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Ciência

NASA avança em tecnologia para produzir oxigênio a partir do solo lunar — sistema movido a luz solar pode viabilizar presença humana sustentável

Pela primeira vez, cientistas extraíram oxigênio de regolito lunar simulado usando energia solar concentrada em um sistema totalmente integrado. O avanço pode reduzir custos das missões Artemis e abrir caminho para bases permanentes na Lua — e até em Marte.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A pergunta parece simples, mas é crucial: de onde virá o oxigênio para respirar na Lua?

A resposta pode estar literalmente sob os pés dos astronautas. A NASA anunciou um marco tecnológico importante: conseguiu extrair oxigênio de regolito lunar simulado utilizando energia solar concentrada em um sistema integrado. O feito representa um passo decisivo para tornar as futuras missões do programa Artemis program mais autônomas.

 A Lua não tem ar — mas tem matéria-prima

Cientistas descobrem como gerar energia na Lua com o próprio solo lunar
© Firefly Aerospace

A Lua não possui atmosfera respirável. No entanto, seu solo é rico em óxidos metálicos que contêm oxigênio ligado a elementos como ferro, silício e alumínio.

O desafio é liberar esse oxigênio.

Enquanto a busca por água congelada nos polos lunares continua, o oxigênio está praticamente em toda parte — preso na estrutura química do regolito, a camada de poeira e fragmentos rochosos que cobre a superfície lunar.

 Redução carbotérmica: calor extremo para liberar oxigênio

O processo utilizado se chama redução carbotérmica. Ele consiste em aquecer o regolito a temperaturas superiores a 1.600 °C para provocar uma reação química entre os óxidos metálicos e o carbono.

Durante a reação, forma-se monóxido de carbono (CO), que depois pode ser processado para liberar oxigênio utilizável — tanto para respiração quanto como componente de combustível para foguetes.

Isso significa que futuras missões poderiam produzir parte do próprio combustível diretamente na Lua, reduzindo drasticamente os custos de lançamento a partir da Terra.

 Energia solar concentrada: chave para eficiência

O projeto, chamado Carbothermal Reduction Demonstration (CaRD), integra espelhos, concentradores solares, software de rastreamento e um reator térmico capaz de atingir temperaturas extremas.

O grande avanço agora foi a operação do sistema completo como uma unidade funcional — não apenas testes isolados em laboratório. Isso aproxima a tecnologia das condições reais que astronautas enfrentarão no ambiente lunar.

Como levar energia da Terra é caro e limitado, a utilização da luz solar como fonte primária é estratégica. A Lua recebe radiação solar intensa, especialmente nas regiões polares.

 Impacto nas missões Artemis — e além

Programa Artemis
© Eurekablog – X

A integração bem-sucedida do sistema eleva seu nível de maturidade tecnológica. Ainda é um protótipo, mas agora todas as partes funcionam em conjunto.

Se implantada na superfície lunar na próxima década, a tecnologia poderá:

  • Produzir oxigênio para tripulações

  • Gerar combustível a partir de recursos locais

  • Reduzir a dependência de suprimentos enviados da Terra

  • Tornar viáveis estadias prolongadas na Lua

E o impacto pode ir além. A mesma lógica poderá ser aplicada em futuras missões a Marte, onde a produção local de recursos será ainda mais essencial.

 Um passo rumo à autonomia espacial

Segundo a NASA, se implantada com sucesso, essa tecnologia poderá “reduzir significativamente o custo e a complexidade de manter uma presença humana de longo prazo na superfície lunar”.

Mais do que uma curiosidade científica, trata-se de uma mudança estratégica: transformar o solo lunar em recurso utilizável.

Respirar na Lua pode parecer ficção científica. Mas agora está mais próximo de se tornar engenharia prática.

 

[ Fonte: Wired ]

 

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