A vida universitária continua sendo descrita como uma etapa de descobertas, sonhos e crescimento pessoal. Porém, para muitos jovens, é também um período de intensa pressão emocional. Provas, prazos, expectativas familiares e incertezas sobre o futuro formam um ambiente onde a ansiedade se tornou quase rotina. Um estudo realizado na Andaluzia, com mais de 500 estudantes, revelou um dado alarmante — mas também uma esperança: existem recursos psicológicos que funcionam como proteção.
Autoestima e sentido de coerência: os pilares ocultos do bem-estar
Segundo os pesquisadores, cerca de 60% dos universitários avaliados apresentaram níveis clinicamente significativos de ansiedade, especialmente mulheres. O estudo identificou dois fatores decisivos: baixa autoestima e fraco “sentido de coerência” (SOC) se relacionam diretamente com maior ansiedade.
O conceito de SOC foi desenvolvido pelo sociólogo Aaron Antonovsky e mede o quanto uma pessoa percebe a vida como compreensível, administrável e significativa. Quando esses três pilares estão presentes, o estresse deixa de ser ameaça e passa a ser desafio.
Quando o estresse perde sua função
A teoria psicológica de Richard Lazarus e Susan Folkman explica que a ansiedade surge muito mais da interpretação de uma situação do que da situação em si. A universidade pode ser tanto palco de crescimento quanto lugar de sobrecarga emocional.
Se o estudante sente que as demandas superam sua capacidade, o sistema emocional se desregula. Nesses casos, autoestima e SOC funcionam como amortecedores internos, equilibrando desafios e recursos pessoais.
Estudantes com autoestima alta lidam melhor com dificuldades
Os dados mostraram que jovens com autoestima elevada e sentido de coerência forte apresentam menos ansiedade, mais bem-estar e maior habilidade de interpretar dificuldades de forma positiva. Esses recursos internos se fortalecem ainda mais quando existe apoio social: amizades, vínculos familiares saudáveis, orientação acadêmica e sensação de pertencimento.
Quando o estudante se sente capaz, compreendido e acompanhado, os desafios deixam de sufocar.
Da prevenção à resiliência acadêmica
Antonovsky propôs um modelo salutogênico: em vez de apenas tratar o problema, construímos saúde antes que ele surja. Aplicado à universidade, isso significa criar programas de apoio psicológico, mentorias, acompanhamento emocional e ambientes mais colaborativos.
Outros fatores que protegem a saúde mental
Além da autoestima e do SOC, o estudo destaca outros recursos importantes:
- Autoeficácia: acreditar na própria capacidade.
- Resiliência: adaptar-se e seguir em frente diante de dificuldades.
- Otimismo: expectativa positiva sobre o futuro.
- Habilidades de enfrentamento: estratégias ativas para resolver problemas.
Apoio social — de amigos, professores ou grupos universitários — também é decisivo.
Universidade continuará exigente, mas estudantes com autoestima e coerência emocional enfrentam os desafios com mais força. Essa construção não apenas reduz ansiedade, como forma adultos e profissionais mais preparados, conscientes e equilibrados.