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Ciência

A NASA vai lançar um novo telescópio espacial para caçar asteroides invisíveis — e antecipar impactos que hoje ainda passam despercebidos

Batizada de NEO Surveyor, a missão promete revolucionar a defesa planetária ao identificar asteroides próximos da Terra que permanecem ocultos pelo brilho do Sol. Com tecnologia infravermelha e início das operações previsto para 2027, o telescópio deve preencher lacunas críticas no monitoramento de ameaças cósmicas e ampliar nosso conhecimento sobre a origem do Sistema Solar.
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Tempo de leitura: 4 minutos

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© https://x.com/DayanandPa1995/

Asteroides e cometas cruzam o Sistema Solar o tempo todo. Muitos têm órbitas bem conhecidas, mas outros seguem praticamente invisíveis, escondidos pela intensa luz do Sol ou fora do alcance dos telescópios terrestres. Para lidar com esse ponto cego, a NASA prepara um dos projetos mais ambiciosos já concebidos em defesa planetária: o NEO Surveyor.

Previsto para iniciar suas operações em setembro de 2027, o telescópio espacial foi projetado especificamente para localizar objetos próximos da Terra que podem representar riscos reais de colisão. A missão surge tanto como resposta a um mandato legal do Congresso dos Estados Unidos quanto como reação científica a eventos como o de Cheliábinsk, em 2013, quando um meteoro de cerca de 20 metros explodiu na atmosfera e causou danos a milhares de edifícios.

Por que o NEO Surveyor é diferente

Segundo a NASA, o NEO Surveyor será o primeiro telescópio espacial construído exclusivamente para detectar grandes quantidades de asteroides e cometas potencialmente perigosos. O foco principal está nos chamados objetos com mais de 140 metros de diâmetro — apelidados de “assassinos de cidades” por seu poder destrutivo. Um impacto desse porte poderia liberar energia equivalente a cerca de 300 milhões de toneladas de TNT.

O grande diferencial da missão é o uso de sensores infravermelhos. Muitos asteroides são escuros e refletem pouca luz visível, o que dificulta sua detecção por telescópios convencionais. No infravermelho, porém, esses corpos se revelam ao emitir calor após absorverem a energia solar. Isso permite localizar objetos que se movem na direção do Sol ou que compartilham a órbita da Terra — justamente os mais difíceis de observar a partir do solo.

Para que os sensores funcionem corretamente, o telescópio precisa operar em temperaturas extremamente baixas. Por isso, o instrumento é acoplado à nave por suportes altamente isolantes, que bloqueiam a transferência de calor. Essa estabilidade térmica é essencial para o espelho de 50 centímetros e para os detectores infravermelhos de alta precisão.

Um mapa incompleto de ameaças reais

As estimativas atuais indicam que existam cerca de 25 mil asteroides potencialmente perigosos com mais de 140 metros. No entanto, menos da metade deles foi identificada até agora. Dados atualizados da NASA mostram que, até dezembro de 2025, foram catalogados pouco mais de 11.400 objetos desse tipo.

No total, a humanidade já descobriu mais de 40 mil asteroides próximos da Terra de todos os tamanhos. Os maiores — com mais de um quilômetro, capazes de causar extinções globais — estão quase todos mapeados. O verdadeiro desafio está nos objetos intermediários, grandes o suficiente para devastar regiões inteiras, mas pequenos demais para serem facilmente detectados.

Esse risco não é teórico. Apenas no último ano, quase 200 asteroides conhecidos passaram a uma distância menor do que a que separa a Terra da Lua.

Um ponto estratégico entre a Terra e o Sol

Para maximizar sua eficiência, o NEO Surveyor será posicionado no ponto de Lagrange L1, a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra, entre o planeta e o Sol. Dali, o telescópio terá uma visão privilegiada das regiões que hoje ficam “cegas” para os observatórios terrestres por causa do brilho solar.

Amy Mainzer, astrônoma da Universidade da Califórnia em Los Angeles e investigadora principal da missão, resumiu o momento em entrevista à revista Science: ver o projeto sair de esboços conceituais para hardware real é, segundo ela, “realmente impressionante”.

De detectar a desviar: a defesa planetária em ação

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© Romolo Tavani – shutterstock

Localizar asteroides é apenas parte da estratégia. A NASA já demonstrou que também é possível alterar suas trajetórias. Em 2022, a missão DART colidiu deliberadamente com o asteroide Dimorphos, de cerca de 160 metros, reduzindo seu período orbital em 32 minutos. O teste confirmou que o chamado impacto cinético pode funcionar como método de defesa planetária.

O NEO Surveyor entra nesse cenário como o sistema de alerta antecipado, responsável por encontrar ameaças com antecedência suficiente para qualquer ação de mitigação.

Ciência além da proteção

Além da segurança, a missão terá enorme valor científico. Os dados coletados ajudarão a entender a composição dos asteroides próximos da Terra e sua relação com a formação do Sistema Solar. Evidências químicas indicam que foram esses corpos rochosos, e não os cometas, os principais responsáveis por trazer água ao nosso planeta.

Em conjunto com observatórios como o Vera C. Rubin, no Chile, o James Webb Space Telescope e futuras missões europeias, o NEO Surveyor amplia de forma decisiva o alcance da astronomia moderna.

Ao transformar o espaço em um território mais previsível, o novo telescópio não apenas protege a Terra, mas também nos aproxima das respostas sobre nossas próprias origens cósmicas.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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