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Ciência

A bactéria que voltou do espaço mais forte: o micróbio que pode proteger a saúde humana em Marte

Cientistas australianos descobriram que uma bactéria essencial para o sistema imunológico humano sobreviveu a um lançamento espacial real e retornou à Terra ainda mais resistente. A pesquisa abre caminhos para preservar a saúde dos astronautas e entender como a vida pode resistir — e talvez prosperar — fora do planeta.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Enquanto a humanidade sonha com viagens tripuladas a Marte, a ciência revela uma nova aliada invisível: uma bactéria capaz de suportar as condições extremas do espaço. O estudo, conduzido por pesquisadores australianos e publicado na revista npj Microgravity, mostra que alguns microrganismos podem ser fundamentais para garantir a sobrevivência humana além da Terra.

A aliada invisível do corpo humano

O experimento, realizado por cientistas da Universidade RMIT, testou a resistência da bactéria Bacillus subtilis — uma espécie presente no solo e no sistema digestivo humano. Conhecida por formar esporos altamente resistentes, ela é capaz de proteger seu DNA contra radiação, frio intenso e falta de oxigênio.

O objetivo dos pesquisadores era descobrir se essas bactérias conseguiriam suportar as forças violentas de um lançamento espacial, incluindo aceleração, microgravidade e desaceleração. O resultado surpreendeu: além de sobreviver ao processo completo, a Bacillus subtilis manteve sua capacidade de multiplicação ao retornar à Terra.

Segundo a pesquisadora Gail Iles, coautora do estudo, “esse experimento nos ajuda a entender como a vida pode resistir em ambientes extremos e a preparar missões seguras para Marte e outros destinos espaciais”.

Um voo extremo para um microrganismo minúsculo

As esporas da Bacillus subtilis foram enviadas a bordo de um foguete sonda lançado da Suécia, dentro de um microtubo impresso em 3D especialmente desenvolvido para protegê-las. Durante o lançamento, enfrentaram forças equivalentes a 13 vezes a gravidade terrestre e atingiram 260 quilômetros de altitude — o limite do espaço.

Quando o motor se desligou, a cápsula experimentou cerca de seis minutos de microgravidade, simulando as condições de ingravidez prolongada das missões espaciais. Na descida, girou a 220 rotações por segundo e suportou fortes desacelerações.

De volta aos laboratórios australianos, análises com microscopia eletrônica confirmaram que as esporas estavam intactas e prontas para se reproduzir. “Isso amplia nosso conhecimento sobre os efeitos das viagens espaciais nos microrganismos essenciais à saúde humana”, afirmou a biofísica Elena Ivanova, especialista em nanotecnologia aplicada à biologia.

Implicações para a saúde, a biotecnologia e a vida extraterrestre

As conclusões do estudo vão muito além da exploração espacial. Se bactérias como a Bacillus subtilis conseguem resistir a viagens fora da Terra, elas poderiam ser usadas em sistemas de suporte à vida em naves ou colônias marcianas, ajudando a manter a microbiota e o equilíbrio imunológico dos astronautas durante missões de longa duração.

Os cientistas planejam repetir o experimento com outras espécies e por períodos mais longos, para entender melhor os limites da resistência microbiana. Esses dados poderão não apenas garantir segurança no espaço, mas também inspirar novas aplicações médicas e biotecnológicas na Terra.

Como resume Iles, “compreender a força dos microrganismos é essencial para proteger a saúde humana no espaço — e talvez para responder à pergunta que nos acompanha há séculos: será que a vida pode existir em outros mundos?”.

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