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Ciência

Um sinal durante o sono pode indicar risco maior de perda de memória, alerta estudo

Pesquisadores descobriram que um distúrbio do sono bastante comum pode estar ligado ao declínio da memória e ao aumento do risco de demência. A boa notícia é que o tratamento pode fazer diferença.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Dormir mal afeta o humor, a disposição e a concentração, mas os impactos podem ir muito além do cansaço do dia seguinte. Um novo estudo sugere que um problema frequente durante o sono pode estar associado ao funcionamento do cérebro anos antes do aparecimento de doenças neurodegenerativas. Os resultados reforçam a importância do diagnóstico precoce e mostram que tratar essa condição pode ajudar a preservar a memória ao longo da vida.

O que o estudo descobriu sobre sono e memória

Pesquisadores da Monash University, na Austrália, analisaram a saúde de 2.795 adultos entre 40 e 70 anos que participam do Australian Healthy Brain Project. Todos eram considerados cognitivamente saudáveis no início da pesquisa.

Os resultados, publicados na revista científica Alzheimer’s & Dementia, revelaram que participantes com apneia obstrutiva do sono apresentavam desempenho inferior em testes de memória quando comparados àqueles que não sofriam com o distúrbio.

Além disso, esse grupo concentrava uma frequência maior de fatores conhecidos por aumentar o risco de demência, como obesidade, hipertensão arterial e níveis elevados de colesterol.

Entretanto, um detalhe chamou a atenção dos pesquisadores.

As alterações de memória apareceram principalmente entre pessoas que conviviam com a apneia sem receber tratamento adequado.

Já os participantes que tratavam regularmente o problema tiveram resultados cognitivos semelhantes aos de indivíduos que não apresentavam a doença.

Essa diferença sugere que controlar a apneia pode contribuir para preservar o funcionamento cerebral durante o envelhecimento.

Como a apneia interfere na saúde do cérebro

Um sinal durante o sono pode indicar risco maior de perda de memória, alerta estudo
© Pexels

A apneia obstrutiva do sono provoca interrupções repetidas da respiração ao longo da noite.

Cada pausa reduz temporariamente a oxigenação do organismo e fragmenta o sono, mesmo que a pessoa nem sempre perceba esses despertares.

Com isso, o cérebro deixa de passar por etapas fundamentais para a consolidação da memória, recuperação das funções cognitivas e manutenção da saúde neuronal.

Entre os sintomas mais comuns estão roncos intensos, episódios de engasgo durante o sono, sonolência excessiva durante o dia, dificuldade de concentração e dores de cabeça ao acordar.

Segundo os pesquisadores, embora fatores cardiovasculares como pressão alta, colesterol elevado e excesso de peso contribuam para o risco de declínio cognitivo, eles não explicam completamente a associação encontrada entre apneia e pior desempenho da memória.

Isso indica que outros mecanismos biológicos ainda estão sendo investigados.

O tratamento pode fazer diferença

Os autores do estudo destacam que a apneia obstrutiva do sono é uma condição muito frequente e, ao mesmo tempo, bastante subdiagnosticada.

Muitas pessoas convivem durante anos com os sintomas sem procurar avaliação médica.

O principal exame utilizado para confirmar o diagnóstico é a polissonografia, realizada durante uma noite de sono para registrar diversos parâmetros fisiológicos, incluindo respiração, atividade cerebral e níveis de oxigênio.

O tratamento mais utilizado é o CPAP, aparelho que fornece pressão positiva contínua nas vias respiratórias para evitar o fechamento da garganta durante o sono.

Segundo o estudo, os participantes que utilizavam esse tratamento apresentaram desempenho cognitivo significativamente melhor do que aqueles que permaneciam sem tratamento.

Embora a pesquisa não prove uma relação direta de causa e efeito, os resultados sugerem que tratar precocemente a apneia pode representar uma estratégia importante para proteger o cérebro.

Hábitos saudáveis também ajudam a reduzir os riscos

Além do uso do CPAP quando indicado, especialistas recomendam mudanças no estilo de vida que podem melhorar a qualidade do sono e reduzir a gravidade da apneia.

Perder peso, limitar o consumo de bebidas alcoólicas, adotar horários regulares para dormir e praticar atividade física estão entre as principais orientações.

Em algumas situações, dispositivos orais ou procedimentos cirúrgicos também podem ser considerados, especialmente quando alterações anatômicas favorecem a obstrução das vias respiratórias.

Os pesquisadores pretendem agora investigar se o tratamento simultâneo da apneia e dos fatores de risco cardiovasculares pode reduzir as chances de desenvolvimento de demência ao longo dos anos.

Enquanto novas respostas não chegam, o estudo reforça uma mensagem importante: alterações persistentes no sono não devem ser encaradas como parte natural do envelhecimento. Identificar e tratar a apneia precocemente pode não apenas melhorar a qualidade de vida, mas também contribuir para preservar funções cognitivas essenciais, como a memória, por muito mais tempo.

[Fonte: Tiempo de San Juan]

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