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Ciência

Um físico propõe que o universo pode funcionar como um computador — e sua teoria sugere que a realidade talvez siga leis de informação além da física tradicional

A ideia de que vivemos em uma simulação sempre pareceu coisa de ficção científica. Mas um pesquisador britânico propõe algo mais ousado: o universo poderia operar como um sistema que processa informação. Ainda sem consenso, a hipótese levanta uma pergunta inquietante sobre a natureza da realidade.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante séculos, a humanidade questionou se aquilo que percebe é realmente “real”. Hoje, essa dúvida ganhou uma nova roupagem científica. Um físico da Universidade de Portsmouth propõe que o universo pode ser entendido como um sistema computacional, regido não apenas por leis físicas tradicionais, mas também por princípios ligados à informação. A ideia é provocadora — e pode mudar a forma como entendemos o cosmos.

Uma teoria que aproxima física e computação

O responsável pela proposta é Melvin Vopson, pesquisador da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido. Seus estudos partem de uma hipótese que vem ganhando espaço nos últimos anos: a de que a informação pode ser tão fundamental quanto a matéria e a energia.

Segundo Vopson, o universo poderia operar como um sistema otimizado para processar dados. Isso significa que eventos físicos não seriam apenas interações de partículas e forças, mas também transformações de informação.

A ideia dialoga com debates antigos — que vão da filosofia de Platão até produções modernas como “Matrix”. A diferença é que, agora, a discussão tenta se apoiar em observações científicas e modelos teóricos.

A proposta de uma nova lei da física

Matrix
© Unsplash / Markus Spiske.

Um dos pontos centrais da teoria é o que Vopson chama de “Segunda Lei da Infodinâmica”. Ela surge como um contraponto à Segunda Lei da Termodinâmica, que afirma que a entropia — ou o nível de desordem — tende sempre a aumentar em sistemas fechados.

Na visão do pesquisador, quando olhamos para a informação, o comportamento pode ser diferente. Em certos contextos, a entropia informacional poderia se manter estável ou até diminuir, sugerindo que existe um tipo de organização invisível atuando no universo.

Essa ideia indicaria que a realidade não caminha apenas rumo ao caos, como prevê a termodinâmica clássica, mas também segue uma lógica de otimização de informação.

Impactos que vão além da física

A hipótese não se limita ao campo da física teórica. Vopson também sugere implicações na biologia, especialmente na forma como entendemos a evolução.

De acordo com suas análises, mutações genéticas poderiam não ser totalmente aleatórias. Em vez disso, poderiam seguir padrões associados à eficiência no processamento de informação.

Um dos exemplos citados envolve estudos sobre o vírus SARS-CoV-2. O pesquisador aponta possíveis correlações entre mudanças genéticas e princípios de organização informacional, sugerindo que a evolução biológica pode ser guiada por algo além do acaso e da seleção natural.

Entre ciência e especulação

Apesar do interesse que a teoria desperta, a comunidade científica ainda trata a proposta com cautela. Especialistas destacam que faltam evidências sólidas para sustentar a ideia de que o universo funciona como um sistema computacional.

Veículos de divulgação científica, como o site IFLScience, ressaltam que a hipótese da simulação continua no campo especulativo. Até agora, não há provas diretas de que a realidade seja, de fato, uma espécie de “programa”.

Ainda assim, o trabalho de Vopson contribui para um debate mais amplo, que une física, filosofia e tecnologia. Afinal, se a informação for realmente uma peça central do universo, isso pode abrir novos caminhos para compreender desde partículas subatômicas até a própria consciência.

Uma pergunta que continua em aberto

A teoria levanta uma questão difícil de ignorar: o universo é apenas matéria e energia, ou também um sistema que processa informação de forma estruturada?

Por enquanto, não há uma resposta definitiva. Mas a proposta reforça algo que a ciência já mostrou muitas vezes: quanto mais avançamos no entendimento do cosmos, mais profundas — e desconcertantes — se tornam as perguntas.

Seja como for, a ideia de que a realidade pode funcionar como um código continua intrigando cientistas e curiosos. E talvez estejamos apenas começando a entender o que isso realmente significa.

 

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