Durante anos, os robôs humanoides foram sinônimo de movimentos duros, lentos e pouco naturais. Mas agora, essa imagem começa a mudar. Um novo vídeo da empresa norte-americana Figure AI mostra um robô caminhando de forma incrivelmente humana — um marco na evolução da locomação robótica.
O segredo está no treinamento digital
O avanço foi possível graças ao uso de uma técnica chamada aprendizado por reforço, aliada a um ambiente virtual de simulações em larga escala. Em vez de programar cada passo, os engenheiros da Figure AI criaram milhares de robôs digitais que foram treinados em paralelo para imitar o caminhar humano.
Esses robôs virtuais recebiam recompensas por comportamentos desejáveis — como o balanço natural dos braços, o impacto do calcanhar no solo ou o impulso com a ponta do pé. As tentativas bem-sucedidas e os erros foram registrados, gerando um volume imenso de dados, equivalente a anos de experiência real, em poucos dias.
Figure 2.0: um novo patamar na locomoção robótica
Com base nessas simulações, a empresa aplicou os resultados ao modelo físico Figure 2.0, que apresentou melhorias claras na marcha. O robô passou a caminhar com passadas mais suaves e gestos mais sincronizados, aproximando-se do padrão humano.
Ainda que não seja uma reprodução perfeita, o salto qualitativo em relação às versões anteriores é evidente. A maior evolução foi percebida na forma como o calcanhar toca o chão e na elevação do pé ao avançar.
Para tornar o aprendizado mais robusto, a empresa expôs os robôs virtuais a terrenos irregulares, obstáculos inesperados e até empurrões. Isso garantiu que o modelo aprendesse a se adaptar a situações do mundo real — um desafio central da robótica.
Muito mais do que caminhar
Para a Figure AI, o objetivo não é apenas criar um robô que ande, mas sim um que caminhe com naturalidade em qualquer ambiente, da mesma forma que um ser humano. Segundo a empresa, esse é apenas o começo de um caminho promissor.
O desenvolvimento de movimentos mais naturais também tem impacto na aceitação social dos robôs. Estudos apontam que as pessoas tendem a se sentir mais confortáveis quando robôs se movem como humanos e interagem de forma empática.
Esse fator pode até reduzir a agressividade contra robôs, que já foram alvo de vandalismo em espaços públicos. A naturalidade dos movimentos gera empatia e facilita a integração entre humanos e máquinas.
Parcerias industriais e desafios futuros
A tecnologia da Figure AI chamou atenção de grandes indústrias. A empresa já firmou parceria com a BMW para testar seus robôs em uma fábrica na Carolina do Sul, nos Estados Unidos. O uso de robôs humanoides em linhas de produção pode revolucionar setores como logística, montagem e manutenção.
No entanto, desafios importantes ainda permanecem. Embora esses robôs sejam capazes de executar tarefas complexas, como saltos ou movimentos coreografados, ainda enfrentam dificuldades em ações simples para os humanos — como segurar um objeto frágil ou subir escadas com precisão.
Esse paradoxo é conhecido como Paradoxo de Moravec, que descreve como habilidades sensório-motoras básicas continuam sendo obstáculos para sistemas de IA, mesmo quando conseguem resolver problemas altamente complexos.
Fonte: Infobae