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Ciência

Um visitante de outro sistema estelar revelou um segredo inesperado: cometa 3I/ATLAS mudou sua composição ao se aproximar do Sol

Observações de alta precisão mostram que o cometa interestelar 3I/ATLAS não é quimicamente estático. Ao se aproximar do Sol, sua composição mudou de forma significativa, revelando pistas sobre sua estrutura interna e sobre como objetos se formam em outros sistemas estelares.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Desde que foi detectado em julho de 2025, o cometa interestelar 3I/ATLAS intriga astrônomos. Diferente de objetos típicos do Sistema Solar, ele segue uma trajetória de escape, confirmando sua origem além da influência do Sol. Agora, novas observações mostram que ele não apenas veio de longe — mas também se transforma conforme viaja.

Um visitante incomum desde o início

Atlas Cometa (3)
© X -@defrevista

O cometa foi observado pelo Subaru Telescope, localizado no Havaí e operado pelo National Astronomical Observatory of Japan. Desde os primeiros registros, o objeto já apresentava comportamentos atípicos.

Entre eles, a formação de uma anticola — um fenômeno raro em que partículas de poeira parecem se projetar na direção oposta ao esperado, criando uma estrutura visual incomum.

Além disso, dados iniciais do James Webb Space Telescope apontaram para uma composição química pouco usual, com níveis muito elevados de dióxido de carbono em relação à água.

O que mudou após a passagem pelo Sol

O ponto mais crítico da trajetória de um cometa é o periélio — o momento em que ele passa mais próximo do Sol. No caso do 3I/ATLAS, isso ocorreu em 29 de outubro.

Após esse evento, novas observações feitas em janeiro de 2026 pela equipe liderada por Yoshiharu Shinnaka revelaram uma mudança importante: a proporção de dióxido de carbono diminuiu em relação às medições anteriores.

Embora o composto ainda estivesse presente em níveis elevados, o equilíbrio químico passou a se assemelhar mais ao observado em 2I/Borisov, outro visitante interestelar estudado anteriormente.

O que isso revela sobre o interior do cometa

Essa mudança sugere que o cometa não é homogêneo. Em vez disso, sua composição varia conforme a profundidade.

Antes do periélio, as camadas superficiais — ricas em dióxido de carbono — dominavam as observações. Mas, à medida que o calor solar aumentou, materiais mais profundos começaram a ser liberados.

Essas camadas internas parecem conter maior quantidade de água, o que alterou a composição geral detectada pelos telescópios.

Um objeto “modificado” pelo espaço

De Donde Viene Atlas
© University of Hawaii/NASA

Os cientistas também levantam outra hipótese interessante: a superfície do cometa pode ter sido quimicamente alterada ao longo de milhões de anos pela exposição a raios cósmicos.

Esse processo poderia ter criado uma espécie de “crosta” rica em dióxido de carbono, mascarando a composição original do objeto até que o calor do Sol expusesse suas camadas internas.

Por que isso importa para a ciência

O estudo, aceito para publicação na The Astronomical Journal, abre uma nova janela para entender como objetos se formam em outros sistemas estelares.

Cometas interestelares como o 3I/ATLAS funcionam como cápsulas do tempo, carregando informações sobre ambientes que não podemos observar diretamente.

O começo de uma nova era de descobertas

Segundo os pesquisadores, esse tipo de descoberta tende a se tornar mais comum nos próximos anos. Com o avanço de telescópios de rastreamento em larga escala, a expectativa é identificar cada vez mais objetos vindos de fora do Sistema Solar.

Cada novo visitante traz consigo uma oportunidade única: observar, quase em tempo real, os processos que moldam o universo além do nosso próprio “bairro cósmico”.

E, como mostra o 3I/ATLAS, esses objetos ainda podem nos surpreender — não apenas por sua origem, mas pelas transformações que revelam ao longo do caminho.

 

[ Fonte: El Confidencial ]

 

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