Um alerta real com imagens virtuais
O Governo Metropolitano de Tóquio divulgou um vídeo gerado por inteligência artificial para alertar a população sobre os possíveis efeitos devastadores de uma eventual erupção do Monte Fuji. O material, produzido pela Divisão de Prevenção de Desastres, foi publicado no último domingo e já repercute no Japão e no mundo.
Com cerca de três minutos de duração, o vídeo recria, com imagens fictícias, o cenário de uma explosão repentina do vulcão, que está adormecido desde 1707, há 318 anos. A simulação busca conscientizar os moradores sobre os riscos e instruir quais protocolos de segurança devem ser seguidos em caso de emergência.
O que mostra o vídeo
O conteúdo começa com o disparo de uma “alerta máxima” recebida por celular por uma jovem, informando o início da erupção. Em seguida, surgem imagens de uma imensa coluna de cinzas subindo da cratera do Monte Fuji, que tem 3.776 metros de altura.
Segundo a simulação, em menos de duas horas a cidade de Tóquio ficaria completamente coberta por cinzas vulcânicas, o que poderia causar:
- Problemas respiratórios e de saúde pública;
- Prejuízos na mobilidade urbana;
- Paralisação de atividades cotidianas e transporte público.
O governo recomenda que moradores armazenem água, alimentos não perecíveis e itens essenciais suficientes para pelo menos duas semanas, para reduzir os impactos iniciais caso a erupção aconteça.
O risco do Monte Fuji e os impactos previstos
De acordo com a CNN Japão, uma grande erupção poderia lançar mais de 1,7 bilhão de metros cúbicos de cinzas, das quais cerca de 500 milhões de metros cúbicos se depositariam sobre ruas, prédios, rios e reservatórios. A remoção desse material exigiria operações complexas e causaria graves prejuízos à infraestrutura.
As consequências econômicas seriam imensas:
- Perdas estimadas em 2,5 trilhões de ienes (cerca de US$ 16,6 bilhões);
- Interrupção do transporte público, incluindo linhas de trem;
- Bloqueio de rodovias, agravado por chuvas que transformariam as cinzas em lama densa.
Além disso, o Serviço de Sismologia do Japão alerta que há 80% de probabilidade de ocorrer um terremoto de magnitude 8.0 ou maior na fossa de Nankai, ao sul do país, nos próximos 30 anos, o que poderia intensificar ainda mais os riscos na região.
A última erupção e a vigilância constante
A última erupção registrada do Monte Fuji aconteceu entre 1707 e 1708, durante o período Hōei. Apesar de não ter expelido lava, o vulcão liberou uma enorme quantidade de cinzas e pedras-pomes que chegaram até Edo (atual Tóquio), a mais de 100 km de distância.
O fenômeno abriu um novo cratera na encosta sudeste do vulcão, destruiu aldeias, plantações e provocou fome generalizada devido à perda das colheitas. Desde então, o Fuji permanece adormecido, mas os especialistas lembram que ele continua ativo e sob monitoramento constante, principalmente por sua proximidade com Tóquio, uma metrópole com mais de 37 milhões de habitantes.
Preparação e conscientização
Com o uso da inteligência artificial, o governo de Tóquio quer tornar os riscos mais tangíveis para a população e reforçar a importância dos protocolos de segurança. Além do vídeo, a cidade vem atualizando seus planos de evacuação, instalando sistemas de alerta e orientando moradores sobre como agir em caso de desastre.
O objetivo, segundo as autoridades, é preparar a capital japonesa para uma eventualidade que, embora rara, poderia ter efeitos devastadores para toda a região.
[ Fonte: La Nación ]