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Tecnologia

Uma nova etiqueta do Spotify promete revelar quem está por trás de certos artistas

A inteligência artificial criou um novo tipo de artista e também um problema para quem tenta descobrir quem está realmente por trás das músicas. O Spotify decidiu reagir.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Você encontra uma música no Spotify, gosta do som, abre o perfil do artista e começa a explorar sua carreira. Fotos, nome, identidade visual, tudo parece indicar que existe uma pessoa ou banda por trás daquele projeto. Só depois vem a surpresa: aquele artista nunca existiu como ser humano. Com identidades musicais criadas por inteligência artificial ganhando espaço, o Spotify prepara uma mudança para tornar essa diferença muito mais evidente.

Uma nova etiqueta começará a aparecer no Spotify

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© Pexels

A partir de meados de setembro, alguns perfis deverão receber uma identificação chamada “AI Persona”.

A etiqueta servirá para informar que a identidade pública daquele artista foi criada por meio de inteligência artificial. Ela poderá aparecer em diferentes áreas da plataforma, incluindo páginas de artistas, playlists e resultados das buscas.

A decisão tenta responder a uma situação cada vez mais comum: ouvintes descobrirem uma música, pesquisarem sobre quem a produziu e só posteriormente perceberem que o suposto artista apresentado pelo perfil não corresponde a uma pessoa ou grupo convencional.

Não se trata necessariamente de determinar se cada nota, voz ou instrumento de determinada música foi produzido com inteligência artificial. O foco da nova classificação está na própria identidade artística, ou seja, em projetos apresentados ao público por meio de uma persona criada artificialmente.

Inicialmente, o Spotify pretende concentrar a aplicação da ferramenta nos projetos que já alcançaram determinados níveis de audiência. Dessa maneira, a empresa espera identificar primeiro as personas de IA com maior probabilidade de serem encontradas por um número significativo de usuários.

Mas existe uma questão inevitável: quem decidirá se um artista merece receber essa classificação?

O próprio responsável poderá admitir que seu artista não existe

Uma das maneiras de receber a etiqueta será bastante direta.

O responsável por um perfil poderá informar voluntariamente ao Spotify que aquela identidade foi criada utilizando inteligência artificial. Nesse caso, a origem da classificação ficará disponível para os usuários.

A plataforma, entretanto, não dependerá exclusivamente da boa vontade dos criadores.

O Spotify também pretende realizar revisões quando encontrar perfis cuja identidade pública apresente características capazes de indicar uma possível criação artificial. Caso a análise leve à aplicação da etiqueta, os usuários poderão saber que a decisão partiu da própria plataforma.

Essa distinção é importante porque deixa mais transparente a origem da identificação. Será possível diferenciar um projeto que se declarou voluntariamente como uma persona de IA daquele que recebeu a classificação após uma revisão do Spotify.

Também haverá um mecanismo para contestar decisões. Se o responsável considerar que seu perfil foi classificado incorretamente, poderá apresentar uma apelação.

A etiqueta, porém, não será apenas um pequeno aviso visual escondido no perfil. O verdadeiro impacto estará no algoritmo.

Artistas classificados como “AI Persona” perderão alcance

Por padrão, músicas associadas às AI Personas ficarão fora das recomendações editoriais e algorítmicas do Spotify.

Na prática, isso pode reduzir consideravelmente a exposição desses projetos.

Boa parte das descobertas musicais dentro do serviço acontece por meio de playlists, rádios, sugestões automáticas e sistemas personalizados que apresentam músicas com base nos hábitos de cada ouvinte. Ficar de fora desses mecanismos significa perder uma das principais vitrines oferecidas pela plataforma.

Segundo o Spotify, sua programação pretende priorizar músicas produzidas por artistas autênticos que estejam desenvolvendo uma trajetória profissional dentro da indústria.

A decisão cria, portanto, uma fronteira mais explícita entre artistas convencionais e identidades inteiramente construídas com auxílio de inteligência artificial.

Até agora, uma das principais referências para avaliar a autenticidade de determinados perfis eram os mecanismos de verificação disponíveis na plataforma. A explosão das ferramentas generativas, porém, tornou o cenário mais complicado.

Criar nome, fotografia, biografia, identidade visual e até um catálogo musical para um artista inexistente está cada vez mais acessível. E alguns desses projetos já conseguem conquistar audiências consideráveis.

Um grupo com milhares de ouvintes mostra o tamanho do fenômeno

O próprio Spotify cita The Velvet Sundown como exemplo dessa nova realidade.

O projeto se apresenta publicamente como baseado em inteligência artificial e já supera os 117 mil ouvintes mensais na plataforma. O número ajuda a demonstrar que artistas virtuais não são necessariamente experiências escondidas em algum canto da internet.

Eles podem alcançar milhares de pessoas e disputar atenção dentro dos mesmos ambientes utilizados por músicos humanos.

E o sistema ainda deve evoluir.

Nos próximos meses, o Spotify pretende acrescentar uma ferramenta para que os próprios usuários possam denunciar perfis que acreditam representar uma “AI Persona”. Essas sinalizações poderão ajudar a plataforma a identificar casos que mereçam revisão.

A mudança surge em um momento no qual a indústria musical tenta descobrir como conviver com a inteligência artificial sem transformar cada lançamento em um exercício de investigação.

Para o ouvinte, a promessa é relativamente simples: saber com maior clareza quem, ou o quê, está por trás da música que acabou de entrar nos fones.

Para os criadores de artistas artificiais, porém, aquela pequena etiqueta poderá ter consequências muito maiores. Afinal, no Spotify, aparecer menos para o algoritmo pode significar ser ouvido por muito menos gente.

[Fonte: colombia]

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