Durante décadas, a Ferrari construiu sua identidade em torno de motores V8 e V12 barulhentos, linhas agressivas e uma estética imediatamente reconhecível. Agora, a marca italiana decidiu entrar de vez na era elétrica — mas talvez ninguém esperasse uma mudança tão radical.
O novo Ferrari Luce, apresentado oficialmente em Roma, marca a estreia da fabricante no segmento de veículos totalmente elétricos. O lançamento aconteceu na Vela di Calatrava, na Città dello Sport, e rapidamente se transformou em um dos assuntos mais comentados do universo automotivo.
Não apenas pela tecnologia.
O design do carro gerou uma onda de reações divididas entre fãs, designers e especialistas, muitos deles afirmando que o modelo parece mais próximo dos novos hipercarros chineses do que da tradição visual italiana da Ferrari.
Um Ferrari desenhado pelo homem do iPhone
Parte dessa ruptura estética pode ser explicada pelo responsável pelo projeto.
O Luce foi desenvolvido em parceria com o estúdio LoveFrom, liderado por Jony Ive, ex-chefe de design da Apple e um dos nomes por trás do visual dos iPhones que redefiniram a indústria de smartphones.
O resultado é um carro com superfícies extremamente limpas, linhas minimalistas e uma grande área envidraçada integrada à carroceria — uma abordagem visual muito diferente dos Ferraris tradicionais.
A polêmica aumentou por causa da tonalidade azul-clara escolhida para a apresentação oficial, algo incomum para a marca do Cavallino Rampante.
Nas redes sociais, muitos usuários compararam o modelo a carros elétricos premium produzidos por fabricantes chineses recentes.
O Ferrari mais “familiar” já criado
Ferrari revela Luce, o seu primeiro carro totalmente elétrico!, preço 3,2 milhões! pic.twitter.com/gUyOUvxVoy
— Xavier com ❌ (@Gilbertoavier) May 26, 2026
Além do visual, o Luce também rompe padrões históricos da marca em sua configuração.
O modelo possui quatro portas e cinco lugares, tornando-se o primeiro Ferrari com capacidade para cinco ocupantes. O carro mede pouco mais de cinco metros de comprimento e foi claramente pensado para unir desempenho extremo com uso cotidiano.
Mesmo com dimensões maiores e foco em conforto, o desempenho continua impressionante.
O sistema utiliza quatro motores elétricos — um em cada roda — entregando tração integral e controle dinâmico avançado.
Os números são dignos de um hipercarro:
- 1.055 cavalos de potência;
- 990 Nm de torque;
- 0 a 100 km/h em 2,5 segundos;
- velocidade máxima de 310 km/h;
- autonomia estimada em 530 km.
Uma bateria gigante e arquitetura inédita
O Luce utiliza uma bateria de 122 kWh instalada no assoalho do veículo. O sistema opera em arquitetura de 800 volts e suporta carregamento ultrarrápido de até 350 kW.
Segundo a Ferrari, o chassi foi desenvolvido do zero especificamente para a eletrificação.
A própria bateria funciona como elemento estrutural do carro, aumentando a rigidez da carroceria em até 35% em comparação com plataformas anteriores da marca.
Outro detalhe curioso é a modularidade do projeto.
A Ferrari afirma que eixo dianteiro, bateria e eixo traseiro podem ser desmontados separadamente, simplificando processos de manutenção e reparo.
Tecnologia digna de um laboratório futurista

O Luce traz uma quantidade enorme de recursos eletrônicos e soluções inéditas para a marca italiana.
Entre os destaques estão:
- suspensão ativa nas quatro rodas;
- direção traseira esterçante;
- controle vetorial de torque;
- sistema FLOW para distribuição inteligente de potência;
- frenagem regenerativa avançada;
- Launch Control elétrico.
O interior também segue uma proposta extremamente tecnológica.
A cabine utiliza quatro telas OLED desenvolvidas em parceria com a Samsung Display, além de um sistema de áudio com 21 alto-falantes e potência de 3.000 watts.
Até a chave foge do convencional: feita com Gorilla Glass, ela possui uma tela E Ink que se ilumina ao ativar o veículo.
As portas traseiras utilizam abertura invertida no estilo “suicida”, outro detalhe que reforça a proposta futurista do modelo.
O desafio mais delicado: fazer um Ferrari elétrico soar como Ferrari
Talvez o maior problema emocional para a marca fosse justamente o som.
Ferraris sempre foram associados ao ronco agressivo dos motores V8 e V12. Sem combustão, como preservar essa identidade?
A solução encontrada pela empresa foi criar um sistema que capta vibrações reais dos motores elétricos e as transmite ao habitáculo através da estrutura metálica do veículo.
Segundo a Ferrari, o objetivo era evitar sons artificiais típicos de muitos carros elétricos e criar uma assinatura sonora autêntica.
O veredito já começou — e o carro nem chegou às ruas
Mesmo cercado por controvérsias, o Ferrari Luce já nasceu como sucesso comercial.
Toda a produção prevista para 2027 já está esgotada, antes mesmo das primeiras entregas.
O preço inicial ultrapassa 550 mil euros, mas pode aumentar bastante dependendo do nível de personalização escolhido pelos clientes.
Agora, a Ferrari enfrenta talvez seu maior desafio desde a criação da marca: convencer os apaixonados por motores a combustão de que um Ferrari silencioso, elétrico e visualmente futurista ainda pode carregar a alma de Maranello.
[ Fonte: Infobae ]