Um movimento repentino em uma mina africana atraiu os olhos do setor de mineração global. O governo do Mali realizou uma apreensão bilionária de ouro em uma das minas operadas pela gigante Barrick, agravando uma disputa que já vinha se arrastando há meses. O destino do metal é incerto, e a crise se aprofunda.
Helicópteros, ouro e uma ação sem aviso

Helicópteros militares do governo do Mali pousaram inesperadamente na mina de Loulo-Gounkoto, da mineradora canadense Barrick, e levaram consigo mais de uma tonelada métrica de ouro — aproximadamente 2.204 libras. O episódio ocorreu sem qualquer notificação prévia e representa a mais recente escalada de uma longa tensão entre as autoridades do país africano e a empresa.
A Barrick declarou que o ouro pode ter sido levado para fins de venda pela administração provisória do complexo, mas ressaltou que essa informação ainda não está confirmada. Avaliado em cerca de US$ 117 milhões, o montante apreendido se soma a outras três toneladas métricas que haviam sido retidas pelo Mali em janeiro deste ano. A mineradora afirma não ter recebido qualquer explicação sobre o destino do material.
Um conflito alimentado por leis, impostos e poder

A origem da disputa remonta a 2023, quando o regime militar do Mali, em busca de recursos financeiros, exigiu o pagamento de supostos impostos atrasados e impôs uma nova legislação de mineração. Essa nova norma prevê maiores royalties e maior participação do Estado em empreendimentos conjuntos com estrangeiros.
Enquanto outras companhias — como Allied Gold Corp. e B2Gold Corp. — aceitaram os termos do novo modelo, a Barrick resistiu. Em resposta, o governo bloqueou exportações, deteve funcionários e assumiu o controle provisório da operação em junho.
Apesar das tensões, a Barrick continua tentando negociar uma saída para o impasse, ao mesmo tempo em que recorre à arbitragem internacional. A empresa declarou que a primeira audiência está prevista para o fim de julho e que não pretende abandonar o país. Segundo o CEO Mark Bristow, a companhia busca uma solução dentro dos canais legais acordados nas convenções assinadas com o próprio governo do Mali.
[Fonte: Infomoney]