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Ciência

Ultraprocessados estão cada vez mais presentes na dieta das crianças — e especialistas alertam que o excesso pode afetar diretamente a saúde dos olhos e o desenvolvimento da visão

Estudos recentes indicam que alimentos ultraprocessados já representam uma parcela significativa da dieta no Brasil. Especialistas alertam que o excesso desses produtos, aliado à falta de nutrientes essenciais, pode comprometer o desenvolvimento da visão infantil e aumentar o risco de doenças oculares ao longo da vida.
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Tempo de leitura: 4 minutos

O avanço dos alimentos ultraprocessados na alimentação cotidiana tem despertado preocupação entre médicos e pesquisadores. Produtos industrializados ricos em açúcar, gorduras e aditivos químicos vêm substituindo alimentos naturais em muitas casas. Embora o impacto desse padrão alimentar já seja conhecido em problemas metabólicos, especialistas alertam que ele também pode afetar algo menos discutido: o desenvolvimento da visão das crianças.

O avanço dos ultraprocessados na dieta brasileira

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© Gastronomiaycia – X

De acordo com um estudo publicado na revista científica The Lancet no final de 2025, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) estimam que os alimentos ultraprocessados já correspondem a cerca de 23% das calorias diárias consumidas pela população brasileira.

Esse tipo de produto inclui refrigerantes, salgadinhos industrializados, biscoitos recheados, refeições prontas e diversos alimentos altamente processados. Em geral, eles possuem grande quantidade de açúcar, gorduras e aditivos artificiais, enquanto oferecem pouca quantidade de vitaminas e minerais essenciais.

Para especialistas em saúde pública, esse desequilíbrio nutricional pode ter efeitos profundos no organismo — especialmente durante a infância, quando o corpo e o sistema nervoso ainda estão em desenvolvimento.

Nutrientes essenciais para a saúde dos olhos

Segundo o oftalmologista Claudio Lottenberg, diversas estruturas do olho dependem de nutrientes específicos para funcionar adequadamente.

A retina, a mácula, o nervo óptico e até mesmo a superfície ocular são tecidos altamente especializados e sensíveis. Para manter seu funcionamento correto, o organismo precisa de vitaminas e minerais que ajudam a proteger as células contra inflamação e danos oxidativos.

Entre os nutrientes mais importantes para a saúde ocular estão as vitaminas A, C e E, além de minerais como o zinco e compostos como ômega-3, luteína e zeaxantina. Esses elementos ajudam a preservar as células da retina e contribuem para o bom funcionamento do sistema visual.

Quando a alimentação é pobre nesses nutrientes — algo comum em dietas ricas em ultraprocessados — o desenvolvimento dessas estruturas pode ser prejudicado.

Deficiências nutricionais podem causar problemas precoces

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© Freepik

A deficiência de vitamina A é uma das preocupações mais conhecidas em relação à visão infantil. Esse nutriente desempenha papel fundamental na função da retina e na adaptação do olho à luz.

Em crianças, a falta de vitamina A pode provocar sintomas como cegueira noturna. Em casos mais graves, pode até causar ulcerações na córnea e danos permanentes à visão.

Outro fator que preocupa especialistas é o excesso de açúcar na dieta. O consumo elevado desse nutriente está associado ao aumento do risco de diabetes precoce. Com o tempo, a doença pode provocar complicações como a retinopatia diabética, uma das principais causas de perda visual no mundo.

Além disso, a ingestão insuficiente de vitaminas antioxidantes, como C e E, pode aumentar o risco futuro de doenças oculares relacionadas ao envelhecimento, incluindo catarata e degeneração macular.

Já a falta de ácidos graxos ômega-3 pode comprometer a qualidade do filme lacrimal, favorecendo sintomas de olho seco.

Inflamação e circulação também entram na equação

Outro aspecto destacado por especialistas é o impacto dos ultraprocessados nos processos inflamatórios do organismo.

Dietas ricas em açúcares e gorduras ultraprocessadas podem estimular inflamações sistêmicas e prejudicar a microcirculação sanguínea. Esse fator é particularmente relevante para a saúde da retina, que depende de uma rede delicada de vasos sanguíneos para receber oxigênio e nutrientes.

Alterações nessa circulação podem comprometer o funcionamento das células oculares e, ao longo do tempo, favorecer o surgimento de doenças.

Visão infantil também influencia aprendizado e desenvolvimento

Os efeitos de problemas visuais na infância vão muito além da saúde ocular. A visão desempenha papel central no aprendizado e no desenvolvimento cognitivo das crianças.

Grande parte das atividades escolares envolve leitura, interpretação de imagens e coordenação visual. Quando há déficits visuais não identificados, a criança pode apresentar dificuldades de concentração, atraso no aprendizado e até menor participação em atividades esportivas.

Além disso, problemas de visão podem afetar a coordenação motora e até a interação social.

Alimentação equilibrada e hábitos saudáveis fazem diferença

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© Jane T D

Para especialistas, a prevenção começa principalmente pela alimentação. Uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, peixes, castanhas e outros alimentos naturais fornece os nutrientes necessários para o desenvolvimento saudável dos olhos.

Reduzir o consumo de ultraprocessados também é considerado um passo importante. Paralelamente, médicos recomendam estimular hábitos de vida saudáveis, garantir exposição adequada à luz natural e limitar o tempo excessivo em telas.

Avaliações oftalmológicas regulares durante a infância também são fundamentais para identificar precocemente possíveis alterações visuais.

Segundo especialistas, cuidar da alimentação e da saúde ocular desde cedo pode ter impactos duradouros — não apenas na visão, mas no desenvolvimento integral das crianças.

 

[ Fonte: CNN Brasil ]

 

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