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Tecnologia

A estratégia da 1X Technologies pode mudar a forma como robôs aprendem

Um dos robôs humanoides mais comentados do mercado já pode ser comprado, mas existe um detalhe pouco divulgado sobre seu funcionamento. A estratégia por trás dessa escolha pode definir o futuro da robótica.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Os robôs humanoides deixaram de ser apenas protótipos de laboratório e começaram a chegar ao mercado com a promessa de executar tarefas domésticas, industriais e até corporativas. Enquanto empresas disputam quem lançará o primeiro assistente verdadeiramente autônomo, uma startup aposta em um caminho diferente para acelerar essa evolução. A proposta parece contraditória à primeira vista, mas seus criadores acreditam que justamente esse método permitirá alcançar um dos objetivos mais ambiciosos da inteligência artificial.

O robô já está à venda, mas ainda não trabalha completamente sozinho

A 1X Technologies entrou para o grupo de empresas que pretendem popularizar robôs humanoides para uso doméstico. Seu modelo, chamado Neo Home Robot, pode ser adquirido por cerca de US$ 20 mil ou por meio de uma assinatura mensal, com as primeiras entregas previstas para 2026.

Apesar do entusiasmo em torno do lançamento, a própria empresa admite que a experiência inicial ainda estará longe da perfeição. Segundo seu fundador e CEO, Bernt Bornich, os primeiros usuários devem esperar limitações típicas de uma tecnologia em desenvolvimento. O robô poderá cometer erros, perder o equilíbrio em determinadas situações e exigir intervenções ocasionais.

O detalhe mais curioso, porém, é que Neo ainda não opera de forma totalmente autônoma. Em muitas tarefas, ele pode ser controlado remotamente por um operador humano equipado com óculos de realidade mista e controles específicos, capazes de reproduzir seus movimentos em tempo real.

Bornich afirma que isso não representa uma falha do projeto, mas uma etapa planejada desde o início. Para ele, essa combinação entre inteligência artificial e teleoperação permite oferecer uma experiência mais confiável enquanto os sistemas autônomos continuam aprendendo.

Durante participação no podcast All-In, o executivo apresentou uma visão bastante otimista para o setor. Em sua avaliação, a chamada inteligência artificial física poderá viver um crescimento acelerado nos próximos anos, chegando ao ponto em que robôs passem a fabricar outros robôs, construir centros de dados, operar minas, produzir componentes eletrônicos e desempenhar diversas atividades industriais praticamente sem intervenção humana.

Segundo Bornich, esse cenário poderá representar uma abundância inédita de mão de obra robótica, capaz de impulsionar o desenvolvimento econômico em escala global.

O controle remoto faz parte da estratégia de aprendizado

Para explicar esse modelo, o CEO descreve uma estrutura chamada de “pirâmide de dados”. Sempre que o robô não consegue executar uma tarefa corretamente, um operador assume o controle remoto e realiza a atividade da maneira adequada.

Cada uma dessas intervenções gera um conjunto de informações extremamente valioso para treinar novamente os algoritmos do Neo. Em vez de tratar esses momentos como exceções, a empresa os considera uma das principais fontes de aprendizado do sistema.

Esse processo é complementado por enormes quantidades de vídeos mostrando pessoas realizando atividades do cotidiano. A empresa utiliza tanto gravações em primeira pessoa quanto imagens disponíveis publicamente na internet para ensinar novos comportamentos ao robô.

Como Neo foi projetado para possuir proporções corporais semelhantes às de um ser humano, grande parte desse conteúdo pode ser aproveitada diretamente para o treinamento dos modelos de inteligência artificial.

Mesmo quando atingir um nível elevado de autonomia, Bornich acredita que a teleoperação continuará sendo útil. Em determinadas situações, controlar um robô à distância poderá ser mais rápido e econômico do que deslocar uma pessoa até o local onde a intervenção é necessária.

O próprio executivo afirma utilizar esse conceito em sua rotina. Quando está viajando, diz ser possível controlar remotamente um robô para participar fisicamente de reuniões na empresa, funcionando como uma espécie de avatar humano em outro ambiente.

A visão da empresa vai além dos robôs domésticos

Embora outras companhias do setor também estejam investindo fortemente em robôs humanoides, suas prioridades nem sempre são as mesmas.

Empresas como ANYbotics, Boston Dynamics e Agility Robotics concentram seus esforços principalmente em aplicações industriais e de inspeção, buscando substituir pessoas em atividades consideradas perigosas, repetitivas ou insalubres.

A proposta da 1X Technologies segue uma direção mais ampla. Em vez de enxergar os robôs apenas como ferramentas especializadas, Bornich acredita que eles poderão formar uma força de trabalho praticamente ilimitada, capaz de atuar em diferentes setores da economia.

Na visão do executivo, esse avanço não reduziria necessariamente as oportunidades para trabalhadores humanos. Pelo contrário, permitiria que pessoas deixassem tarefas repetitivas para se dedicar a funções mais criativas, estratégicas e inovadoras.

Ainda é cedo para saber se essa previsão se concretizará nos próximos anos. No entanto, o modelo adotado pela empresa revela uma mudança importante na forma como a robótica está sendo desenvolvida. Em vez de esperar que a inteligência artificial alcance a perfeição antes de chegar ao mercado, algumas empresas preferem colocá-la para aprender diretamente no mundo real, mesmo que, por enquanto, um operador humano continue discretamente por trás de parte de seus movimentos.

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