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Ciência

A Lua pode guardar vestígios de antigas tecnologias alienígenas?

Pesquisadores propõem examinar o solo lunar em busca de partículas microscópicas produzidas por tecnologias extraterrestres. A hipótese ainda não tem evidências, mas apresenta uma estratégia para investigar possíveis rastros.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A próxima pista na busca por inteligência extraterrestre poderia aparecer sob um microscópio. Uma equipe liderada por Lewis Pinault, pesquisador associado ao Instituto SETI, propõe procurar fragmentos tecnológicos no solo lunar. A ideia considera que partículas produzidas em outros sistemas estelares poderiam viajar pelo espaço e se acumular na Lua. O trabalho apresenta cálculos e métodos para testar essa possibilidade, sem anunciar qualquer descoberta de material alienígena.

Por que procurar no solo lunar

NASA encontra na Terra uma formação de 600 milhões de anos que parece ter vindo da Lua
© Unsplash

A proposta trata a Lua como um arquivo de materiais recebidos ao longo de bilhões de anos. Sua superfície acumula poeira e fragmentos provenientes do Sistema Solar e do espaço interestelar.

Em comparação com a Terra, o ambiente lunar oferece condições diferentes de preservação. Não existem oceanos, chuvas ou placas tectônicas que renovem continuamente a superfície como ocorre em nosso planeta.

Isso não significa que o terreno permaneça intocado. Impactos fragmentam e misturam o regolito, a camada de poeira e rochas que cobre a Lua. Esses processos precisam entrar nos cálculos sobre preservação e localização das partículas.

Segundo o Instituto SETI, a pesquisa propõe transformar essa hipótese em uma busca mensurável. O objetivo é investigar materiais que poderiam sobreviver por períodos muito superiores à duração das civilizações que os produziram.

Uma viagem interestelar cheia de obstáculos

O estudo disponível no arXiv analisa partículas em escala micrométrica e submicrométrica. Os autores consideram fatores como resistência dos materiais, interação com o gás interestelar e efeitos da radiação solar.

Nos cenários modelados, determinados grãos resistentes, com raio próximo de 0,3 micrômetro, poderiam atravessar grandes distâncias durante centenas de milhões de anos.

Sobreviver à viagem, porém, é apenas uma etapa. A partícula também precisaria chegar ao sistema Terra-Lua em condições compatíveis com sua preservação após o impacto.

Os cálculos indicam um caminho possível para uma pequena fração desses grãos, condicionado por processos físicos que alteram seu movimento. Portanto, o modelo não pressupõe que qualquer fragmento lançado por uma civilização distante terminaria preservado na Lua.

O artigo permanece apresentado como prepublicação. Os comunicados institucionais informam que o trabalho estava em avaliação no International Journal of Astrobiology.

Como distinguir tecnologia de uma pedra incomum

Encontrar um grão diferente não bastaria para demonstrar origem artificial. A proposta exige combinar imagens, análises químicas e estudos estruturais para comparar candidatos com materiais naturais.

Conforme explica a University College London sobre a estratégia de investigação, ferramentas de aprendizado de máquina ajudariam a selecionar partículas promissoras. Depois, técnicas laboratoriais examinariam suas propriedades com maior detalhe.

Outro requisito seria descartar contaminação humana. Fragmentos de equipamentos espaciais ou materiais introduzidos durante a coleta e o transporte não poderiam ser confundidos com tecnologia extraterrestre.

A dificuldade está justamente nessa sequência de verificações. Uma característica inesperada pode justificar investigação, mas sua interpretação depende de excluir explicações conhecidas antes de propor uma origem extraordinária.

Mesmo uma busca sem resultados teria utilidade

Cientistas propõem uma nova maneira de procurar civilizações alienígenas e ela começa na Lua
© Imagem gerada com IA

Os pesquisadores usam aproximadamente um metro cúbico de regolito como referência inicial. Esse volume representa um parâmetro para os modelos, sem garantir que alguma partícula tecnológica estaria presente.

Sob as hipóteses do estudo, uma busca sem detecções poderia limitar determinados cenários sobre a quantidade de detritos artificiais dispersos pela galáxia. Isso não provaria a inexistência de civilizações extraterrestres.

A equipe pretende desenvolver métodos analíticos na Terra antes de avançar para oportunidades de amostragem e investigação lunar. Análises de diferentes locais e volumes maiores poderiam ampliar o alcance dos testes.

A proposta acrescenta uma possibilidade à exploração da Lua: examinar sua poeira também como um possível registro material da história tecnológica da galáxia. Por enquanto, essa história continua sendo uma pergunta científica em aberto.

 

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