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Ciência

Trabalho físico não substitui exercício quando o assunto é proteger o cérebro

Estudo com mais de 4,2 milhões de pessoas indica que exercícios no tempo livre estão associados a menor risco de demência, enquanto o esforço físico profissional não oferece a mesma proteção.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Manter o corpo em movimento costuma aparecer entre as principais recomendações para proteger o cérebro durante o envelhecimento. No entanto, uma nova análise sugere que nem toda atividade física produz os mesmos benefícios. O contexto parece ser fundamental: praticar exercícios voluntariamente no tempo livre pode proteger contra a demência, enquanto passar o dia realizando tarefas fisicamente exigentes no trabalho não apresenta a mesma associação.

Exercício no tempo livre pode reduzir o risco de demência

A ciência descobriu se vale a pena fazer todo o exercício apenas no fim de semana
© Pexels

A pesquisa internacional, publicada na revista The Lancet Public Health, reuniu dados de 74 estudos realizados em 30 países. No total, os pesquisadores analisaram informações de mais de 4,2 milhões de pessoas com idades entre 45 e 93 anos.

Os participantes foram acompanhados durante aproximadamente dez anos. Nesse período, os cientistas registraram diagnósticos de diferentes tipos de demência, incluindo Alzheimer e demência vascular.

Os resultados mostraram uma diferença importante.

Pessoas que apresentavam os níveis mais elevados de atividade física durante o tempo livre tiveram risco de demência 24% menor em comparação com aquelas menos ativas.

Já a atividade física realizada durante o trabalho apresentou um cenário diferente. Nesse grupo, níveis elevados de esforço físico profissional foram associados a um risco aproximadamente 20% maior de desenvolver demência.

Os números não significam que trabalhar fisicamente provoque diretamente a doença. Como os estudos analisados são observacionais, não é possível estabelecer uma relação de causa e efeito.

Para o cérebro, o contexto da atividade física importa

Segundo Natan Feter, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e um dos autores do trabalho, os resultados colocam em dúvida a ideia de que qualquer movimento produz os mesmos benefícios para a saúde cerebral.

Uma pessoa pode acumular atividade física de várias maneiras ao longo do dia. Isso inclui exercícios, tarefas domésticas, deslocamentos e atividades profissionais.

Porém, cada uma dessas situações ocorre em condições completamente diferentes.

O exercício realizado no tempo livre geralmente é voluntário. A pessoa também pode escolher a intensidade, interromper a atividade quando necessário e praticá-la em ambientes agradáveis.

Além disso, esportes e exercícios frequentemente envolvem interação social e podem ajudar a reduzir o estresse. Esses fatores também são considerados importantes para preservar a saúde cerebral.

Por que um trabalho pesado pode ser diferente?

Crise Trabalho Alemania
© Imago Images/photothek/T. TrutscheL

Empregos fisicamente exigentes apresentam características muito diferentes de uma caminhada, corrida ou sessão de academia.

Eles podem envolver movimentos repetitivos, longos períodos em pé, levantamento frequente de cargas e poucas oportunidades de recuperação.

Além disso, determinados ambientes profissionais podem expor trabalhadores a outros fatores relacionados ao risco de demência.

Entre eles estão estresse psicossocial, ruído constante, poluição atmosférica e condições de trabalho potencialmente perigosas.

Por isso, os pesquisadores consideram improvável que o movimento corporal seja responsável pela associação observada. O ambiente social e profissional no qual essa atividade acontece provavelmente também desempenha um papel importante.

Existe ainda outro problema: quem passa horas realizando trabalho pesado pode terminar o expediente fisicamente exausto. Consequentemente, essas pessoas podem ter menos disposição para praticar exercícios durante o tempo livre.

O estudo apresenta algumas limitações

Os pesquisadores destacam que os resultados precisam ser interpretados com cautela.

Grande parte dos estudos incluídos na análise foi realizada em países de renda elevada. Além disso, muitas pesquisas dependiam das informações fornecidas pelos próprios participantes sobre seus níveis de atividade física.

Por se tratar de dados observacionais, também não é possível afirmar que trabalhos fisicamente exigentes aumentem diretamente o risco de demência.

Ainda assim, a pesquisa reforça uma diferença importante para a saúde cerebral: movimentar-se durante uma jornada de trabalho pesada não parece produzir necessariamente os mesmos benefícios de praticar exercícios voluntariamente.

Para o cérebro, portanto, não importa apenas quanto uma pessoa se movimenta. A maneira, o ambiente e o motivo pelo qual essa atividade física acontece também podem fazer diferença.

 

[ Fonte: DW ]

 

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