Um dia inteiro para colocar o poder feminino em pauta
O auditório do TSE virou espaço de reflexão logo pela manhã. A abertura foi conduzida pela ministra Cármen Lúcia, atual presidente do tribunal e hoje a única mulher no Supremo Tribunal Federal.
Reconhecida por defender mais diversidade nas Cortes, ela tem evitado comentar publicamente a sucessão do ministro Luís Roberto Barroso, mas manteve o foco em um ponto central: sem poder feminino, a democracia segue incompleta.
O evento faz parte de uma agenda mais ampla para estimular a participação feminina em espaços tradicionalmente dominados por homens.
Mulheres na política e os desafios que ainda persistem
A primeira roda de conversa trouxe nomes fortes para o debate. A ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, dividiu a mesa com a deputada Benedita da Silva e a jornalista Flávia Oliveira.
O foco foi direto: os preconceitos estruturais que ainda afastam as mulheres na política dos principais cargos e a importância de políticas afirmativas para equilibrar o jogo.
Segundo as debatedoras, o problema não é falta de preparo, mas de oportunidades reais de acesso ao poder feminino. A escassez de financiamento, a pressão partidária e a violência política de gênero foram apontadas como barreiras permanentes.
Violência política e o impacto na participação feminina
No período da tarde, o tom ficou ainda mais sensível. A empresária Luiza Trajano, a atriz Maria Ribeiro e a cantora Fafá de Belém debateram o tema “democracia e violências”.
O debate foi além da agressão física. Elas trouxeram à tona as violências simbólicas, ataques virtuais, desqualificação pública e o impacto psicológico que isso causa na participação feminina.
A mensagem foi clara: enquanto mulheres seguirem sendo hostilizadas, o avanço das mulheres na política continuará em ritmo mais lento do que o necessário.
Diálogo entre gerações e o futuro do poder feminino
O último painel do dia buscou conectar passado, presente e futuro. Participaram a atriz Denise Fraga, a presidente da Rede Sarah, Lúcia Braga, a jornalista Basília Rodrigues e a liderança indígena Thaís Pitaguary.
O foco foi entender como diferentes gerações constroem, juntas, o caminho para ampliar o poder feminino em todas as esferas.
O grupo defendeu que o fortalecimento da participação feminina não é uma pauta setorial, mas uma condição para uma democracia mais sólida.
O que esse encontro revela sobre o Brasil
O evento do TSE deixa um recado direto: o debate sobre mulheres na política deixou de ser periférico. Ele agora ocupa o centro das instituições.
Mesmo assim, os números mostram que o Brasil ainda está longe do ideal quando o assunto é participação feminina e presença real de mulheres nos espaços de poder.
A reflexão que fica é simples: o país quer, de fato, uma democracia plena, mas sem mulheres decidindo, legislando e governando em igualdade de condições, esse projeto continua incompleto.
[Fonte: Correio Braziliense]