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Ciência

Você sabia que pode pagar para uma tempestade receber seu nome? Entenda como funciona

Os nomes das tempestades seguem regras internacionais, mas existe uma iniciativa que permite a pessoas comuns participar dessa escolha. Entenda como funciona e quais são as limitações.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Katrina, Sandy, Filomena. Alguns nomes ficaram conhecidos no mundo inteiro não por pertencerem a celebridades, mas por identificarem fenômenos meteorológicos que marcaram a história. Sempre que uma tempestade ganha destaque, seu nome aparece em alertas, notícias e conversas. Mas quem decide como esses fenômenos serão chamados? A resposta envolve organizações internacionais, tradições antigas e até um programa que permite colocar o próprio nome em um sistema atmosférico.

Por que as tempestades recebem nomes de pessoas?

Dar nomes a fenômenos meteorológicos não é apenas uma tradição curiosa.

O principal objetivo é facilitar a identificação de tempestades e melhorar a comunicação entre serviços meteorológicos, autoridades e população.

Imagine duas ou três tempestades atingindo diferentes regiões durante o mesmo período.

Sem nomes específicos, os alertas poderiam se tornar confusos, dificultando a compreensão dos riscos associados a cada fenômeno.

Quando uma tempestade recebe uma identificação clara, fica mais fácil acompanhar sua trajetória, compartilhar informações e divulgar recomendações de segurança.

Entretanto, não existe uma única organização responsável por nomear todas as tempestades do planeta.

As regras variam conforme a região, o tipo de fenômeno e os acordos estabelecidos entre os serviços meteorológicos.

Furacões no Atlântico, tempestades de alto impacto na Europa e sistemas de pressão atmosférica podem seguir procedimentos completamente diferentes.

E é justamente em um desses sistemas que aparece uma possibilidade pouco conhecida: qualquer pessoa pode solicitar que um fenômeno atmosférico receba um nome escolhido por ela.

Na Alemanha, é possível pagar para batizar um sistema meteorológico

A tradição começou em 1954, quando o Instituto de Meteorologia da Universidade Livre de Berlim passou a atribuir nomes a sistemas de alta e baixa pressão atmosférica.

Décadas depois, essa prática deu origem ao programa Wetterpate, conhecido internacionalmente como Adopt a Vortex.

A iniciativa permite que pessoas interessadas proponham nomes para determinados sistemas atmosféricos mediante uma contribuição financeira.

O processo segue regras específicas.

Os nomes são organizados alfabeticamente, e a atribuição de nomes masculinos e femininos aos sistemas de alta e baixa pressão alterna conforme o ano.

Dessa maneira, uma pessoa pode participar do batismo de uma área de baixa pressão, associada frequentemente a condições meteorológicas instáveis, ou de um anticiclone, geralmente relacionado a condições mais estáveis.

Entretanto, existe uma distinção importante.

Participar do Wetterpate não significa escolher o nome oficial de qualquer furacão ou tempestade de grande impacto no mundo.

O programa alemão possui uma tradição própria e não substitui os sistemas internacionais utilizados para identificar fenômenos meteorológicos perigosos.

Ainda assim, representa uma oportunidade incomum de associar um nome pessoal a um sistema real da atmosfera.

Como os nomes das grandes tempestades são escolhidos na Europa?

Em diversas regiões europeias, os nomes são definidos por grupos de serviços meteorológicos que trabalham de maneira coordenada.

No sudoeste da Europa, por exemplo, Espanha, França, Portugal, Bélgica, Luxemburgo e Andorra participam de um sistema conjunto de identificação de tempestades de alto impacto.

Antes de cada temporada, os países elaboram uma lista de nomes que poderão ser utilizados conforme os fenômenos se desenvolvam.

Para a temporada 2026–2027, a sequência começa com Adam, Bruna, Charles e Diane.

Quando um serviço meteorológico prevê condições suficientemente graves para justificar a nomeação, o próximo nome disponível é atribuído ao fenômeno.

Em geral, essa identificação permanece durante sua evolução, mesmo quando a tempestade atravessa fronteiras.

O objetivo é garantir que diferentes países estejam falando do mesmo sistema meteorológico.

Esse procedimento também pode abranger determinados episódios associados a depressões isoladas em níveis altos da atmosfera, conhecidas na Espanha como danas, quando atendem aos critérios estabelecidos.

Katrina
© Squarefrog -Pixabay

Os furacões seguem regras diferentes e alguns nomes são proibidos de voltar

No oceano Atlântico, a escolha dos nomes das tempestades tropicais e dos furacões segue outro modelo.

As listas são aprovadas por um comitê internacional ligado à Organização Meteorológica Mundial (OMM).

O Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos utiliza essas listas para nomear os sistemas tropicais que atingem os critérios necessários em sua área de responsabilidade.

Existem seis listas principais, reutilizadas em ciclos de seis anos.

Os nomes masculinos e femininos aparecem alternadamente, seguindo uma sequência previamente definida.

Entretanto, nem todos retornam ao ciclo.

Quando um furacão provoca destruição excepcional ou consequências humanas muito graves, seu nome pode ser retirado permanentemente das listas.

Foi o que aconteceu com Katrina, responsável por uma catástrofe nos Estados Unidos em 2005.

A retirada evita que o nome seja reutilizado em outro fenômeno, preservando sua associação histórica com o desastre.

Afinal, qualquer pessoa pode colocar seu nome em uma tempestade?

A resposta é sim, mas com limitações.

Por meio do programa alemão Wetterpate, pessoas comuns podem solicitar nomes para sistemas de alta ou baixa pressão, respeitando as regras e a disponibilidade do projeto.

Isso é diferente de escolher livremente o nome de um furacão no Atlântico ou de uma tempestade oficialmente nomeada por serviços meteorológicos europeus.

Esses fenômenos seguem listas e critérios próprios, definidos por organizações especializadas.

A curiosidade revela algo importante: os nomes meteorológicos não são escolhidos apenas para facilitar as notícias.

Eles fazem parte de sistemas de comunicação que ajudam milhões de pessoas a reconhecer perigos e acompanhar eventos potencialmente destrutivos.

E, em alguns casos, também permitem que uma pessoa comum deixe seu nome registrado na história da meteorologia.

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