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Tragédia da Air India: piloto questionou corte de combustível instantes antes da queda

Relatório preliminar revela diálogo confuso na cabine e interrupção no abastecimento dos motores logo após a decolagem do voo que matou mais de 270 pessoas.
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Tempo de leitura: 2 minutos

O acidente aéreo mais mortal da última década, que envolveu um Boeing 787 Dreamliner da Air India, acaba de ganhar contornos mais alarmantes. Um relatório preliminar do Departamento de Investigação de Acidentes Aeronáuticos da Índia (AAIB) revelou que os pilotos estavam confusos quanto ao corte de combustível dos motores momentos antes da queda, levantando sérias dúvidas sobre a origem da falha.

Conversa na cabine expõe confusão

Segundo os dados extraídos do gravador de voz da cabine, um dos pilotos perguntou ao outro por que o combustível havia sido cortado. A resposta foi igualmente inquietante: “Eu não cortei”. O relatório não identificou qual dos dois fez cada afirmação, nem quem emitiu o chamado de emergência “Mayday, Mayday, Mayday”.

O comandante do voo, Sumeet Sabharwal, de 56 anos, tinha mais de 15 mil horas de voo e também atuava como instrutor da companhia. Já o copiloto, Clive Kunder, de 32 anos, acumulava mais de 3.400 horas de experiência.

Interrupção simultânea de combustível após decolagem

O voo, que decolou de Ahmedabad com destino a Londres no dia 12 de junho, perdeu potência logo após levantar voo. Imagens de circuito interno mostram que a turbina de ar comprimido, usada como fonte de energia reserva, foi acionada rapidamente — sinal claro de que os motores haviam perdido empuxo.

De forma quase simultânea, os interruptores de combustível passaram da posição de operação para a de corte, o que interrompeu o abastecimento das turbinas. O relatório ainda não explica como essa alteração ocorreu: se foi erro humano, falha técnica ou uma combinação de fatores.

Questões sobre o projeto da aeronave

O documento levanta dúvidas sobre a posição dos interruptores de corte de combustível no cockpit, sugerindo que sua localização pode facilitar o acionamento acidental, sobretudo em momentos críticos da decolagem.

O ministro da Aviação Civil da Índia, Ram Mohan Naidu, afirmou que é cedo para conclusões e destacou a importância de preservar o bem-estar psicológico dos pilotos sobreviventes e familiares. “Vamos aguardar o relatório final”, disse.

Reputação da Air India em jogo

O acidente representa um revés grave para a campanha de reestruturação da Air India, liderada pelo Grupo Tata desde que assumiu o controle da companhia aérea estatal em 2022. A empresa, que busca modernizar sua frota e recuperar credibilidade internacional, enfrenta agora um dos episódios mais trágicos de sua história.

Em nota oficial, a Air India reconheceu o conteúdo do relatório e afirmou estar colaborando plenamente com as autoridades indianas, mas preferiu não comentar os detalhes da investigação em andamento.

 

[ Fonte: CNN Brasil ]

 

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