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Tecnologia

Tirar prints do celular pode prejudicar sua memória e cientistas descobriram por quê

Pesquisadores descobriram que salvar imagens da tela pode dificultar a memorização de informações. O fenômeno, conhecido como amnésia digital, revela como os smartphones influenciam o cérebro.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Você encontra uma informação importante no celular e imediatamente tira um print para consultar depois. Parece uma maneira eficiente de não esquecer nada, mas a ciência descobriu um efeito inesperado desse hábito. Pesquisadores americanos identificaram que capturar imagens da tela pode reduzir nossa capacidade de recordar o conteúdo salvo. O fenômeno, chamado de amnésia digital, levanta uma questão intrigante: será que estamos confiando tanto nos smartphones que deixamos de exercitar nossa própria memória?

O que acontece com o cérebro quando tiramos um print?

Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Binghamton, nos Estados Unidos, revelou que pessoas que fazem capturas de tela apresentam maior dificuldade para lembrar as informações registradas.

O estudo, publicado na revista científica Memory & Cognition, analisou o comportamento dos participantes durante sete experimentos.

Os voluntários observaram imagens de obras de arte e, dependendo das instruções, deveriam apenas visualizá-las ou fazer capturas de tela.

Posteriormente, os pesquisadores avaliaram quanto conteúdo havia sido memorizado.

O resultado foi consistente: os participantes lembravam menos das imagens que haviam capturado do que daquelas que apenas observaram.

Em um dos experimentos, a precisão no reconhecimento das imagens salvas ficou abaixo de 60%.

Os pesquisadores destacam que o simples ato de registrar uma imagem digitalmente pode interferir na maneira como processamos as informações.

A chamada amnésia digital explica esse comportamento

Tirar prints do celular pode prejudicar sua memória e cientistas descobriram por quê
© Igor Omilaev – Unsplash

Uma das principais hipóteses envolve um mecanismo conhecido como cognitive offloading, ou descarregamento cognitivo.

Esse processo acontece quando transferimos para ferramentas externas parte das tarefas que normalmente seriam realizadas pela memória.

É o que ocorre quando utilizamos uma agenda para lembrar compromissos ou um aplicativo para armazenar senhas.

No caso dos prints, o cérebro pode interpretar que não precisa memorizar determinada informação porque ela já está guardada no celular.

A pesquisadora Sophia Fabrizio, responsável pelo estudo, investigou se essa economia de esforço mental poderia trazer benefícios para outras atividades.

Entretanto, os experimentos não encontraram vantagens consistentes em tarefas posteriores de memória ou raciocínio.

Os resultados, apresentados no estudo científico sobre amnésia digital, sugerem que salvar uma imagem pode prejudicar sua memorização sem necessariamente melhorar outras capacidades cognitivas.

Tirar prints pode ser pior do que fotografar?

Pesquisas anteriores já haviam identificado um fenômeno semelhante relacionado às fotografias.

Conhecido como photo-taking impairment effect, ele descreve a tendência de lembrar menos detalhes de experiências que foram fotografadas.

Em 2025, pesquisadores da mesma universidade compararam fotografias tradicionais com capturas de tela feitas em smartphones.

Os resultados mostraram que ambas as práticas podiam prejudicar a memória, mas os prints apresentaram efeitos particularmente expressivos.

Isso surpreendeu os cientistas porque tirar uma captura de tela exige menos esforço do que fotografar um objeto.

Portanto, a explicação não parece estar apenas na distração provocada pelo uso do aparelho.

A pesquisa indica que o cérebro pode desenvolver uma associação automática entre salvar informações digitalmente e não precisar memorizá-las.

Isso significa que os smartphones estão destruindo nossa memória?

Igor Omilaev
© Pexels

Não. Os pesquisadores não demonstraram que fazer prints provoca danos cerebrais, perda permanente de memória ou doenças neurodegenerativas.

Os resultados se referem principalmente à capacidade de recordar informações em condições experimentais específicas.

Além disso, armazenar conteúdos digitalmente continua sendo uma ferramenta útil para organizar tarefas, preservar documentos e recuperar informações importantes.

A diferença está na maneira como utilizamos esses registros.

Uma captura de tela que nunca é consultada pode ter pouca utilidade para o aprendizado. Já uma imagem revisitada e analisada pode funcionar como apoio à memória.

Uma revisão científica sobre tecnologia e memória destaca que os efeitos das fotografias variam conforme a atenção, os objetivos e a maneira como as imagens são utilizadas.

Como evitar que os prints atrapalhem sua memória?

A principal recomendação é utilizar as capturas de tela de maneira mais consciente.

Antes de salvar uma informação importante, vale dedicar alguns segundos para compreender seu significado.

Também pode ser útil resumir mentalmente o conteúdo, fazer anotações próprias ou explicar o que acabou de aprender.

Outra estratégia é revisar periodicamente as imagens armazenadas, em vez de acumulá-las em uma galeria que nunca será consultada.

Essas práticas favorecem o processamento ativo das informações, fundamental para a formação de lembranças.

A descoberta não significa que devemos abandonar as capturas de tela. Ela mostra que guardar uma informação não é a mesma coisa que aprendê-la.

O celular pode funcionar como uma excelente memória externa, mas isso não substitui completamente o trabalho realizado pelo cérebro.

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