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Ciência

A empresa de Jeff Bezos está desenvolvendo um motor que promete revolucionar a produção espacial

A empresa de Jeff Bezos apresentou uma tecnologia que promete transformar a fabricação de foguetes. O projeto combina novas técnicas industriais com planos ambiciosos para alcançar destinos mais distantes.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Construir motores capazes de levar toneladas ao espaço exige investimentos enormes, materiais especiais e processos industriais complexos. Mas uma empresa aeroespacial acredita ter encontrado uma maneira de produzir equipamentos mais potentes por uma fração do custo atual. A novidade surge em um momento decisivo para a corrida espacial comercial e poderá influenciar não apenas a frequência dos lançamentos, mas também a capacidade de transportar cargas até a Lua.

O novo motor da Blue Origin promete mais potência com um custo muito menor

A Blue Origin, empresa espacial fundada por Jeff Bezos, anunciou o desenvolvimento do Northstar, um motor projetado para transformar a produção de seus foguetes New Glenn.

A proposta é substituir progressivamente o BE-4, atualmente utilizado na primeira etapa do lançador.

Segundo os dados apresentados pela companhia, o Northstar foi desenvolvido com uma arquitetura mais simples e processos avançados de fabricação.

O novo projeto possui aproximadamente 50% menos componentes e uma massa 30% inferior à do modelo anterior.

Além disso, mais de 65% do motor é produzido utilizando tecnologias de impressão 3D.

Essas mudanças poderiam reduzir significativamente o tempo necessário para fabricar cada unidade.

A empresa estima que o custo de produção do Northstar seja aproximadamente 75% menor que o do BE-4.

Entretanto, essa redução ainda representa uma projeção industrial, e não um resultado comprovado em produção comercial de grande escala.

O desempenho também chama a atenção.

O novo motor foi projetado para gerar cerca de 324 toneladas-força de empuxo, contra aproximadamente 290 toneladas-força do BE-4.

Ambos utilizam metano e oxigênio líquido como propelentes.

A principal diferença está na tentativa de combinar maior desempenho com uma fabricação muito mais rápida.

A impressão 3D pode transformar a maneira como motores espaciais são fabricados

Um dos objetivos mais ambiciosos da Blue Origin é conseguir montar cada Northstar em menos de 24 horas.

Se essa meta for alcançada, a companhia poderá aumentar consideravelmente sua capacidade de produção.

A fabricação aditiva, popularmente conhecida como impressão 3D, permite produzir componentes complexos com menos etapas de montagem.

Em determinadas aplicações, isso reduz a necessidade de fabricar e conectar numerosas peças separadas.

Para motores espaciais, que precisam suportar temperaturas e pressões extremas, essa simplificação pode representar uma vantagem importante.

Entretanto, produzir rapidamente não é suficiente.

Cada motor precisa passar por verificações rigorosas para garantir segurança e confiabilidade durante o lançamento.

O Northstar já iniciou testes de acionamento, mas ainda não possui uma data confirmada para seu primeiro voo.

O anúncio acontece após dificuldades enfrentadas pela empresa, incluindo a explosão de um New Glenn durante um teste terrestre em maio de 2026.

A Blue Origin busca recuperar o ritmo de desenvolvimento e ampliar sua presença no mercado de lançamentos.

Uma nova terceira etapa poderá levar cargas diretamente para a Lua

O Northstar não foi a única novidade apresentada pela companhia.

A Blue Origin também revelou a GS3, uma terceira etapa desenvolvida para ampliar as capacidades do New Glenn.

Esse módulo utilizará o motor BE-7, alimentado por hidrogênio e oxigênio líquidos.

Sua função será permitir missões que exigem mais energia, incluindo o transporte direto de cargas para órbitas geoestacionárias e trajetórias lunares.

Na configuração com sete motores na primeira etapa e dois na segunda, o foguete poderá transportar até oito toneladas diretamente para a órbita geoestacionária e dez toneladas em direção à Lua, segundo as projeções.

Uma versão ampliada, com nove motores inferiores e quatro superiores, elevaria essas capacidades para 14 e 20 toneladas, respectivamente.

A GS3 foi concebida para oferecer essas possibilidades sem reduzir o espaço reservado à carga útil.

A companhia informou que já possui um cliente governamental para uma missão no espaço entre a Terra e a Lua prevista para 2028.

O maior desafio pode estar nos tanques que armazenam combustível

Para diminuir a massa da terceira etapa, a Blue Origin está desenvolvendo tanques de materiais compostos destinados ao armazenamento de hidrogênio líquido.

O desafio é impedir vazamentos, já que o hidrogênio pode atravessar pequenas imperfeições nos materiais.

Durante os testes, um tanque experimental suportou sua pressão máxima operacional durante duas horas e meia.

Também resistiu a 150% dessa pressão por dez minutos.

Os resultados são promissores, mas ainda serão necessárias novas verificações antes da utilização em missões espaciais.

A empresa também pretende desenvolver uma infraestrutura capaz de sustentar, futuramente, mais de mil lançamentos anuais.

Trata-se de uma meta extremamente ambiciosa, ainda distante de ser demonstrada.

Se o Northstar e a GS3 cumprirem seus objetivos, a Blue Origin poderá fabricar motores mais rapidamente, reduzir custos e ampliar a capacidade de suas missões.

O verdadeiro impacto dessas tecnologias, entretanto, dependerá dos resultados obtidos nos próximos testes e voos.

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