A ilha isolada onde o tempo parece andar mais devagar
No meio de um lago nas montanhas da província chinesa de Guizhou, três ilhas surgem como manchas verdes cercadas de água. Em uma delas, uma casa simples de dois andares, um pequeno barco e plantações organizadas mostram que ali existe rotina.
É nessa ilha isolada que vive o agricultor de sobrenome Wu. Ele atravessa o lago remando, carrega alimentos nas costas e passa dias completamente sozinho. A margem mais próxima fica a poucos minutos de remo, mas parece outro mundo.
Ali, o tempo não tem pressa. A vida simples acontece no ritmo do sol, das chuvas e do crescimento das plantas. Tudo gira em torno da terra e dos animais.
Como a ilha isolada virou um refúgio de autossuficiência

A casa não foi construída por ele. O prédio fazia parte de um projeto de vila turística que nunca saiu do papel. O local ficou abandonado por anos, tomado pela vegetação.
Quando decidiu assumir o lugar, ele começou do zero. Cortou árvores, limpou o terreno e recuperou o solo. Aos poucos, o que era um espaço esquecido virou horta, roçado e viveiro de ervas.
Hoje, a autossuficiência é a base de tudo. A ilha isolada não é apenas onde ele mora, mas de onde ele tira quase tudo o que consome.
Porcos, melancias e ervas que sustentam a vida na ilha

A rotina gira em torno dos animais e das plantações. Ele cria três porcos pretos, alimentados com milho e folhas de batata-doce cultivados ali mesmo.
Nos arredores da casa, há galinhas, patos e gansos. Alguns são dele, outros de parentes que também usam partes da ilha.
A terra é usada ao máximo: milho, batata-doce, feijão, pimentas e capim crescem lado a lado. Em uma área específica, ele planta melancias que aparecem “escondidas” entre as folhas.
Entre os canteiros, também crescem ervas medicinais, como Polygonum multiflorum e árvores Huangbai. A ideia é transformar a ilha isolada em um espaço cada vez mais ligado à autossuficiência e à produção de remédios naturais.
A rotina de vida simples: lenha, barco e pouco sinal
O acesso é feito por um pequeno barco sem motor. Só remo. Às vezes, ele passa dois ou três dias sem sair. Em outros períodos, fica uma semana inteira dedicado à terra.
O fogão é a lenha. A madeira vem da própria ilha. A luz à noite vem de uma pequena lâmpada solar, que também carrega o celular.
O sinal quase não existe. Mesmo assim, ele assiste a vídeos de vez em quando — muitas vezes, vídeos de pessoas buscando justamente a vida simples que ele já vive.
O clima é mais fresco que na margem. No inverno, o fogo do fogão mantém o abrigo aquecido. Os sons são sempre os mesmos: água, insetos, pássaros e o barulho dos gansos.
Uma escolha que vira inspiração na internet
Antes de virar lago, a região era terra firme. Com a construção do reservatório, surgiram as ilhas. Em uma delas, há relatos de cobras. Em outra, ruínas de casas antigas.
Na maior delas, ele cultiva mais de oito mu de terra (uma medida local). Milho, bambu, ervas e pastagem formam o cenário da sua ilha isolada.
Os filhos vivem em grandes cidades, mas ele escolheu ficar. Não foi acidente. Foi decisão. Para ele, a solidão é liberdade.
Muita gente conhece esse tipo de vida simples só por vídeos na internet. Para ele, é só o dia a dia.
No fim, a ilha isolada virou mais do que um lugar. Virou um laboratório de autossuficiência — e uma prova de que, às vezes, estar longe de tudo é a forma mais direta de estar perto do que realmente importa.
[Fonte: Click Petroleo e Gas]