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Ciência

Maus hábitos podem causar danos ao cérebro — mas parte deles pode ser revertida na meia-idade

Especialistas de Cambridge e Oxford explicam como exercício, alimentação, aprendizado e abandono de hábitos prejudiciais podem provocar mudanças no cérebro em poucas semanas ou meses.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Esquecer por que entrou em um cômodo, perder o fio de uma conversa ou ter dificuldade para se concentrar de vez em quando pode causar preocupação, especialmente na meia-idade. Embora esses episódios sejam frequentemente associados ao envelhecimento, pesquisas mostram que algumas alterações cerebrais não são necessariamente permanentes.

Especialistas apontam que o cérebro mantém sua capacidade de adaptação durante a vida adulta. Mudanças no consumo de álcool, tabagismo, sedentarismo e alimentação podem favorecer uma recuperação estrutural e funcional — embora os resultados dependam da intensidade e da duração dos danos.

O cérebro continua capaz de mudar

Derrame Cerebral
© FreePik

Essa capacidade é conhecida como neuroplasticidade. Barbara Sahakian, professora de neuropsicologia clínica da Universidade de Cambridge, explicou ao The Telegraph que ela permite ao cérebro se recuperar de lesões, adaptar-se a novas circunstâncias e continuar aprendendo ao longo da vida.

A neuroplasticidade pode ser estrutural, quando envolve mudanças físicas, como novas conexões entre neurônios, ou funcional, quando diferentes áreas cerebrais reorganizam suas atividades para compensar algum prejuízo.

Segundo as evidências reunidas pelo jornal britânico, algumas melhorias podem aparecer em semanas ou meses. Isso, porém, não significa que todos os danos sejam completamente reversíveis.

Parar de beber pode produzir mudanças em poucas semanas

O consumo de álcool está associado a alterações cerebrais mesmo em quantidades relativamente baixas. Uma pesquisa liderada por Anya Topiwala, da Universidade de Oxford, encontrou uma associação entre o consumo superior a sete unidades semanais — aproximadamente três taças de vinho — e um menor volume do hipocampo, região fundamental para a memória.

O consumo elevado e prolongado também está relacionado à redução da matéria cinzenta e da matéria branca.

Segundo Topiwala, algumas melhorias podem começar poucos dias ou semanas após a interrupção do consumo e continuar durante seis a 12 meses ou mais.

Uma revisão com pessoas que apresentavam transtorno por uso de álcool encontrou aumento significativo da espessura cortical em 25 das 34 regiões analisadas após cerca de sete meses de abstinência.

No entanto, pessoas com dependência de álcool não devem interromper o consumo abruptamente sem orientação profissional, já que a abstinência pode ser perigosa.

Exercício pode beneficiar o hipocampo

A atividade física regular também está ligada à neuroplasticidade. Em um estudo com 120 idosos sedentários, participantes foram divididos entre exercícios aeróbicos e atividades de alongamento e tonificação.

Depois de um ano, o grupo que realizou exercícios aeróbicos apresentou aumento de aproximadamente 2% no volume do hipocampo. Segundo os pesquisadores, o resultado seria equivalente a reverter cerca de um ou dois anos da redução dessa estrutura associada ao envelhecimento.

Exercícios cardiovasculares aumentam o fluxo sanguíneo e favorecem o fornecimento de oxigênio e nutrientes ao cérebro.

Pesquisas recentes também sugerem que a musculação pode aumentar marcadores associados à neuroplasticidade, como a proteína BDNF, além de favorecer a conectividade cerebral e diferentes tipos de memória.

Aprender algo novo também transforma o cérebro

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© Pexels

Aprender um idioma, tocar um instrumento ou desenvolver uma habilidade desconhecida pode estimular diferentes regiões cerebrais.

Um estudo de 2023 com 40 estudantes de Medicina identificou aumento significativo no volume de uma região do hipocampo durante um período intenso de aprendizado antes dos exames finais.

Sahakian recomenda dedicar entre 20 e 30 minutos, três ou quatro vezes por semana, a alguma atividade nova que represente um verdadeiro desafio para o cérebro.

Parar de fumar pode desacelerar o declínio cognitivo

Fumar Tabaco
© lilartsy – Unsplash

O cigarro prejudica os vasos sanguíneos responsáveis por transportar oxigênio e nutrientes ao cérebro. O tabagismo também está associado à inflamação, ao estresse oxidativo e a um menor volume cerebral.

Mikaela Bloomberg, pesquisadora do University College London, explicou que algumas alterações neuroquímicas relacionadas ao tabagismo crônico começam a se aproximar dos níveis observados em não fumantes nas semanas e meses seguintes ao abandono do cigarro.

Um estudo de 2025 com mais de 9 mil fumantes com 40 anos ou mais também encontrou uma diferença importante: aqueles que abandonaram o hábito apresentaram declínio mais lento da memória e da fluência verbal nos anos seguintes.

Alimentação saudável também protege o cérebro

A dieta MIND combina elementos das dietas mediterrânea e DASH. O padrão alimentar prioriza verduras, frutas vermelhas, grãos integrais, leguminosas, castanhas e peixes ricos em gordura saudável, enquanto reduz carnes vermelhas e produtos ultraprocessados.

Em um pequeno estudo com 37 mulheres com obesidade, seguir a dieta MIND durante três meses esteve associado a melhorias na memória, reconhecimento verbal e atenção.

Os pesquisadores também observaram aumento do volume de uma região do lobo frontal relacionada à linguagem e ao controle dos impulsos.

As evidências reforçam uma característica importante do cérebro: envelhecer não significa simplesmente acumular danos irreversíveis. Exercitar-se, abandonar o cigarro, reduzir ou eliminar o álcool, cuidar da alimentação e continuar aprendendo podem ajudar o cérebro a se adaptar — e algumas dessas mudanças podem começar muito antes do que se imagina.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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