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Ciência

A morte do Sol pode ser ainda mais destrutiva: nem Júpiter e os gigantes gasosos estariam seguros

Durante muito tempo, os planetas mais distantes pareciam ter boas chances de sobreviver à morte do Sol. Novos modelos, porém, indicam que até os gigantes gasosos podem acabar expulsos do Sistema Solar muito antes do previsto.
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Tempo de leitura: 4 minutos

O destino de Mercúrio e Vênus nunca pareceu particularmente promissor. Quando o Sol esgotar o hidrogênio de seu núcleo, daqui a cerca de 5 bilhões de anos, ele começará uma transformação radical até se tornar uma gigante vermelha, aumentando enormemente de tamanho.

Mercúrio e Vênus provavelmente serão engolidos. A situação da Terra é mais complicada e ainda depende de como diferentes efeitos gravitacionais e de maré atuarão durante essa transformação.

Júpiter, Saturno, Urano e Netuno pareciam estar muito mais seguros. Afinal, estão suficientemente distantes para escapar da expansão inicial do Sol.

Mas sobreviver à gigante vermelha pode ser apenas o começo do problema.

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© unsplash

Atualmente, nossa estrela está na chamada sequência principal. No núcleo, o Sol transforma hidrogênio em hélio por meio da fusão nuclear, liberando a energia que mantém seu equilíbrio.

Quando esse combustível começar a acabar, esse equilíbrio será alterado.

O núcleo vai se contrair e aquecer, enquanto as regiões externas da estrela se expandirão drasticamente. O Sol entrará então na fase de gigante vermelha.

A dimensão dessa transformação é difícil de imaginar. A própria NASA explica que estrelas semelhantes ao Sol passam por uma expansão gigantesca antes de expulsar suas camadas externas e terminar suas vidas como anãs brancas.

Observações recentes do telescópio James Webb de sistemas que já passaram por esse processo também estão permitindo aos astrônomos entender melhor o que pode acontecer com planetas gigantes depois da morte de suas estrelas.

A Terra pode escapar do Sol — mas existe outro problema

O destino do nosso planeta é particularmente interessante.

Conforme envelhece, o Sol não apenas aumenta de tamanho. Ele também perde uma quantidade considerável de massa.

Com menos massa, sua influência gravitacional diminui. Em princípio, isso faria a órbita terrestre se expandir, potencialmente afastando a Terra da superfície crescente da gigante vermelha.

Mas existe um efeito contrário.

As interações de maré entre a Terra e o Sol expandido podem retirar energia orbital do planeta. Nesse cenário, em vez de permanecer suficientemente distante, a Terra poderia se aproximar gradualmente e acabar engolida.

Mesmo que sobrevivesse fisicamente, porém, o planeta já teria se tornado completamente inabitável muito antes disso.

Júpiter e Saturno também podem ter os dias contados

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Os gigantes gasosos estão muito mais distantes e devem escapar da expansão inicial da estrela.

O problema aparece depois.

Quando o Sol perder massa, as órbitas dos planetas externos deverão se expandir. Ao mesmo tempo, o equilíbrio gravitacional que mantém o Sistema Solar relativamente estável será modificado.

Novas simulações sugerem que essa reorganização pode desestabilizar as órbitas dos gigantes gasosos.

O resultado seria bastante diferente de Júpiter simplesmente continuar orbitando tranquilamente uma anã branca durante dezenas de bilhões de anos.

Os planetas poderiam acabar expulsos.

Interações gravitacionais entre Júpiter, Saturno, Urano e Netuno seriam suficientes para lançar alguns deles para fora do Sistema Solar, transformando-os em mundos errantes pelo espaço interestelar.

O Sistema Solar pode desaparecer antes do que imaginávamos

Modelos anteriores indicavam que os planetas externos poderiam permanecer ligados ao remanescente solar por períodos extremamente longos, potencialmente dezenas ou até centenas de bilhões de anos.

As novas estimativas encurtam radicalmente essa escala.

A instabilidade poderia surgir cerca de 1 bilhão de anos depois da fase de gigante vermelha. Isso colocaria o desmantelamento do Sistema Solar em uma escala inferior a 10 bilhões de anos a partir de agora.

Em termos humanos, continua sendo uma eternidade. Em termos cosmológicos, é surpreendentemente rápido: o próprio Universo tem aproximadamente 13,8 bilhões de anos.

Já encontramos um planeta que sobreviveu à morte de sua estrela

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© Pixabay

Existe, porém, uma evidência fascinante de que gigantes gasosos podem sobreviver a pelo menos parte desse caos.

Em 2026, observações realizadas com o telescópio espacial James Webb permitiram estudar detalhadamente WD 1856 b, um planeta gigante que orbita uma anã branca.

Sua estrela passou pela fase de gigante vermelha bilhões de anos atrás e, mesmo assim, o planeta continua existindo.

Os pesquisadores conseguiram inclusive analisar sua atmosfera. O estudo, publicado na revista Nature, revelou um mundo rico em metano e aerossóis, com massa estimada entre aproximadamente quatro e 11 vezes a de Júpiter.

O caso demonstra que sobreviver à morte de uma estrela é possível.

Mas sobreviver não significa permanecer para sempre.

O fim do Sol será também o fim do Sistema Solar como conhecemos

O futuro distante começa, portanto, a parecer mais turbulento.

Mercúrio e Vênus provavelmente serão destruídos durante a expansão do Sol. A Terra permanece em uma zona de incerteza. Os gigantes gasosos podem resistir à gigante vermelha, mas enfrentar posteriormente uma longa batalha gravitacional.

No final, talvez nenhum dos oito planetas permaneça orbitando aquilo que restará do Sol.

Nossa estrela terminará como uma pequena anã branca. E os mundos que hoje formam o Sistema Solar poderão ter sido destruídos, transformados ou lançados para a escuridão do espaço interestelar.

Não será apenas a morte do Sol.

Pode ser, literalmente, o desmonte de todo o Sistema Solar.

 

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