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Trump diz que China usa Venezuela para enviar fentanilo aos EUA e anuncia nova fase militar contra cartéis

Donald Trump acusou publicamente o regime chinês de utilizar rotas que passam por Venezuela para introduzir fentanil nos Estados Unidos e anunciou que a campanha contra o narcotráfico passou a uma “nova fase”, com ações terrestres a caminho. Autoridades do Pentágono reforçaram uma retórica militarizada, enquanto analistas e reportagens apontam lacunas nas alegações oficiais.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Em entrevista recente, o presidente dos Estados Unidos ligou Beijing e Caracas ao tráfico de fentanil rumo ao mercado americano e prometeu ampliar operações além do mar Caribe — incluindo investidas por terra contra cartéis. A retórica dura do governo, que agora compara redes de narcotráfico a grupos terroristas, reacende debates sobre legalidade, eficácia e riscos geopolíticos na região.

O que Trump afirmou

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© X-@europapress

Na coletiva, Trump disse que “o regime de China” estaria usando a Venezuela como rota para contornar controles portuários dos EUA e introduzir fentanil no país, e anunciou que a campanha naval já reduziu o uso de rotas marítimas, por isso “a terra será o próximo passo”. O presidente também disse que, se necessário, informará o Congresso sobre planos de intervenção e celebrou números de prisões e apreensões atribuídos ao seu governo.

A administração descreveu uma série de operações navais no Caribe e no Pacífico, algumas das quais terminaram em ataques a embarcações que as autoridades classificaram como envolvidas no tráfico. Uma reportagem recente documentou ao menos um episódio em que sobreviventes de um ataque a um barco foram devolvidos a países da região para serem processados, ressaltando a escala e a natureza letal de algumas ações.

A retórica do Pentágono

Altos funcionários do Departamento de Defesa fizeram eco à linha do presidente. O secretário de Defesa e outros assessores têm falado em “tratar cartéis como ameaças terroristas” e em empregar meios militares para mapear, caçar e eliminar redes criminosas, usando termos que lembram campanhas antiterroristas. Essa abordagem — que mistura ação policial, inteligência e emprego de forças armadas — marca uma mudança clara no discurso oficial.

Dúvidas e críticas jornalísticas

Veículos investigativos e reportagens locais levantaram questionamentos sobre algumas das alegações presidenciais. Investigações e entrevistas com autoridades e moradores sugerem que nem todas as rotas e embarcações atacadas estavam, de fato, carregando fentanil com destino aos EUA; em vários casos, cargas apontadas eram de cocaína ou maconha e rotas tinham como destino outros países ou continentes. Especialistas apontam que a conexão direta entre o Estado chinês e um esquema de envio de fentanil via Venezuela não está comprovada publicamente até o momento.

Contexto mais amplo e ações relacionadas

No mesmo período, imprensa internacional registrou prisões e recapturas de suspeitos envolvidos no tráfico de fentanil em vários países da região, incluindo a detenção em Cuba de um homem apontado por autoridades como ligado a uma grande rede de tráfico — episódio que o governo dos EUA usou para reforçar suas alegações sobre cadeias globais de fornecimento. Ainda assim, vínculos estatais diretos entre governos estrangeiros e o tráfico seguem sendo matéria de investigação.

O que muda na prática

Transformar a luta antidrogas em uma campanha com componentes militares amplia riscos diplomáticos e legais: operações terrestres em ou a partir de territórios estrangeiros, mesmo quando motivadas por combate ao crime, tendem a provocar protestos regionais e levantam questões sobre soberania e provas — além de potenciais danos colaterais. Para aliados e países vizinhos, a clareza sobre inteligência, mandatos e limites será decisiva para evitar escaladas indesejadas.

 

[ Fonte: Infobae ]

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