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Ciência

Três vírus estão sob vigilância em 2026 e preocupam especialistas em saúde pública

Enquanto o mundo ainda processa os impactos recentes de grandes surtos globais, três vírus ampliaram sua presença geográfica e hoje são monitorados de perto por pesquisadores. Não há cenário de pânico iminente, mas há sinais claros de que vigilância e preparação continuam essenciais.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Mesmo após os anos mais críticos da covid-19, a dinâmica das doenças infecciosas segue ativa. Mudanças climáticas, crescimento populacional, urbanização acelerada e alta mobilidade internacional criam condições favoráveis para a circulação de vírus. Em artigo publicado no site The Conversation, o infectologista Patrick Jackson, da Universidade da Virgínia (EUA), destacou três agentes que merecem atenção especial em 2026: o vírus Oropouche, a gripe aviária H5N1 e o mpox.

Eles são diferentes entre si, mas compartilham um ponto em comum: ampliaram sua área de circulação e demonstram potencial de expansão.

Vírus Oropouche: avanço silencioso a partir da Amazônia

Por que o vírus Nipah não representa uma nova ameaça para o Brasil
© https://x.com/astronomiaum/

O menos conhecido do público é o vírus Oropouche, transmitido por pequenos mosquitos e causador de sintomas semelhantes aos da gripe, como febre, dor de cabeça e dores musculares. Identificado na década de 1950 em Trinidad e Tobago, por muitos anos foi considerado restrito à região amazônica.

Nas últimas décadas, porém, houve expansão para outros países da América do Sul, América Central e Caribe. Em 2024, o Brasil registrou as primeiras mortes associadas à infecção, e casos ligados a viajantes começaram a ser identificados na Europa.

Também foram relatados episódios de transmissão vertical, de mãe para filho, e investiga-se uma possível associação com microcefalia — embora essa relação ainda esteja em estudo. O fato de o mosquito transmissor já estar adaptado a amplas áreas tropicais e subtropicais aumenta a preocupação.

Até o momento, não há vacina nem tratamento antiviral específico. Em 5 de janeiro de 2026, a Organização Mundial da Saúde (OMS) apresentou um plano estratégico para acelerar o desenvolvimento de ferramentas de prevenção e controle contra o vírus.

Gripe aviária H5N1: salto entre espécies mantém alerta

A influenza A sempre representou risco por sua alta capacidade de mutação. A pandemia de H1N1 em 2009 deixou centenas de milhares de mortos no primeiro ano, segundo estimativas internacionais.

Agora, a atenção se volta para a cepa H5N1, conhecida como gripe aviária. Em 2024, o vírus foi identificado pela primeira vez em vacas leiteiras nos Estados Unidos, o que marcou um salto relevante entre espécies. Desde então, novos focos foram detectados em rebanhos de diferentes estados norte-americanos.

Estudos sugerem que pode ter havido transmissões de bovinos para humanos, muitas delas sem sintomas. Até o momento, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA registraram 71 casos humanos e duas mortes desde 2024, sem evidência de transmissão sustentada entre pessoas.

O principal receio é que o vírus adquira capacidade eficiente de transmissão humana, o que abriria caminho para um cenário pandêmico. Vacinas específicas estão em desenvolvimento, já que as formulações atuais provavelmente não ofereceriam proteção adequada contra essa cepa.

Mpox: duas variantes circulando globalmente

O mpox, anteriormente chamado de varíola dos macacos, deixou de ser uma doença restrita a partes da África após o surto global de 2022, quando a variante clado IIb se espalhou para mais de cem países.

Desde então, essa linhagem passou a circular de forma recorrente em diferentes regiões, com transmissão associada principalmente ao contato físico próximo. Existe vacina disponível, mas o acesso e a cobertura variam entre países.

Paralelamente, países da África Central registram aumento de casos do clado I, considerado mais grave. Em 2026, os Estados Unidos notificaram infecções pelo clado Ib em pessoas sem histórico recente de viagem, indicando circulação mais ampla.

Embora não haja evidência de que o mpox esteja prestes a gerar uma nova pandemia, especialistas acompanham a evolução genética do vírus para identificar possíveis mudanças no padrão de transmissão ou gravidade.

Outras doenças sob observação

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© FreePik

Além desses três vírus, outras infecções também estão no radar. O chikungunya registrou mais de 445 mil casos suspeitos e confirmados em 2025, com ao menos 155 mortes até setembro, segundo dados divulgados por veículos científicos.

O vírus Nipah voltou a ser monitorado após um surto na Índia, embora, por ora, não apresente características de alta transmissibilidade global.

Há ainda preocupação com o sarampo, que voltou a crescer em diversos países devido à queda nas taxas de vacinação, inclusive em nações que haviam eliminado a circulação sustentada da doença.

Especialistas também alertam que cortes em programas internacionais de cooperação em saúde podem comprometer o controle de doenças como o HIV.

O cenário atual não indica crise imediata, mas reforça uma lição recente: em um mundo interconectado e ambientalmente instável, vigilância epidemiológica, investimento em ciência e acesso à vacinação continuam sendo as principais barreiras para evitar que surtos locais se transformem em emergências globais.

 

[ Fonte: DW ]

 

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