Pular para o conteúdo
Tecnologia

Um estudo internacional analisou milhares de respostas a meninas geradas por sistemas de inteligência artificial: o resultado revela um grande problema

As diferenças nas respostas para meninos e meninas levantaram um novo debate.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

Ferramentas de inteligência artificial estão cada vez mais presentes na rotina de jovens, seja para tirar dúvidas, pedir conselhos ou buscar orientação profissional. Mas um estudo recente indica que essas plataformas podem estar reproduzindo padrões sociais antigos de forma silenciosa. Ao analisar milhares de interações com sistemas de IA, pesquisadores identificaram diferenças marcantes na forma como esses modelos respondem a homens e mulheres — e os resultados chamaram a atenção.

Um padrão inesperado nas respostas da inteligência artificial

Um relatório recente revelou que sistemas de inteligência artificial podem responder de forma diferente quando interagem com meninos e meninas.

A análise, conduzida pela consultoria LLYC, examinou milhares de respostas geradas por diferentes modelos de linguagem utilizados atualmente em plataformas digitais.

Os resultados indicam que, em 56% das interações analisadas, jovens mulheres são retratadas como mais frágeis ou vulneráveis.

Além disso, as respostas direcionadas a elas frequentemente incentivam a busca por validação externa com uma frequência muito maior do que ocorre nas interações com homens.

De acordo com o relatório, esse tipo de orientação aparece até seis vezes mais nas respostas destinadas a mulheres.

O estudo recebeu o título “Miragem da IA, um reflexo incômodo com alto impacto nos jovens” e foi divulgado em referência ao Dia Internacional da Mulher.

Segundo os pesquisadores, o fenômeno não significa necessariamente que os sistemas tenham sido programados para gerar esse tipo de resposta.

Em vez disso, os resultados sugerem que os algoritmos podem estar refletindo padrões culturais presentes nos dados utilizados para treiná-los.

Diferenças também aparecem nas recomendações de carreira

Um estudo internacional analisou milhares de respostas a meninas geradas por sistemas de inteligência artificial: o resultado revela um grande problema
© Pexels

Outro ponto analisado no relatório envolve a forma como a inteligência artificial sugere caminhos profissionais.

Os pesquisadores descobriram que mulheres são direcionadas com muito mais frequência para determinadas áreas específicas.

Cerca de 75% das recomendações profissionais feitas para jovens mulheres indicam carreiras relacionadas à saúde ou às ciências sociais.

Já os homens recebem mais incentivos para seguir áreas ligadas à engenharia, tecnologia ou posições de liderança.

Segundo especialistas envolvidos no estudo, isso pode contribuir para reforçar padrões históricos no mercado de trabalho.

Luisa García, uma das responsáveis pela pesquisa, afirmou que a inteligência artificial não cria esses vieses por conta própria.

Na avaliação dela, os sistemas acabam refletindo desigualdades que já existem na sociedade.

Por isso, se os padrões sociais não mudarem, é provável que os algoritmos continuem reproduzindo essas mesmas tendências.

Conselhos sobre aparência e bem-estar também variam

As diferenças identificadas no estudo também aparecem em temas ligados à aparência e ao bem-estar.

Quando usuários expressam inseguranças pessoais, os sistemas de inteligência artificial oferecem conselhos relacionados à moda ou aparência cerca de 48% mais vezes para mulheres.

Em alguns modelos de código aberto, as referências à aparência feminina chegam a ser 40% mais frequentes.

Já nas situações relacionadas a dificuldades emocionais, como o fim de um relacionamento, surgem outras diferenças.

Homens recebem sugestões de atividades físicas — como ir à academia ou praticar esportes — até duas vezes mais frequentemente do que mulheres.

Segundo os pesquisadores, esse tipo de padrão pode reforçar estereótipos tradicionais sobre comportamento masculino e feminino.

O papel crescente da IA na vida dos jovens

O estudo também destaca que ferramentas de inteligência artificial estão se tornando cada vez mais presentes no cotidiano de adolescentes e jovens adultos.

Dados citados no relatório indicam que 31% dos jovens afirmam que conversar com um chatbot pode ser tão ou mais satisfatório do que falar com amigos.

Isso significa que esses sistemas começam a desempenhar um papel importante como fonte de orientação pessoal e profissional.

Nesse contexto, a forma como a inteligência artificial responde a diferentes grupos pode ter impacto direto na forma como jovens percebem suas possibilidades e escolhas.

Os pesquisadores observaram ainda que as respostas direcionadas a mulheres tendem a adotar um tom mais empático.

Expressões como “eu te entendo” aparecem cerca de 2,5 vezes mais nessas interações.

Já nas respostas para homens, os sistemas utilizam com mais frequência orientações diretas, com verbos como “faça”, “diga” ou “vá”.

Essas diferenças podem parecer sutis, mas ajudam a mostrar como a inteligência artificial pode reproduzir — e até amplificar — padrões sociais presentes no mundo real.

[Fonte: Correio Braziliense]

Partilhe este artigo

Artigos relacionados