A Lua parece um mundo completamente seco, mas sabemos há anos que essa impressão está errada. Existem reservas de água congelada em regiões que praticamente nunca recebem luz solar, especialmente dentro de crateras próximas ao Polo Sul.
Também foram encontrados sinais de água no regolito, a camada de poeira e fragmentos de rocha que cobre a superfície lunar.
Para as futuras missões tripuladas, isso representa muito mais do que uma curiosidade científica. Se conseguirmos extrair e processar essa água diretamente na Lua, ela poderá reduzir drasticamente a quantidade de recursos que precisarão ser transportados da Terra.
O problema é que chegar até ela e transformá-la em algo realmente aproveitável continua sendo um enorme desafio tecnológico.
O Polo Sul concentra algumas das reservas mais interessantes

As regiões permanentemente sombreadas próximas ao Polo Sul são particularmente importantes porque suas temperaturas extremamente baixas permitem que o gelo permaneça preservado por longos períodos.
Esse recurso poderia ter várias aplicações.
Depois de extraída e purificada, a água poderia ser utilizada para consumo humano. Também seria possível separá-la em hidrogênio e oxigênio por meio de eletrólise.
O oxigênio serviria para os sistemas de suporte à vida, enquanto hidrogênio e oxigênio poderiam ser empregados na produção de propelentes.
Na prática, isso significa que a Lua poderia fornecer parte dos recursos necessários para sustentar seus próprios habitantes e até abastecer futuras missões espaciais.
O grande desafio é evitar depender da Terra
Enviar equipamentos, alimentos, água e materiais de construção da Terra para a Lua custa caro e exige uma enorme infraestrutura.
Por isso, pesquisadores estão estudando formas de utilizar tudo aquilo que já existe na superfície lunar.
Na Universidade Técnica de Freiberg, na Alemanha, cientistas e estudantes desenvolvem tecnologias destinadas a uma possível presença humana permanente na Lua.
Uma das linhas de pesquisa envolve rovers capazes de procurar matérias-primas, extraí-las e transportá-las.
No futuro, algumas dessas máquinas poderiam até ter componentes fabricados diretamente na Lua utilizando impressão 3D.
Outro objetivo é desenvolver sistemas eficientes para reciclar água, ar e outros recursos essenciais. Quanto mais fechado for esse ciclo, menor será a dependência de missões constantes de abastecimento vindas da Terra.
Até a poeira lunar pode virar material de construção
A mesma lógica vale para as futuras casas lunares.
Transportar toneladas de cimento, tijolos ou estruturas metálicas desde a Terra seria pouco prático. Uma alternativa seria aproveitar o regolito.
Esse material é formado principalmente por poeira, fragmentos de rocha e outros detritos que cobrem a superfície da Lua.
Pesquisadores estudam maneiras de processá-lo e utilizá-lo como matéria-prima para impressão 3D de estruturas, blocos e outros componentes.
Uma possibilidade seria enviar módulos habitáveis relativamente leves e infláveis. Depois de instalados, robôs cobririam essas estruturas com espessas camadas de regolito.
Isso teria uma vantagem adicional: a própria poeira lunar poderia ajudar a proteger os astronautas da radiação espacial.
Uma base lunar teria que aprender a usar o que existe ao redor

Grande parte dessas tecnologias ainda está em fase experimental. Construir uma base autossuficiente na Lua continua sendo um objetivo muito mais complexo do que simplesmente pousar astronautas em sua superfície.
Ainda assim, o princípio que orienta essas pesquisas é relativamente simples.
Quanto menos recursos precisarem ser transportados da Terra, mais sustentável poderá se tornar uma presença humana prolongada na Lua.
É por isso que água, gelo e até a aparentemente incômoda poeira lunar se tornaram recursos tão importantes.
A Lua pode não oferecer um ambiente acolhedor para os seres humanos. Mas já sabemos que ela guarda pelo menos parte dos materiais necessários para tornar possível uma permanência muito mais longa por lá.
[ Fonte: DW ]