Durante anos, comprar um Mac significou, para muitos usuários, também ganhar uma camada extra de tranquilidade contra vírus e outras ameaças digitais. O macOS possui diferentes mecanismos internos de proteção e historicamente foi visto como um alvo menos frequente que o Windows. Mas o cenário mudou. Uma pesquisa da Kaspersky indica que usuários de computadores da Apple podem estar enfrentando alguns tipos de incidentes com frequência surpreendentemente alta.
A diferença entre Mac e Windows apareceu onde poucos esperariam

A pesquisa analisou experiências de usuários de macOS e Windows diante de diferentes ameaças digitais, incluindo malware, phishing, golpes financeiros e roubo de informações pessoais.
Um dos números que mais chamam atenção está justamente nas infecções por malware.
Segundo os dados apresentados pela Kaspersky, 12% dos usuários de macOS consultados afirmaram ter enfrentado uma infecção por malware durante o último ano. Entre usuários de Windows, o percentual foi de 9%.
É uma diferença especialmente curiosa considerando a reputação histórica dos dois sistemas operacionais.
Durante décadas, o Windows foi associado a uma quantidade muito maior de vírus e programas maliciosos, em parte devido à sua enorme participação no mercado de computadores pessoais. Atacar a plataforma da Microsoft significava atingir potencialmente um número muito maior de vítimas.
Mas o comportamento dos criminosos digitais evoluiu.
Ao mesmo tempo, existe outro dado que pode ajudar a explicar parte da diferença observada pela pesquisa: usuários de Mac também aparecem menos propensos a utilizar ferramentas adicionais de proteção.
Apenas 35% dos proprietários de Macs entrevistados disseram utilizar uma solução de cibersegurança. No Windows, o índice chega a 42%.
E malware não foi a única categoria em que os números surpreenderam.
Phishing, golpes e roubo de dados também aparecem no levantamento
Entre usuários de macOS, 12% relataram ter sido afetados por phishing, contra 9% entre aqueles que utilizam Windows.
Nos golpes relacionados a investimentos, a diferença também apareceu. O percentual chegou a 16% entre usuários de Mac e ficou em 13% no Windows.
Problemas envolvendo privacidade foram mencionados por 11% dos usuários de macOS, enquanto entre os usuários de Windows a proporção foi de 8%.
Já no roubo de dados pessoais, a distância ficou ainda maior: 12% contra 7%, respectivamente.
Esses números ajudam a revelar uma transformação importante na cibersegurança.
Muitos ataques modernos não precisam explorar diretamente uma vulnerabilidade específica do sistema operacional. Um e-mail falso, uma página de login fraudulenta ou uma mensagem enviada por um criminoso pode funcionar independentemente de a vítima utilizar macOS, Windows, Android ou iOS.
Isso significa que possuir um sistema considerado tecnicamente seguro não elimina um dos principais pontos explorados pelos criminosos: o próprio usuário.
E a pesquisa encontrou diferenças justamente nos hábitos de prevenção.
Usuários de Windows parecem adotar mais algumas precauções
Segundo o levantamento, 62% dos usuários de Windows afirmaram evitar abrir e-mails ou links considerados suspeitos.
Entre os usuários de macOS, essa prática foi mencionada por 51%.
A pesquisa também identificou maior adoção, entre usuários de Windows, de medidas como senhas diferentes para cada serviço, combinações mais complexas e autenticação em dois ou múltiplos fatores.
Isso não significa que um sistema seja automaticamente mais seguro que o outro. Os números medem experiências e comportamentos relatados pelos participantes da pesquisa, e não apenas vulnerabilidades técnicas das plataformas.
Ainda assim, os resultados colocam em dúvida uma ideia bastante difundida: a de que possuir um Mac seria suficiente para deixar preocupações com segurança em segundo plano.
Para Leandro Cuozzo, analista de segurança do Equipo Global de Investigación y Análisis da Kaspersky para a América Latina, os objetivos dos criminosos também ajudam a entender esse novo cenário.
Hoje, o alvo mais valioso nem sempre é o computador.
O criminoso pode estar interessado em você, não no sistema operacional
Contas bancárias, credenciais de serviços digitais, documentos, informações financeiras e identidades online possuem valor independentemente do dispositivo utilizado para acessá-los.
Essa mudança ajuda a explicar por que ataques de engenharia social e phishing se tornaram tão relevantes.
Um criminoso não precisa necessariamente desenvolver um malware extremamente sofisticado para macOS se conseguir convencer alguém a fornecer voluntariamente sua senha em uma página falsa.
Da mesma maneira, uma vítima pode instalar um programa malicioso acreditando estar baixando um aplicativo legítimo.
Por isso, a recomendação é combinar as proteções oferecidas pelo próprio sistema com hábitos básicos de segurança digital.
Verificar endereços antes de clicar, desconfiar de arquivos inesperados, manter o sistema operacional atualizado e ativar autenticação multifator são algumas das medidas recomendadas.
Também é importante utilizar senhas diferentes em cada serviço. Assim, o vazamento de uma credencial não oferece automaticamente acesso a várias contas.
A conclusão mais importante do estudo talvez não seja que Macs tenham se tornado simplesmente “menos seguros” que computadores Windows. A comparação é mais complexa do que isso.
O alerta está em outro ponto: nenhum logotipo na tampa do notebook funciona como escudo absoluto.
Quando o objetivo do criminoso é chegar às informações da pessoa atrás da tela, o sistema operacional pode ser apenas uma parte da equação.
[Fonte: Biobiochile]