Com a chegada das estações mais frias, sintomas como tosse e nariz entupido se tornam comuns — especialmente em crianças. Nessa hora, muita gente recorre a receitas caseiras que prometem alívio rápido. Mas será que elas funcionam? E os xaropes industrializados vendidos livremente em farmácias são sempre seguros?
Antes de decidir qual solução usar, é essencial entender a diferença entre gripe e resfriado e quais substâncias realmente ajudam a aliviar os sintomas.
Gripe e resfriado não são a mesma coisa

A gripe é causada pelo vírus influenza e apresenta sintomas mais intensos, como febre alta, dores no corpo, tosse forte e congestão nasal. Já o resfriado é provocado por diferentes vírus, como o rinovírus, e seus sintomas são mais leves, normalmente se resolvendo em poucos dias com hidratação e repouso.
A recuperação da gripe pode levar mais de uma semana, e a tosse costuma ser o sintoma mais persistente — o que faz com que muitos recorram aos xaropes.
Xaropes caseiros aliviam, mas não curam
Os médicos são unânimes em afirmar: nenhum xarope caseiro cura gripe ou resfriado. O que eles podem fazer é aliviar os sintomas, especialmente por meio da chamada ação demulcente — um efeito protetor sobre as mucosas irritadas.
Alimentos como mel, alho, hortelã, gengibre e casca de abacaxi criam uma espécie de filme sobre os receptores da tosse, reduzindo temporariamente o incômodo.
Entre todos, o mel é o mais bem estudado. Uma pesquisa publicada no European Journal of Pediatrics em 2023 mostrou que ele pode ser mais eficaz do que alguns medicamentos na redução da tosse em crianças. Mas atenção: não deve ser oferecido a menores de dois anos, por conta do risco de botulismo.
Outros ingredientes populares também apresentam propriedades benéficas:
- Alho: tem ação antiviral, antibacteriana e ajuda a soltar o muco.
- Casca de abacaxi: contém bromexina, um expectorante natural.
- Hortelã: refrescante e calmante, facilita a respiração.
- Gengibre: lubrifica as vias aéreas e reduz a irritação.
- Guaco: planta com efeitos anti-inflamatórios e expectorantes, usada na forma de chá ou xarope.
Mesmo sendo naturais, esses ingredientes devem ser usados com moderação. Em excesso, podem causar efeitos colaterais como diarreia ou intoxicação, especialmente no caso do guaco.
Cuidado com os xaropes industrializados
Os xaropes vendidos em farmácias, embora amplamente utilizados, não são indicados para todos os casos. Muitos contêm substâncias como acetilcisteína e ambroxol, que ajudam a eliminar o muco. No entanto, outros incluem anti-histamínicos, antialérgicos e até derivados de opioides, o que pode ser perigoso.
A pneumologista pediátrica Magali Lumertz alerta que o uso indiscriminado desses produtos não é recomendado para crianças pequenas, especialmente se forem saudáveis. Além de não ajudarem, podem agravar o quadro, ressecando as secreções e dificultando a eliminação do catarro.
Xaropes com efeito antialérgico, por exemplo, não fazem sentido no tratamento de um resfriado viral e ainda podem causar efeitos adversos como sonolência ou agravamento dos sintomas.
A melhor escolha: equilíbrio e orientação médica
A automedicação, seja com produtos naturais ou industrializados, deve ser evitada. Consultar um médico é sempre a melhor alternativa, especialmente quando se trata de crianças.
Enquanto isso, manter a hidratação, garantir uma boa alimentação e adotar receitas simples e seguras — como uma colher de mel antes de dormir (para maiores de dois anos) — pode ser um bom caminho para aliviar os sintomas sem riscos desnecessários.
[ Fonte: G1.Globo ]