A relação entre América Latina e China vem ganhando novos capítulos nos últimos anos, principalmente em projetos de infraestrutura e transporte. Agora, um dos exemplos mais ambiciosos dessa parceria começa a tomar forma em Bogotá, na Colômbia. A capital colombiana, historicamente marcada por congestionamentos e longos deslocamentos urbanos, está cada vez mais próxima de inaugurar seu primeiro sistema de metrô.
Com avanço acelerado das obras e a chegada de novos trens elétricos fabricados pela gigante chinesa CRRC Corporation Limited, a cidade quer não apenas resolver parte de seus problemas de mobilidade, mas também construir uma das linhas de metrô mais extensas da América do Sul.
Os novos trens elétricos chineses já estão a caminho da Colômbia

Segundo a Empresa Metro de Bogotá, três novos trens devem chegar à cidade ainda neste mês, elevando para 13 o número de composições já entregues das 30 previstas para o sistema. Todos os veículos estão sendo produzidos na cidade chinesa de Changchun, um importante polo industrial ferroviário do país asiático.
Cada trem contará com seis vagões e funcionará de maneira totalmente elétrica. Um dos pontos que mais chama atenção é o fato de que o sistema será automatizado, sem necessidade de condutor a bordo. A operação utilizará tecnologia CBTC, um moderno sistema inteligente de sinalização ferroviária que permite controle em tempo real da circulação dos trens.
Além disso, os veículos terão frenagem automática, monitoramento permanente e quatro motores elétricos por composição, garantindo viagens mais silenciosas, rápidas e eficientes energeticamente.
Antes de serem enviados à Colômbia, os trens passam por uma bateria rigorosa de testes na China. Segundo as autoridades colombianas, cada unidade percorre até 2.500 quilômetros em avaliações técnicas para validar tanto o funcionamento manual quanto o automático.
Uma linha elevada de quase 24 quilômetros
O projeto da Linha 1 do metrô de Bogotá prevê inicialmente um corredor elevado de aproximadamente 24 quilômetros de extensão. A rota ligará o sudoeste da cidade à região da Calle 72, atravessando áreas extremamente movimentadas da capital colombiana.
As obras já ultrapassaram 13 quilômetros de viaduto construído e avançam simultaneamente em importantes corredores urbanos, como a Avenida Caracas, a Avenida Villavicencio e a NQS. Mais de 15 mil trabalhadores participam diariamente da construção.
Ao todo, a linha terá 16 estações, sendo que 10 delas terão integração direta com o TransMilenio, sistema de ônibus rápidos que atualmente funciona como principal eixo de transporte público da cidade.
A integração entre os sistemas é vista pelas autoridades como essencial para reduzir tempos de deslocamento e desafogar o trânsito de Bogotá, considerada uma das cidades mais congestionadas da América Latina.
O plano que pode transformar Bogotá em referência ferroviária
O projeto, porém, não deve parar no traçado original. A construtora responsável já apresentou uma proposta para ampliar a linha até a Calle 100, adicionando mais 3,25 quilômetros e três novas estações.
Caso a expansão seja aprovada, Bogotá poderá consolidar um dos corredores ferroviários urbanos mais extensos da região. O novo trecho também facilitaria conexões com outros projetos estratégicos de mobilidade, como o Regiotram del Norte e novas linhas de transporte coletivo.
Uma das futuras estações, localizada na Calle 92, deve permitir integração com o sistema ferroviário regional. Já a estação da Calle 100 poderá funcionar como importante ponto de conexão para novas rotas metropolitanas.
O impacto esperado vai além do transporte. Especialistas apontam que grandes obras ferroviárias costumam estimular desenvolvimento econômico, valorização imobiliária e reorganização urbana nas áreas atendidas.
Testes começam em 2026
As primeiras provas operacionais sobre o viaduto já têm data prevista. Segundo a prefeitura de Bogotá, os testes iniciais começarão durante 2026 em um trecho de aproximadamente seis quilômetros entre o pátio de manutenção de Bosa e a estação número quatro, localizada em Kennedy.
Nesse primeiro momento, os ensaios ocorrerão sem passageiros. O objetivo será validar sistemas de segurança, comunicação e automação antes da entrada em operação comercial.
O prefeito Carlos Fernando Galán afirmou que 2026 deverá marcar uma das etapas mais visíveis de todo o projeto. A expectativa das autoridades colombianas é que os moradores finalmente comecem a ver os trens circulando pela cidade após décadas de debates, promessas políticas e tentativas frustradas de implantação do metrô.
Para Bogotá, a obra representa mais do que um novo meio de transporte. Trata-se de uma transformação urbana histórica que pode redefinir a forma como milhões de pessoas vivem, trabalham e se deslocam diariamente pela capital colombiana.
[ Fonte: El Cronista ]