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Uma discussão que terminou em feminicídio reacende o alerta para uma realidade cada vez mais comum no Brasil

O caso, ocorrido em Guarulhos, não é isolado e faz parte de um cenário alarmante: o crescimento contínuo dos assassinatos de mulheres por seus companheiros ou ex-companheiros.
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Tempo de leitura: 2 minutos

O fim de um relacionamento, que deveria marcar um recomeço individual, tem se tornado o estopim para tragédias anunciadas. Um caso recente em São Paulo trouxe à tona, mais uma vez, o perigo que muitas mulheres enfrentam ao decidir romper laços afetivos. O feminicídio cometido em Guarulhos reflete uma estatística que cresce em ritmo preocupante em todo o país.

O crime que chocou Guarulhos

Na manhã de terça-feira (5), em Vila Galvão, bairro da cidade de Guarulhos, um homem de 69 anos assassinou a companheira após uma discussão motivada pelo fim do relacionamento. A vítima foi baleada e morreu ainda no local, segundo confirmou a equipe do Samu.

O autor do crime não tentou fugir e confessou à Polícia Militar ter cometido o assassinato. Ele usou um revólver calibre .38, apreendido para perícia. A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Guarulhos registrou o caso como feminicídio.

O retrato da violência em São Paulo e no Brasil

A capital paulista já registrou 29 feminicídios entre janeiro e maio deste ano — o maior número para um primeiro semestre desde que a tipificação do crime foi criada, em 2015. No mesmo período do ano passado, foram 25 casos. Em todo o ano de 2024, São Paulo contabilizou 51 ocorrências.

Em escala nacional, os dados são ainda mais alarmantes. O Brasil alcançou o recorde de feminicídios desde a criação da lei, com 1.459 vítimas em 2024. A média é de quatro mulheres mortas por dia, conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

As estatísticas revelam um padrão cruel: 63,6% das vítimas são mulheres negras, e 70,5% têm entre 18 e 44 anos. Em quase 80% dos casos, os autores são companheiros ou ex-companheiros — e 97% dos agressores são homens.

A brutalidade desses números mostra que a violência de gênero permanece enraizada em dinâmicas de poder, controle e desigualdade. E que, para muitas mulheres, o maior perigo pode estar dentro de casa.

[Fonte: CNN Brasil]

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