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Teste de semana reduzida termina com demissão inesperada em empresa de Barcelona

O que parecia ser um experimento promissor para melhorar a produtividade acabou revelando um problema interno em uma empresa espanhola. Um funcionário foi desligado após a adoção de uma nova ferramenta de monitoramento expor um segundo emprego secreto. O caso levanta questões sobre ética, confiança e os limites do trabalho remoto.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Com a crescente adoção do home office, novas possibilidades — e desafios — têm surgido para empresas ao redor do mundo. Em Barcelona, uma companhia decidiu testar a semana de quatro dias, mas a mudança acabou trazendo à tona um problema oculto: um de seus funcionários mantinha dois empregos simultâneos sem informar a empresa. O desfecho foi uma demissão e muitas reflexões sobre produtividade e transparência.

A descoberta de um segundo emprego

Teste de semana reduzida termina com demissão inesperada em empresa de Barcelona
© Pexels

Patrick Synge, diretor de operações da empresa Metrickal, percebeu em janeiro de 2024 que algo estava fora do padrão com um dos seus colaboradores. Embora o funcionário, contratado desde 2022 e residente no Peru, tivesse um histórico inicial positivo, seu desempenho começou a decair. Atrasos em entregas e reclamações de clientes tornaram-se mais frequentes.

Suspeitando de uma sobrecarga externa, Synge chegou a conversar diretamente com o funcionário, alertando que a situação não poderia continuar. Ainda assim, nenhuma mudança foi observada. O ponto de virada veio com a instalação de um software de monitoramento de tempo e produtividade, o DeskTime, como parte da estratégia para implementar a semana de trabalho reduzida.

O monitoramento que revelou tudo

O DeskTime, além de registrar o tempo de trabalho, também possui uma função de captura de tela automática. Foi por meio dessas imagens que a equipe de Synge descobriu que o funcionário acessava, com frequência incomum, sistemas de uma empresa americana. As evidências eram claras: ele dividia seu expediente com um segundo emprego remoto em tempo integral.

O detalhe curioso é que todos os funcionários haviam sido previamente informados sobre o software — que inicia automaticamente com o sistema operacional e não exige abertura manual. Synge acredita que o funcionário simplesmente esqueceu que estava sendo monitorado.

Diante da comprovação de que o colaborador dedicava cerca de metade de sua jornada a outra empresa, a decisão foi rápida: ele foi desligado. Pouco depois, atualizou seu perfil no LinkedIn, indicando que agora trabalha exclusivamente para a companhia norte-americana.

A posição da empresa sobre o caso

Segundo Synge, a demissão se deu por dois motivos principais. Primeiro, o restante da equipe precisou compensar o desempenho abaixo do esperado do colega. Segundo, ele afirma não acreditar que seja viável manter dois empregos integrais com qualidade, mesmo com auxílio de ferramentas como a inteligência artificial.

Para ele, o problema não está no desejo de gerar renda extra, mas na forma como isso é feito. “Atividades paralelas não me incomodam, desde que aconteçam fora do horário de trabalho e não prejudiquem os resultados da equipe”, afirmou.

O episódio gerou repercussão interna, mas ainda não se sabe se terá influência nas decisões futuras da empresa quanto à adoção definitiva da semana de quatro dias. O que ficou claro é que, mesmo em ambientes digitais, a transparência continua sendo essencial.

[Fonte: Terra]

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