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Ciência

Cientistas encontram algo extraordinário na atmosfera de um planeta a 48 anos-luz da Terra

Um mundo distante acaba de revelar uma característica que os astrônomos buscavam há anos e que pode transformar a procura por planetas capazes de reunir condições para a vida.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Encontrar planetas fora do Sistema Solar deixou de ser algo extraordinário. O verdadeiro desafio agora é descobrir quais deles possuem características capazes de criar ambientes minimamente semelhantes aos da Terra. Um mundo localizado a apenas 48 anos-luz acaba de dar aos astrônomos uma resposta inédita. Depois de anos de observações e hipóteses, pesquisadores conseguiram detectar algo ao seu redor que muda significativamente sua posição na busca por ambientes potencialmente habitáveis.

Um planeta conhecido há anos acaba de revelar seu maior segredo

Cientistas encontram algo extraordinário na atmosfera de um planeta a 48 anos-luz da Terra
© YouTube

O protagonista da descoberta é LHS 1140 b, um exoplaneta que orbita uma pequena estrela anã vermelha localizada a aproximadamente 48 anos-luz da Terra.

O mundo já era considerado um dos alvos mais interessantes para os astrônomos porque está localizado na chamada zona habitável de sua estrela, região na qual as temperaturas podem, dependendo das condições atmosféricas, permitir a existência de água líquida.

Agora surgiu uma evidência ainda mais importante.

Uma equipe liderada por pesquisadores ligados à Universidade Harvard e ao Center for Astrophysics | Harvard & Smithsonian detectou hélio escapando de LHS 1140 b, fornecendo a primeira evidência clara de uma atmosfera em um planeta desse tipo situado na zona habitável de outra estrela. O trabalho foi publicado na revista científica Science.

A descoberta é particularmente relevante porque encontrar um planeta na distância adequada de sua estrela não basta para considerá-lo potencialmente habitável.

Sem atmosfera, as condições na superfície podem ser completamente incompatíveis com a presença duradoura de água líquida.

O hélio revelou aquilo que os cientistas não conseguiam enxergar diretamente

Cientistas encontram algo extraordinário na atmosfera de um planeta a 48 anos-luz da Terra
© YouTube

Os pesquisadores chegaram à descoberta observando algo que estava deixando o planeta.

Modelos desenvolvidos pela equipe previam que LHS 1140 b poderia possuir uma atmosfera superior rica em hélio, parte do qual escaparia lentamente para o espaço.

Para testar essa hipótese, os astrônomos utilizaram o espectrógrafo WINERED instalado no telescópio Magellan, no Observatório Las Campanas, no Chile.

Uma rara coincidência ajudou o trabalho: LHS 1140 b e outro planeta do mesmo sistema passaram diante da estrela durante a mesma noite.

O segundo mundo não apresentou evidências atmosféricas semelhantes. LHS 1140 b, entretanto, mostrou um sinal claro de hélio escapando de suas camadas superiores.

O resultado indica que o planeta conseguiu conservar uma atmosfera durante bilhões de anos, apesar de orbitar uma anã vermelha.

Isso surpreende porque estrelas desse tipo podem apresentar intensa atividade capaz de remover progressivamente as atmosferas de planetas próximos.

LHS 1140 b não é exatamente uma segunda Terra

Apesar da empolgação, chamar LHS 1140 b de “Terra 2.0” seria um exagero.

O planeta é consideravelmente maior que o nosso. Estudos anteriores estimaram um raio de aproximadamente 1,73 vez o da Terra e uma massa equivalente a cerca de 5,6 Terras.

Sua composição também permanece sob investigação.

Observações anteriores indicaram que o planeta pode conter uma quantidade significativa de água, possivelmente entre 9% e 19% de sua massa, dependendo da composição atmosférica considerada. Isso levantou a possibilidade de que seja um mundo rico em água, potencialmente muito diferente da Terra.

Dados obtidos anteriormente com o telescópio espacial James Webb também descartaram alguns cenários envolvendo uma espessa atmosfera rica em hidrogênio e sugeriram a possibilidade de uma atmosfera composta por moléculas mais pesadas.

Agora, a detecção do hélio acrescenta uma peça crucial ao quebra-cabeça: existe uma atmosfera para investigar.

A descoberta não significa que exista vida naquele planeta

Esse é provavelmente o ponto mais importante da descoberta.

Os cientistas não encontraram sinais de vida em LHS 1140 b.

O hélio detectado também não representa uma bioassinatura e não deve ser interpretado como evidência de organismos extraterrestres.

A importância está em outra questão.

Para a vida como conhecemos, uma atmosfera é fundamental porque ajuda a controlar temperaturas, participa de ciclos químicos e pode permitir que água permaneça líquida na superfície.

LHS 1140 b agora reúne três características particularmente interessantes: está na zona habitável de sua estrela, apresenta características compatíveis com um mundo rochoso ou rico em água e possui uma atmosfera detectável.

Isso transforma o planeta em um laboratório extraordinário para futuras observações.

Os próximos estudos poderão tentar identificar outros gases presentes em sua atmosfera e descobrir se existem vapor de água, dióxido de carbono ou outras moléculas capazes de revelar como realmente é esse mundo distante.

A descoberta, portanto, não responde à pergunta mais fascinante da astronomia. Ainda não sabemos se existe vida fora da Terra.

Mas ela demonstra algo que até agora permanecia fora do alcance das observações: planetas relativamente pequenos, localizados em regiões potencialmente habitáveis de outros sistemas, podem conservar atmosferas durante bilhões de anos.

E se isso aconteceu em LHS 1140 b, talvez o Universo esconda muitos outros mundos semelhantes esperando apenas que nossos telescópios consigam enxergá-los.

[Fonte: Ecuavisa]

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