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Ciência

Atividade física ao ar livre melhora memória, atenção e desempenho escolar — e estudos mostram que 15 minutos por dia já fazem diferença

Pesquisas conduzidas no Reino Unido indicam que incluir exercícios em ambientes externos na rotina escolar fortalece funções executivas, melhora a atenção e contribui para o rendimento acadêmico. O contato com a natureza potencializa os efeitos do movimento, com benefícios que podem durar até 45 minutos após a prática.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A cena é simples: alunos correndo no pátio, caminhando ao redor da escola ou jogando bola em uma quadra aberta. Mas por trás dessa imagem cotidiana há um impacto que vai além do gasto calórico. Estudos recentes liderados pela Nottingham Trent University mostram que a atividade física ao ar livre pode impulsionar o desenvolvimento cognitivo e o bem-estar de crianças e adolescentes.

Os resultados foram publicados em periódicos como Scientific Reports e na base ScienceDirect, reforçando evidências de que movimento e natureza formam uma combinação poderosa para o aprendizado.

Movimento e natureza: uma dupla que transforma o aprendizado

Criancas (2)
© Curated Lifestyle – Unsplash

As pesquisas apontam que a prática regular de atividade física durante o período escolar não beneficia apenas o corpo. Ela fortalece funções executivas — conjunto de habilidades que inclui controle inibitório, memória de trabalho, atenção e autorregulação.

Essas funções são fundamentais para o desempenho acadêmico. São elas que permitem, por exemplo, que o aluno ignore distrações, mantenha o foco em uma tarefa e organize o próprio pensamento.

Segundo os pesquisadores, quando o exercício acontece em ambientes abertos, os efeitos são ainda mais evidentes. O contato com espaços verdes parece reduzir o estresse e favorecer a recuperação mental, criando condições ideais para o cérebro funcionar melhor após a atividade.

Resultados mensuráveis em poucas semanas

Um dos programas analisados foi o The Daily Mile, iniciativa adotada por milhares de escolas no Reino Unido. A proposta é simples: reservar 15 minutos diários para caminhar ou correr ao ar livre durante o horário escolar.

Em cinco semanas, estudantes apresentaram melhora significativa no controle inibitório e na aptidão física. Em experimentos com alunos do ensino médio, sessões de 30 minutos de basquete realizadas ao ar livre resultaram em tempos de reação mais rápidos e maior precisão em testes de memória e atenção quando comparadas à mesma atividade realizada em ambiente fechado.

Dados publicados na ScienceDirect indicam que a prática ao ar livre melhorou a velocidade de reação em testes cognitivos em até 94 milissegundos em relação ao exercício indoor. Além disso, os efeitos positivos permaneceram por até 45 minutos após a atividade.

Isso significa que uma aula mais dinâmica antes de uma prova ou atividade exigente pode, de fato, preparar melhor o cérebro para aprender.

Aptidão física e diferenças individuais

Os estudos também mostram que os benefícios não são iguais para todos. Estudantes com melhor condicionamento físico tendem a apresentar ganhos cognitivos mais evidentes após atividades intensas, como esportes coletivos. Já aqueles com menor preparo podem sentir maior fadiga, o que reduz o impacto positivo imediato no desempenho mental.

A neurodiversidade também influencia os resultados. Em crianças e adolescentes com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), o exercício regular demonstrou reduzir sintomas e melhorar funções executivas, mesmo quando realizado em sessões curtas.

Esses achados sugerem que estratégias escolares precisam considerar intensidade, frequência e características individuais dos alunos.

Quanto tempo é necessário?

Comportamento Das Crianças (2)
© Unsplash – Kenny Eliason

Os pesquisadores defendem que o ideal é incorporar pelo menos 30 minutos diários de atividade física no horário escolar, priorizando ambientes externos sempre que possível. A frequência e a regularidade são determinantes para benefícios mais amplos, incluindo possíveis melhorias na composição corporal e no condicionamento cardiorrespiratório.

Programas menos frequentes tendem a apresentar resultados mais limitados, especialmente em relação à memória de trabalho e atenção sustentada.

Um investimento simples com impacto duradouro

Em um contexto em que o tempo de tela cresce e o sedentarismo avança entre crianças e adolescentes, integrar movimento e natureza à rotina escolar pode ser uma estratégia acessível e eficaz.

Mais do que uma pausa na aula, a atividade física ao ar livre se consolida como ferramenta pedagógica. Ela estimula o cérebro, fortalece o corpo e cria um ambiente mais propício ao aprendizado.

Se a meta é melhorar desempenho acadêmico e bem-estar de forma integrada, talvez a resposta não esteja apenas dentro da sala de aula — mas também no pátio, na quadra e nos espaços verdes ao redor da escola.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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