Nos últimos anos, a inteligência artificial deixou de ser apenas uma promessa tecnológica para se transformar em uma força capaz de movimentar trilhões de dólares. Mas alguns investidores acreditam que o impacto econômico real dessa revolução ainda está longe de aparecer completamente. Entre eles está Marcio Appel, gestor da Adam Capital, que vem chamando atenção por uma previsão considerada extrema até mesmo dentro do mercado financeiro: segundo ele, a explosão da IA pode provocar um fortalecimento brutal do dólar e desencadear uma pressão cambial gigantesca sobre países emergentes como o Brasil.
O gestor que apostou cedo na IA agora faz um alerta ainda mais agressivo

Marcio Appel ganhou notoriedade entre investidores por defender teses consideradas fora do consenso muito antes de elas se tornarem populares. Um dos exemplos mais citados envolve a Nvidia.
Segundo o gestor, ele começou a comprar ações da empresa ainda em 2022, quando boa parte do mercado enxergava inteligência artificial apenas como uma tendência distante ou especulativa. Hoje, após a explosão global da IA, a Nvidia se tornou uma das companhias mais valiosas do planeta.
Mas Appel acredita que esse movimento é apenas o começo.
Agora, o foco da sua análise está no impacto macroeconômico da inteligência artificial sobre moedas globais — especialmente o dólar. Para ele, o mercado estaria ignorando completamente a dimensão do que está acontecendo nos Estados Unidos.
Enquanto investidores acompanham guerras, juros e tensões políticas internacionais, Appel afirma que existe um fenômeno muito maior ocorrendo silenciosamente: uma gigantesca concentração global de capital em torno das empresas americanas ligadas à IA.
Na visão dele, essa migração de recursos pode provocar um fortalecimento histórico do dólar, semelhante ao que aconteceu durante o boom da internet nos anos 1990 — mas em uma escala ainda mais intensa.
O gestor compara o momento atual ao início da revolução da internet, quando bilhões de dólares foram drenados para empresas americanas de tecnologia, fortalecendo a moeda americana e pressionando economias emergentes ao redor do mundo.
A diferença, segundo ele, é que agora o movimento seria ainda mais poderoso porque as empresas líderes da nova revolução tecnológica já possuem lucros enormes, modelos consolidados e uma demanda praticamente insaciável por capital.
Para ele, o mercado está cometendo um erro perigoso com o real
Enquanto parte do mercado brasileiro aposta na valorização do real e em uma possível volta forte do fluxo estrangeiro para a Bolsa, Appel segue na direção oposta.
Segundo o gestor, existe um excesso de confiança em torno da moeda brasileira. Na visão dele, o câmbio atual estaria artificialmente apreciado diante do cenário global que começa a se desenhar.
O ponto mais polêmico da análise surgiu quando ele afirmou que o dólar “não deveria estar em R$ 5”, mas muito mais próximo de R$ 8.
A declaração chamou atenção porque vai completamente contra o posicionamento dominante de boa parte dos investidores locais, que enxergam os juros elevados do Brasil como fator de sustentação para o real.
Mas Appel argumenta que o mercado estaria subestimando a força estrutural da economia americana neste novo ciclo tecnológico.
Segundo ele, os Estados Unidos vivem hoje uma combinação extremamente rara: liderança absoluta em inteligência artificial, grandes empresas altamente lucrativas, forte atração global de capital e um ambiente econômico muito mais favorável ao crescimento tecnológico do que o resto do mundo.
Enquanto isso, na avaliação do gestor, o Brasil continua excessivamente dependente de fatores conjunturais e vulnerável a movimentos globais de fuga de capital.
A tese parece radical, mas não é totalmente isolada.
Relatórios recentes mostram que diversos fundos macro começaram a reduzir exposição ao chamado “kit Brasil”, diminuindo apostas otimistas sobre ativos locais e desmontando posições vendidas em dólar.
A inteligência artificial virou o novo centro gravitacional do mercado global
O ponto central da análise de Appel é que a inteligência artificial deixou de ser apenas um setor específico da tecnologia e passou a funcionar como um gigantesco polo de atração de investimentos globais.
Segundo dados de grandes bancos internacionais, fundos de hedge aumentaram fortemente exposição ao setor de tecnologia nos últimos trimestres, especialmente em empresas ligadas à infraestrutura de IA, semicondutores e processamento avançado.
Isso estaria criando um efeito semelhante ao observado durante o nascimento da internet comercial — só que em velocidade muito maior.
Na visão do gestor, o mercado ainda não compreendeu totalmente a dimensão econômica dessa transformação. Para ele, a IA não representa apenas mais uma inovação tecnológica, mas uma mudança estrutural comparável — ou até superior — à própria Revolução Industrial.
E existe um detalhe importante nessa tese: Appel acredita que IA e valorização do dólar caminham juntas.
Quanto mais capital internacional migrar para financiar empresas americanas líderes em inteligência artificial, maior tende a ser a pressão compradora sobre a moeda americana.
Isso poderia gerar consequências duras para países emergentes, especialmente aqueles com crescimento fraco, dependência de capital externo e dificuldades estruturais de produtividade.
Mesmo após fortes ganhos recentes em seus fundos, o gestor afirma que o principal movimento previsto em seu cenário ainda nem começou.
Segundo ele, o mercado continua olhando para as ondas visíveis do curto prazo enquanto ignora uma transformação muito mais profunda acontecendo no fundo do oceano financeiro global.
[Fonte: Infomoney]