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Tecnologia

A Meta prepara uma avalanche de recursos pagos para Instagram, WhatsApp e Facebook — de IA generativa a funções “secretas” de stories

A Meta estaria testando novos pacotes de assinaturas com recursos premium para suas principais redes sociais. As novidades vão desde ferramentas de produtividade e geração de vídeos com IA até funções curiosas, como ver stories anonimamente. A proposta é transformar a experiência do usuário comum — mas tudo indica que isso virá acompanhado de novas mensalidades.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Depois de levar a lógica das assinaturas para a verificação de perfis, a Meta parece pronta para dar um passo bem maior. Segundo informações do TechCrunch, a empresa prepara uma série de recursos pagos que devem chegar ao Instagram, WhatsApp e Facebook em diferentes combinações. A ideia é criar pacotes distintos de funcionalidades premium, ampliando o modelo iniciado com o Meta Verified e apostando pesado em inteligência artificial para convencer usuários comuns a abrir a carteira.

Pacotes de recursos pagos em vez de uma única assinatura

Diferentemente do Meta Verified — lançado após o X popularizar a verificação paga —, os novos planos não devem se limitar a um selo azul e camadas extras de segurança. A Meta estaria desenvolvendo vários bundles de funcionalidades, distribuídos entre seus três aplicativos, com propostas diferentes para cada plataforma.

A promessa é adicionar ferramentas que, em teoria, melhorem a experiência cotidiana: recursos de produtividade, criação de conteúdo e até geração de vídeos com IA. Ou seja, não é apenas um produto voltado para influenciadores ou celebridades, mas uma tentativa clara de monetizar a base gigantesca de usuários “comuns”.

Esse movimento reforça uma tendência já visível no setor: redes sociais deixando de depender exclusivamente de publicidade e passando a explorar modelos híbridos, combinando anúncios com assinaturas.

A aposta em agentes de IA entra no jogo

Um dos pilares dessa nova ofensiva pode ser a Manus, empresa de agentes de inteligência artificial adquirida recentemente pela Meta por cerca de US$ 2 bilhões. Na época da compra, a companhia tinha sede em Singapura, embora tenha sido fundada originalmente na China — algo que levou a Meta a garantir publicamente que não manteria vínculos com o país após a conclusão do negócio.

Agora, sinais dessa integração já começam a aparecer. O pesquisador de aplicativos Alessandro Paluzzi afirma ter encontrado, escondida no código do Instagram, uma função ligada à Manus. Se confirmada, ela permitiria aos usuários “pesquisar, criar e construir com a Manus”, sugerindo uma espécie de assistente avançado dentro da própria rede social.

Na prática, isso pode significar desde ajuda automatizada para criação de posts até fluxos mais complexos de produção de conteúdo, com IA participando ativamente do processo criativo.

Funções curiosas (e um pouco adolescentes)

Nem tudo, porém, gira em torno de produtividade ou inteligência artificial de ponta. Paluzzi também afirma ter identificado recursos bem mais… sociais.

Entre eles, estariam opções para destacar quais perfis você segue que não seguem de volta — uma funcionalidade que costuma fazer sucesso em apps de terceiros — e a possibilidade de visualizar stories de forma anônima, sem deixar rastros.

São ferramentas que apelam diretamente para dinâmicas de curiosidade, comparação e vigilância social, elementos que sempre impulsionaram o engajamento nas plataformas. Colocá-las atrás de um paywall pode ser uma forma de transformar esse interesse em receita recorrente.

O plano maior da Meta

Visto em conjunto, o movimento aponta para uma mudança estrutural na estratégia da empresa. A Meta quer transformar seus aplicativos em plataformas com camadas premium, nas quais parte das melhores funções fica reservada a assinantes.

Isso também ajuda a justificar os investimentos bilionários em IA. Em vez de oferecer tudo gratuitamente, a empresa pode posicionar recursos avançados — como agentes inteligentes e ferramentas criativas — como diferenciais pagos.

Para o usuário, isso significa uma experiência cada vez mais fragmentada: quem não paga continua com as funções básicas; quem assina ganha atalhos, automações e vantagens sociais.

O que esperar nos próximos meses

Por enquanto, a Meta não confirmou oficialmente datas nem detalhes de preços. O que se sabe é que múltiplos formatos de assinatura estariam em teste, com combinações diferentes de recursos entre Instagram, WhatsApp e Facebook.

Se a estratégia avançar como esperado, 2026 pode marcar uma nova fase para as redes da empresa: menos dependência exclusiva de anúncios e mais foco em monetização direta da audiência.

No fim das contas, a pergunta deixa de ser se haverá mais funções pagas — tudo indica que sim — e passa a ser até que ponto os usuários estarão dispostos a pagar por conveniência, IA e pequenos “superpoderes” sociais.

Para a Meta, trata-se de transformar engajamento em receita previsível. Para quem usa as plataformas todos os dias, é o começo de uma era em que participar plenamente do ecossistema pode exigir algo além de tempo e atenção: uma assinatura mensal.

 

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