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Tecnologia

A Geração Z está dormindo cada vez pior por causa das telas — e especialistas dizem que o problema já virou um hábito cultural

Celulares, redes sociais e conexão permanente estão alterando profundamente a rotina de sono dos jovens. Um novo estudo mostra que a maioria da Geração Z permanece acordada além do horário ideal para dormir, aumentando riscos ligados à saúde mental, fadiga e dificuldade de recuperação física.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Dormir oito horas por noite parece cada vez mais distante para boa parte da Geração Z. O problema não está apenas na falta de tempo, mas na dificuldade crescente de se desconectar. Entre vídeos curtos, notificações constantes, redes sociais e conversas intermináveis no celular, muitos jovens estão transformando a madrugada em uma extensão natural do dia.

Agora, um levantamento da Sleep Health Foundation reforça algo que especialistas em sono vêm alertando há anos: o uso noturno de telas está modificando profundamente os hábitos de descanso das novas gerações.

Segundo os dados da pesquisa, 93% das pessoas da Geração Z afirmam permanecer acordadas além do horário habitual de dormir, principalmente por causa do uso de redes sociais e dispositivos eletrônicos.

O impacto vai além do cansaço diário. Diversos estudos já associam a privação crônica de sono ao aumento do risco de ansiedade, depressão, problemas cognitivos e desgaste físico.

O celular substituiu o “fim natural” da noite

Dormir Celular
© Curated Lifestyle – Unsplash

Durante décadas, havia limites mais claros para o encerramento do dia. A televisão desligava, as luzes diminuíam e a rotina desacelerava gradualmente.

Hoje, isso praticamente desapareceu.

O smartphone criou um ambiente de conexão contínua onde não existe mais um “fim oficial” para a atividade social ou digital. Sempre há mais uma mensagem, mais um vídeo, mais uma notificação ou mais alguns minutos de rolagem infinita.

Segundo Daniela Escalona, especialista em sono da empresa Emma Colchón, dormir pouco deixou de ser visto como um problema e passou a ser tratado quase como parte normal da rotina moderna.

Ela afirma que a pressão para permanecer sempre disponível, combinada com horários irregulares e hiperconectividade constante, está criando uma geração que vai dormir tarde, descansa mal e acorda cansada diariamente.

O cérebro continua “ligado” durante a madrugada

O problema não envolve apenas o tempo gasto nas telas, mas também a forma como o cérebro reage a elas.

A luz emitida pelos dispositivos eletrônicos interfere na produção de melatonina, hormônio responsável pela regulação do sono. Isso dificulta o relaxamento natural do organismo e atrasa a sensação de sonolência.

Além disso, redes sociais e aplicativos são projetados justamente para manter atenção contínua. O cérebro permanece em estado de estímulo constante mesmo quando o corpo já deveria estar desacelerando.

O resultado é um padrão cada vez mais comum entre jovens: dificuldade para adormecer, sono fragmentado e sensação de cansaço mesmo após várias horas na cama.

Dormir menos de oito horas pode afetar a saúde mental

Dormir mal em um lugar desconhecido não é azar nem ansiedade gratuita: o que diz a ciência
© Pexels

Pesquisas recentes vêm associando privação de sono a diversos problemas psicológicos e emocionais.

Segundo os estudos citados no levantamento, jovens que dormem menos de oito horas por noite apresentam maior risco de desenvolver sintomas ligados à ansiedade, depressão e instabilidade emocional.

O sono é fundamental para processos de recuperação cerebral, consolidação de memória, equilíbrio hormonal e regulação emocional. Quando ele é constantemente interrompido ou reduzido, o organismo começa a acumular efeitos negativos ao longo do tempo.

Especialistas também alertam que a privação de sono pode afetar desempenho acadêmico, concentração, criatividade e até relações sociais.

Na América Latina, o problema também cresce rapidamente

A tendência não aparece apenas em estudos internacionais.

Na Colômbia, por exemplo, uma pesquisa global da IKEA revelou que a população dorme em média apenas 6 horas e 31 minutos por noite — abaixo das 7 a 8 horas recomendadas por especialistas.

O cenário é parecido em vários países latino-americanos, especialmente entre jovens adultos e adolescentes fortemente conectados ao ambiente digital.

A combinação entre jornadas irregulares, redes sociais, estresse e excesso de estímulos eletrônicos vem tornando o descanso adequado cada vez mais difícil.

Pequenas mudanças podem melhorar a qualidade do sono

Especialistas afirmam que ajustes simples já podem produzir resultados importantes.

Uma das principais recomendações é reduzir o uso do celular pouco antes de dormir. Criar horários regulares para deitar e acordar — inclusive nos fins de semana — também ajuda o organismo a estabilizar o relógio biológico.

O ambiente do quarto faz diferença. Locais escuros, silenciosos e com temperatura mais fresca favorecem o relaxamento cerebral e físico.

Algumas pessoas também se beneficiam do uso de sons constantes ou ruído branco para reduzir distrações externas.

Mas talvez o desafio mais difícil seja cultural.

Dormir bem deixou de ser prioridade para muita gente em uma rotina onde produtividade, conexão permanente e estímulo digital parecem nunca parar. E é justamente isso que começa a preocupar médicos e especialistas em saúde mental ao redor do mundo.

 

[ Fonte: El Tiempo ]

 

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