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Ciência

Naufrágio de 4.500 anos pode ser o mais antigo já encontrado

Vestígios de uma embarcação perto da ilha de Kekova, na Turquia, podem revelar o naufrágio mais antigo conhecido. A estimativa vem das cerâmicas recuperadas no local, já que a madeira desapareceu. Os pesquisadores ainda precisam refinar a datação e investigar os produtos transportados pelo navio.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Uma carga esquecida no fundo do Mediterrâneo está ajudando arqueólogos a reconstruir uma viagem realizada há milhares de anos. Perto da costa turca, recipientes de cerâmica sobreviveram muito depois do desaparecimento da embarcação que os transportava. A equipe estima que o naufrágio ocorreu entre 2700 e 2400 a.C., aproximadamente na época das grandes pirâmides egípcias. Se essa cronologia se confirmar, o sítio poderá estabelecer um novo recorde arqueológico.

A carga sobreviveu ao desaparecimento do barco

O arqueólogo Hakan Öniz, da Universidade Akdeniz, localizou o sítio em 2024, após receber pistas de navegadores locais. Os vestígios estavam próximos de Kekova, a oeste de Antalya, no sul da Turquia.

A descoberta reúne recipientes presos a uma encosta rochosa submersa. A madeira do barco não resistiu à exposição prolongada debaixo d’água, mas os objetos permitem investigar a atividade comercial que antecedeu o naufrágio.

Um relatório preliminar publicado no Journal of Maritime Archaeology descreve ânforas semelhantes a modelos levantinos do início da Idade do Bronze. Os pesquisadores examinaram peças recuperadas em 2024 e 2025, observando diferenças na argila, na fabricação e na decoração.

O levantamento também registrou três âncoras de pedra nas proximidades. Entretanto, os autores ressaltam que ainda não sabem quais delas, se alguma, pertenciam à embarcação. Essa distinção importa para reconstruir o conjunto sem associar automaticamente todos os objetos encontrados na mesma área.

Como os arqueólogos estimam a idade

A cerâmica oferece pistas mesmo quando a estrutura de um navio desaparece. Formatos, técnicas de fabricação e características decorativas podem ser comparados com materiais de outros sítios arqueológicos.

Karin Sowada, especialista da Universidade Macquarie que participou da investigação, explica que a cronologia de Kekova permanece provisória. Em seu relato sobre o trabalho da equipe, ela admite a possibilidade de datas anteriores ou posteriores ao intervalo inicialmente proposto.

A estimativa coloca o naufrágio em torno de 4.500 anos atrás. Isso o tornaria mais antigo que o sítio de Dokos, na Grécia, geralmente situado em aproximadamente 4.200 anos.

Essa comparação trata de vestígios de naufrágios, mesmo sem um casco preservado. Encontrar uma carga antiga e localizar um navio ainda inteiro são descobertas diferentes, que oferecem tipos distintos de informação sobre a navegação do passado. The Lighthouse

Retirar os objetos do mar exige cuidados

A recuperação das peças também representa um desafio. Em entrevista à ABC australiana, Sowada contou que parte do material estava fortemente aderida às rochas e coberta por organismos marinhos.

Depois da retirada, os recipientes passam por tratamentos para remover os sais acumulados. Sem conservação adequada, objetos que resistiram por milênios debaixo d’água podem começar a se deteriorar na superfície.

Alguns recipientes ainda conservam resíduos. A identificação desses materiais poderá esclarecer o que a embarcação transportava, mas os testes permanecem em andamento. Por enquanto, não existe uma resposta definitiva sobre o conteúdo de cada vaso ou a história completa da viagem.

Uma pista sobre o comércio antes dos grandes impérios

O interesse pelo sítio vai além de estabelecer um recorde. Os recipientes podem ajudar a entender como mercadorias circulavam entre comunidades do Mediterrâneo oriental no terceiro milênio antes de Cristo.

A procedência exata das peças, a rota do barco e as circunstâncias do naufrágio continuam abertas à investigação. Ao combinar análises da carga com novas escavações, os arqueólogos poderão transformar esses objetos dispersos em evidências mais precisas sobre uma das fases menos conhecidas do comércio marítimo antigo.

 

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