Construir motores capazes de levar toneladas ao espaço exige investimentos enormes, materiais especiais e processos industriais complexos. Mas uma empresa aeroespacial acredita ter encontrado uma maneira de produzir equipamentos mais potentes por uma fração do custo atual. A novidade surge em um momento decisivo para a corrida espacial comercial e poderá influenciar não apenas a frequência dos lançamentos, mas também a capacidade de transportar cargas até a Lua.
O novo motor da Blue Origin promete mais potência com um custo muito menor
A Blue Origin, empresa espacial fundada por Jeff Bezos, anunciou o desenvolvimento do Northstar, um motor projetado para transformar a produção de seus foguetes New Glenn.
A proposta é substituir progressivamente o BE-4, atualmente utilizado na primeira etapa do lançador.
Segundo os dados apresentados pela companhia, o Northstar foi desenvolvido com uma arquitetura mais simples e processos avançados de fabricação.
O novo projeto possui aproximadamente 50% menos componentes e uma massa 30% inferior à do modelo anterior.
Além disso, mais de 65% do motor é produzido utilizando tecnologias de impressão 3D.
Essas mudanças poderiam reduzir significativamente o tempo necessário para fabricar cada unidade.
A empresa estima que o custo de produção do Northstar seja aproximadamente 75% menor que o do BE-4.
Entretanto, essa redução ainda representa uma projeção industrial, e não um resultado comprovado em produção comercial de grande escala.
O desempenho também chama a atenção.
O novo motor foi projetado para gerar cerca de 324 toneladas-força de empuxo, contra aproximadamente 290 toneladas-força do BE-4.
Ambos utilizam metano e oxigênio líquido como propelentes.
A principal diferença está na tentativa de combinar maior desempenho com uma fabricação muito mais rápida.
A impressão 3D pode transformar a maneira como motores espaciais são fabricados
Um dos objetivos mais ambiciosos da Blue Origin é conseguir montar cada Northstar em menos de 24 horas.
Se essa meta for alcançada, a companhia poderá aumentar consideravelmente sua capacidade de produção.
A fabricação aditiva, popularmente conhecida como impressão 3D, permite produzir componentes complexos com menos etapas de montagem.
Em determinadas aplicações, isso reduz a necessidade de fabricar e conectar numerosas peças separadas.
Para motores espaciais, que precisam suportar temperaturas e pressões extremas, essa simplificação pode representar uma vantagem importante.
Entretanto, produzir rapidamente não é suficiente.
Cada motor precisa passar por verificações rigorosas para garantir segurança e confiabilidade durante o lançamento.
O Northstar já iniciou testes de acionamento, mas ainda não possui uma data confirmada para seu primeiro voo.
O anúncio acontece após dificuldades enfrentadas pela empresa, incluindo a explosão de um New Glenn durante um teste terrestre em maio de 2026.
A Blue Origin busca recuperar o ritmo de desenvolvimento e ampliar sua presença no mercado de lançamentos.
Uma nova terceira etapa poderá levar cargas diretamente para a Lua
O Northstar não foi a única novidade apresentada pela companhia.
A Blue Origin também revelou a GS3, uma terceira etapa desenvolvida para ampliar as capacidades do New Glenn.
Esse módulo utilizará o motor BE-7, alimentado por hidrogênio e oxigênio líquidos.
Sua função será permitir missões que exigem mais energia, incluindo o transporte direto de cargas para órbitas geoestacionárias e trajetórias lunares.
Na configuração com sete motores na primeira etapa e dois na segunda, o foguete poderá transportar até oito toneladas diretamente para a órbita geoestacionária e dez toneladas em direção à Lua, segundo as projeções.
Uma versão ampliada, com nove motores inferiores e quatro superiores, elevaria essas capacidades para 14 e 20 toneladas, respectivamente.
A GS3 foi concebida para oferecer essas possibilidades sem reduzir o espaço reservado à carga útil.
A companhia informou que já possui um cliente governamental para uma missão no espaço entre a Terra e a Lua prevista para 2028.
O maior desafio pode estar nos tanques que armazenam combustível
Para diminuir a massa da terceira etapa, a Blue Origin está desenvolvendo tanques de materiais compostos destinados ao armazenamento de hidrogênio líquido.
O desafio é impedir vazamentos, já que o hidrogênio pode atravessar pequenas imperfeições nos materiais.
Durante os testes, um tanque experimental suportou sua pressão máxima operacional durante duas horas e meia.
Também resistiu a 150% dessa pressão por dez minutos.
Os resultados são promissores, mas ainda serão necessárias novas verificações antes da utilização em missões espaciais.
A empresa também pretende desenvolver uma infraestrutura capaz de sustentar, futuramente, mais de mil lançamentos anuais.
Trata-se de uma meta extremamente ambiciosa, ainda distante de ser demonstrada.
Se o Northstar e a GS3 cumprirem seus objetivos, a Blue Origin poderá fabricar motores mais rapidamente, reduzir custos e ampliar a capacidade de suas missões.
O verdadeiro impacto dessas tecnologias, entretanto, dependerá dos resultados obtidos nos próximos testes e voos.