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Ciência

Um capacete de ultrassom pode mudar o tratamento do Parkinson

Um avanço científico no Reino Unido promete transformar o futuro de milhões de pessoas que convivem com doenças neurológicas. Pesquisadores desenvolveram um capacete de ultrassom capaz de atingir regiões profundas do cérebro sem cirurgia, com precisão inédita e efeitos reversíveis. A tecnologia pode abrir caminho para novos tratamentos contra o Parkinson, a depressão e até mesmo a dor crônica.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Precisão além do imaginado

O dispositivo foi projetado com 256 emissores de ultrassom distribuídos em uma estrutura que se ajusta à cabeça do paciente. Conectado a um aparelho de ressonância magnética, o sistema consegue direcionar energia a pontos minúsculos — do tamanho de um grão de arroz. Isso representa uma precisão 30 vezes maior que as técnicas anteriores.

Nos testes iniciais, realizados com sete voluntários saudáveis, os cientistas estimularam com sucesso o núcleo geniculado lateral, uma área do tálamo ligada à visão. Os resultados confirmaram que o método pode alterar a atividade cerebral de forma localizada e mensurável.

Uma alternativa não invasiva

Tradicionalmente, ondas de ultrassom enfrentavam um dilema: frequências baixas atravessavam bem o crânio, mas se dispersavam; já as altas focavam melhor, mas perdiam força. O novo capacete resolve essa questão com a disposição estratégica dos emissores e o controle individual de cada um.

Ao contrário da estimulação cerebral profunda —que exige implante de eletrodos cirúrgicos— o sistema não deixa marcas físicas. Além disso, utiliza uma máscara personalizada em vez de estruturas invasivas, tornando o processo totalmente reversível e seguro.

Do laboratório para os hospitais

Segundo os pesquisadores, a tecnologia pode ser aplicada em tratamentos contra o Parkinson sem os riscos de uma cirurgia. Mas o potencial vai além: depressão resistente, esquizofrenia, vícios, dor crônica e síndrome de Tourette estão entre os distúrbios que podem se beneficiar.

O capacete também se apresenta como uma ferramenta promissora para estudos sobre funções cognitivas, como memória e consciência. “É extraordinário poder alcançar áreas profundas do cérebro sem abrir o crânio”, afirmou Charlotte Stagg, autora principal da pesquisa.

O próximo desafio

Por enquanto, o equipamento precisa de ressonância magnética para funcionar, o que limita seu uso na prática clínica. Entretanto, já existem iniciativas para criar versões mais leves, autônomas e assistidas por inteligência artificial.

Ainda serão necessários ensaios clínicos em pacientes para confirmar os resultados, mas os especialistas consideram o avanço um marco. Se os estudos se consolidarem, a medicina poderá contar em breve com uma ferramenta revolucionária para melhorar a qualidade de vida de pessoas que enfrentam distúrbios neurológicos graves.

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