrutura digital.

O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou recentemente que a Europa precisa acelerar sua transformação em uma potência geopolítica e tecnológica, reduzindo sua dependência das grandes empresas estrangeiras.

Essa estratégia já começou a produzir mudanças concretas.

O governo francês anunciou que deixará de utilizar plataformas americanas de videoconferência em alguns setores públicos, substituindo-as por soluções desenvolvidas no próprio país. Além disso, firmou acordos para incorporar tecnologias de inteligência artificial produzidas pela startup francesa Mistral.

Ao mesmo tempo, a Comissão Europeia apresentou um pacote voltado à chamada “soberania tecnológica”, além de ampliar a fiscalização sobre gigantes digitais como Amazon Web Services e Microsoft Azure no âmbito da Lei dos Mercados Digitais.

A concorrência nos carros elétricos está cada vez mais forte

Embora a Europa busque reduzir sua dependência tecnológica dos Estados Unidos, o mercado de veículos elétricos apresenta características diferentes de outros setores.

O continente já conta com fabricantes consolidadas, como Volkswagen, BMW e Stellantis, que ampliam continuamente suas linhas de veículos elétricos.

Além disso, marcas chinesas, especialmente a BYD, vêm conquistando espaço graças a avanços em autonomia, velocidade de recarga e preços competitivos.

Mesmo diante desse cenário cada vez mais disputado, a Tesla demonstra confiança na continuidade da recuperação de suas vendas. A ampliação da produção na Alemanha indica que a empresa acredita que os consumidores europeus continuarão escolhendo seus modelos, mesmo em um ambiente marcado por concorrência crescente, transformações políticas e uma busca cada vez maior pela independência tecnológica do continente.

 

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