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Tecnologia

A IA está mudando a mineração e pode abrir uma porta que ficou estreita por décadas

Sensores, automação, inteligência artificial e máquinas autônomas estão transformando uma das indústrias mais tradicionais do mundo e criando espaço para novos perfis profissionais.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante décadas, trabalhar em mineração esteve associado principalmente a atividades físicas, máquinas pesadas e longos períodos dentro das operações. Esse cenário está mudando rapidamente. Inteligência artificial, sensores, análise de dados e equipamentos autônomos começam a ocupar funções importantes nas minas. No Peru, essa transformação tecnológica também pode acelerar outra mudança que avança lentamente: aumentar a presença feminina em um setor ainda predominantemente masculino.

A mineração de 2030 será muito diferente

A IA está mudando a mineração e pode abrir uma porta que ficou estreita por décadas
© Tom Fisk – Pexels

Uma mina moderna já pode contar com sensores conectados, Internet das Coisas (IoT), inteligência artificial, veículos autônomos e até gêmeos digitais capazes de reproduzir virtualmente partes de uma operação.

Essa transformação tende a ganhar velocidade nos próximos anos. Dados apresentados durante um encontro pelos dez anos da Women in Mining Perú (WIM Perú) indicam que 66% dos empregadores do setor esperam uma revolução tecnológica e digital na mineração até 2030.

Na América Latina, a dimensão da mudança pode ser ainda maior: estima-se que 57% das horas atualmente trabalhadas possam ser automatizadas. Isso não significa necessariamente que mais da metade dos empregos desaparecerá. Tarefas podem ser automatizadas enquanto os profissionais passam a assumir outras funções.

É justamente nesse ponto que surge uma oportunidade.

A transformação digital exige pessoas capazes de identificar problemas dentro de uma mina, interpretar informações e descobrir como ferramentas tecnológicas podem melhorar produtividade, segurança ou eficiência.

E esses profissionais não precisam necessariamente ser programadores.

A tecnologia pode mudar quem trabalha dentro das minas

A IA está mudando a mineração e pode abrir uma porta que ficou estreita por décadas
© Lucio Patone – Unsplash

A presença feminina na mineração peruana vem crescendo, embora continue relativamente pequena.

Segundo números apresentados pela WIM Perú, a participação das mulheres no regime geral de mineração passou de 7,5% em 2021 para 10,7% em 2024. Atualmente, cerca de 20 mil mulheres trabalham no setor, conforme os dados citados pela organização.

O problema aparece quando se observa onde essas profissionais estão.

Entre 2021 e 2024, a participação feminina chegou a 23% nas áreas administrativas e 14% nos cargos gerenciais, enquanto sua presença em funções técnicas e operacionais permaneceu menor.

Automação e digitalização podem alterar justamente essa distribuição.

Cinco habilidades podem fazer diferença

Nesse novo cenário, algumas competências ganham importância. A primeira é a alfabetização digital, que envolve compreender ferramentas digitais e utilizar inteligência artificial de maneira crítica.

A segunda é a análise de dados. Minas produzem enormes volumes de informações provenientes de máquinas, sensores, veículos e sistemas de monitoramento. Transformar esses dados em decisões passa a ser uma habilidade valiosa.

Também cresce a importância do pensamento analítico e da resolução de problemas. Saber utilizar uma ferramenta de IA é diferente de entender qual problema deve ser resolvido e avaliar se a resposta apresentada realmente faz sentido.

A quarta competência é a adaptabilidade. Tecnologias, processos e funções profissionais estão mudando rapidamente, tornando a capacidade de aprender continuamente parte do próprio trabalho.

Por último aparecem as habilidades humanas, como comunicação, colaboração e liderança. Paradoxalmente, quanto mais IA entra nas empresas, mais determinadas competências humanas podem ganhar valor. O AI Jobs Barometer 2026 da PwC aponta justamente aumento da importância de capacidades como liderança, criatividade e tomada de decisões.

Não é preciso abandonar geologia ou engenharia

A IA está mudando a mineração e pode abrir uma porta que ficou estreita por décadas
© Rajesh Ram – Pexels

Talvez a mudança mais interessante seja justamente essa.

A mineração digital não precisa apenas de especialistas em inteligência artificial. Profissionais formados em engenharia de minas, geologia, economia, finanças ou áreas ambientais podem combinar seus conhecimentos tradicionais com novas ferramentas tecnológicas.

Uma geóloga que entende IA continua precisando conhecer geologia. Um engenheiro continua dependendo de conhecimentos sobre a operação. A tecnologia acrescenta uma nova camada às profissões existentes.

Para as mulheres, isso pode representar novas portas de entrada em áreas técnicas nas quais historicamente tiveram participação reduzida.

A IA não elimina as antigas barreiras

Existe, porém, uma diferença importante entre criar novas funções e garantir igualdade de oportunidades.

Tecnologia, sozinha, não resolve problemas como acesso desigual a cargos de liderança, condições de trabalho, regimes de turnos ou barreiras culturais.

A IA pode transformar o tipo de profissional que uma mina procura. Mas quem ocupará esses novos postos dependerá também de formação, políticas das empresas e acesso às oportunidades.

E é justamente aí que a revolução tecnológica da mineração pode produzir seu efeito mais interessante: não apenas mudar como uma mina funciona, mas também ampliar quem pode construir a mineração das próximas décadas.

[Fonte: especial]

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