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Tecnologia

Usuários de Mac confiam na segurança de seus computadores, mas um estudo encontrou um resultado que contraria essa fama

Macs carregam há anos uma reputação de maior segurança digital. Uma pesquisa recente, porém, encontrou diferenças inesperadas no comportamento e nos ataques sofridos por seus usuários.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Durante anos, comprar um Mac significou, para muitos usuários, também ganhar uma camada extra de tranquilidade contra vírus e outras ameaças digitais. O macOS possui diferentes mecanismos internos de proteção e historicamente foi visto como um alvo menos frequente que o Windows. Mas o cenário mudou. Uma pesquisa da Kaspersky indica que usuários de computadores da Apple podem estar enfrentando alguns tipos de incidentes com frequência surpreendentemente alta.

A diferença entre Mac e Windows apareceu onde poucos esperariam

Usuários de Mac confiam na segurança de seus computadores, mas um estudo encontrou um resultado que contraria essa fama
© Pexels

A pesquisa analisou experiências de usuários de macOS e Windows diante de diferentes ameaças digitais, incluindo malware, phishing, golpes financeiros e roubo de informações pessoais.

Um dos números que mais chamam atenção está justamente nas infecções por malware.

Segundo os dados apresentados pela Kaspersky, 12% dos usuários de macOS consultados afirmaram ter enfrentado uma infecção por malware durante o último ano. Entre usuários de Windows, o percentual foi de 9%.

É uma diferença especialmente curiosa considerando a reputação histórica dos dois sistemas operacionais.

Durante décadas, o Windows foi associado a uma quantidade muito maior de vírus e programas maliciosos, em parte devido à sua enorme participação no mercado de computadores pessoais. Atacar a plataforma da Microsoft significava atingir potencialmente um número muito maior de vítimas.

Mas o comportamento dos criminosos digitais evoluiu.

Ao mesmo tempo, existe outro dado que pode ajudar a explicar parte da diferença observada pela pesquisa: usuários de Mac também aparecem menos propensos a utilizar ferramentas adicionais de proteção.

Apenas 35% dos proprietários de Macs entrevistados disseram utilizar uma solução de cibersegurança. No Windows, o índice chega a 42%.

E malware não foi a única categoria em que os números surpreenderam.

Phishing, golpes e roubo de dados também aparecem no levantamento

Entre usuários de macOS, 12% relataram ter sido afetados por phishing, contra 9% entre aqueles que utilizam Windows.

Nos golpes relacionados a investimentos, a diferença também apareceu. O percentual chegou a 16% entre usuários de Mac e ficou em 13% no Windows.

Problemas envolvendo privacidade foram mencionados por 11% dos usuários de macOS, enquanto entre os usuários de Windows a proporção foi de 8%.

Já no roubo de dados pessoais, a distância ficou ainda maior: 12% contra 7%, respectivamente.

Esses números ajudam a revelar uma transformação importante na cibersegurança.

Muitos ataques modernos não precisam explorar diretamente uma vulnerabilidade específica do sistema operacional. Um e-mail falso, uma página de login fraudulenta ou uma mensagem enviada por um criminoso pode funcionar independentemente de a vítima utilizar macOS, Windows, Android ou iOS.

Isso significa que possuir um sistema considerado tecnicamente seguro não elimina um dos principais pontos explorados pelos criminosos: o próprio usuário.

E a pesquisa encontrou diferenças justamente nos hábitos de prevenção.

Usuários de Windows parecem adotar mais algumas precauções

Segundo o levantamento, 62% dos usuários de Windows afirmaram evitar abrir e-mails ou links considerados suspeitos.

Entre os usuários de macOS, essa prática foi mencionada por 51%.

A pesquisa também identificou maior adoção, entre usuários de Windows, de medidas como senhas diferentes para cada serviço, combinações mais complexas e autenticação em dois ou múltiplos fatores.

Isso não significa que um sistema seja automaticamente mais seguro que o outro. Os números medem experiências e comportamentos relatados pelos participantes da pesquisa, e não apenas vulnerabilidades técnicas das plataformas.

Ainda assim, os resultados colocam em dúvida uma ideia bastante difundida: a de que possuir um Mac seria suficiente para deixar preocupações com segurança em segundo plano.

Para Leandro Cuozzo, analista de segurança do Equipo Global de Investigación y Análisis da Kaspersky para a América Latina, os objetivos dos criminosos também ajudam a entender esse novo cenário.

Hoje, o alvo mais valioso nem sempre é o computador.

O criminoso pode estar interessado em você, não no sistema operacional

Contas bancárias, credenciais de serviços digitais, documentos, informações financeiras e identidades online possuem valor independentemente do dispositivo utilizado para acessá-los.

Essa mudança ajuda a explicar por que ataques de engenharia social e phishing se tornaram tão relevantes.

Um criminoso não precisa necessariamente desenvolver um malware extremamente sofisticado para macOS se conseguir convencer alguém a fornecer voluntariamente sua senha em uma página falsa.

Da mesma maneira, uma vítima pode instalar um programa malicioso acreditando estar baixando um aplicativo legítimo.

Por isso, a recomendação é combinar as proteções oferecidas pelo próprio sistema com hábitos básicos de segurança digital.

Verificar endereços antes de clicar, desconfiar de arquivos inesperados, manter o sistema operacional atualizado e ativar autenticação multifator são algumas das medidas recomendadas.

Também é importante utilizar senhas diferentes em cada serviço. Assim, o vazamento de uma credencial não oferece automaticamente acesso a várias contas.

A conclusão mais importante do estudo talvez não seja que Macs tenham se tornado simplesmente “menos seguros” que computadores Windows. A comparação é mais complexa do que isso.

O alerta está em outro ponto: nenhum logotipo na tampa do notebook funciona como escudo absoluto.

Quando o objetivo do criminoso é chegar às informações da pessoa atrás da tela, o sistema operacional pode ser apenas uma parte da equação.

[Fonte: Biobiochile]

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