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Ciência

Voar pode gastar menos energia que nadar quando as aves aproveitam o ar

Estudo com aves e morcegos mostra que correntes atmosféricas reduzem o gasto energético do voo. O resultado desafia comparações tradicionais baseadas principalmente em medições de laboratório.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Um condor-dos-andes e um cisne-trombeteiro podem pesar aproximadamente 11 quilos, mas seus gastos para percorrer a mesma distância são muito diferentes. Enquanto o cisne bate as asas quase continuamente, o condor aproveita o ar ascendente para ganhar altura. Um estudo publicado na Science mostra que essa diferença muda a comparação entre formas de locomoção: em condições favoráveis, planar pode exigir menos energia que nadar.

O céu também fornece energia

“sexto Sentido” Das Aves
© FreePik

A classificação tradicional coloca a natação como a forma mais econômica de deslocamento animal, seguida pelo voo e pela corrida. Essa ordem deriva principalmente de experimentos realizados em ambientes controlados.

Na natureza, porém, os animais encontram condições que os laboratórios nem sempre reproduzem. Ventos e correntes ascendentes podem fornecer parte da energia necessária para o deslocamento.

Segundo o Instituto Max Planck de Comportamento Animal, que liderou a pesquisa com a Universidade de Swansea, o custo de transporte do condor foi 79% menor que o do cisne na comparação apresentada.

O resultado se refere à energia necessária para percorrer uma distância. Ele não significa que qualquer voo seja mais eficiente que qualquer deslocamento na água. A estratégia da espécie e as condições atmosféricas fazem diferença.

Como os pesquisadores acompanharam os animais

A investigação reuniu 17 anos de registros de GPS e acelerômetros de 850 indivíduos, pertencentes a 38 espécies de aves e morcegos. Outros quatro anos de dados de radar ampliaram a observação de animais voadores menores.

Uma equipe internacional de 68 pesquisadores contribuiu para o trabalho. Entre os participantes estavam cientistas do Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha, além de outras instituições.

Os acelerômetros permitiram distinguir períodos de batimento de asas daqueles em que os animais planavam. Os trajetos registrados pelo GPS foram relacionados às condições do ar encontradas durante os deslocamentos.

Com essa combinação, os pesquisadores estimaram o gasto por unidade de distância em situações reais. Portanto, o estudo vai além de comparar animais pelo peso: considera também como eles utilizam o ambiente.

A economia dos grandes planadores tem um preço

As aves necrófagas planadoras oferecem um exemplo expressivo. Sete espécies analisadas acumularam mais de 4,3 milhões de quilômetros de deslocamentos, batendo as asas em apenas 0,1% a 7% do tempo de voo.

Conforme a Universidade de Swansea explica os resultados, essas aves aproveitam correntes ascendentes para reduzir o esforço muscular. Entre os planadores, espécies maiores geralmente bateram menos as asas e apresentaram menor custo de transporte.

Essa vantagem, entretanto, depende da disponibilidade de condições adequadas. As maiores aves planadoras ficaram mais limitadas em relação aos lugares e momentos em que podiam voar.

Já as espécies que dependem do batimento de asas conseguem lidar com condições mais variadas, embora precisem gastar mais energia para isso.

Mudanças no vento podem alterar as viagens

Quando uma flecha revelou o segredo das aves migratórias
© Pexels

Para aves que batem as asas, o vento pode ajudar ou dificultar o deslocamento. Correntes favoráveis reduzem o esforço para avançar, enquanto ventos contrários aumentam o custo da viagem.

Essa relação tem implicações para a conservação. Alterações nos ventos e nas correntes ascendentes podem modificar rotas migratórias, distribuição geográfica e uso do território.

O estudo publicado na Science oferece um modelo para investigar essas mudanças. A atmosfera passa a ser considerada um recurso que influencia diretamente as possibilidades de movimento.

Os autores também pretendem aperfeiçoar as estimativas com medições fisiológicas, como frequência cardíaca. Isso permitirá incorporar diferenças entre indivíduos e compreender melhor quanto custa viajar em um ambiente que está sempre mudando.

 

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