O conceito de trabalho “alternativo” deixou de ser exceção para se tornar tendência. Com o avanço da tecnologia e o desejo crescente por autonomia, a economia colaborativa está reformulando a maneira como os jovens constroem suas trajetórias profissionais. Descubra o que está impulsionando essa transformação e por que a Geração Z lidera o movimento.
A ascensão meteórica da economia colaborativa
De acordo com um novo relatório da Ogilvy Consulting, até 2027 metade dos trabalhadores do mundo desenvolvido fará parte da economia colaborativa. Inicialmente impulsionado por inovações tecnológicas e políticas de corte de custos, o trabalho freelance evoluiu para atender ao desejo dos jovens de controlar suas carreiras e encontrar equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
“Os jovens querem construir suas próprias narrativas”, explica Reid Litman, diretor global da Ogilvy Consulting e coautor do relatório. “Eles não confiam mais nos modelos tradicionais.”
Incerteza e inovação: o contexto da Geração Z

Criados em tempos de instabilidade — com pandemias, crises políticas e demissões em massa —, os membros da Geração Z sabem que a educação tradicional já não garante uma carreira estável. Além disso, muitas empresas sentem que os jovens profissionais chegam despreparados para ascender rapidamente nas estruturas corporativas.
Nesse cenário, surge a chamada “economia dos criadores”, que engloba influencers, freelancers e empreendedores que monetizam sua imagem ou habilidades. Antes considerado apenas um passatempo, o conteúdo digital se tornou um negócio sério: estima-se que esse setor movimentará cerca de 529 bilhões de dólares até 2030, segundo a Coherent Market Insights.
Empresas precisam se adaptar para atrair novos talentos
Para permanecer competitivas, as empresas devem entender e adotar o novo modelo de trabalho que atrai a Geração Z. Litman alerta que muitos empregadores ainda enxergam a alta rotatividade como um problema exclusivo dos jovens — quando, na verdade, ela reflete mudanças socioeconômicas mais amplas.
Hoje, é natural que um profissional da Geração Z tenha diversas carreiras ao longo da vida, diferentemente das gerações anteriores. Adaptar-se a essa realidade é essencial para conquistar sua lealdade.
Estratégias para engajar a Geração Z
Litman propõe que as empresas derrubem barreiras tradicionais entre a identidade pessoal, profissional e criativa dos colaboradores. Algumas iniciativas práticas incluem:
- Eventos de networking e mentoria com especialistas internos e externos.
- Programas de job rotation que permitam aos funcionários explorar outras áreas da empresa periodicamente.
- Investimento em educação continuada, com acesso a plataformas de aprendizado de alta qualidade, permitindo que os colaboradores escolham cursos alinhados aos seus interesses e metas profissionais.
Segundo Litman, as empresas devem se tornar “a universidade que seus colaboradores nunca tiveram”, oferecendo capacitação contínua e personalizada.
Valorizar projetos pessoais: um novo diferencial
Ao invés de desencorajar projetos paralelos, as empresas devem apoiar os interesses e empreendimentos pessoais de seus funcionários. Litman defende que, ao investir em iniciativas lideradas pelos próprios colaboradores — como projetos no Etsy ou cursos oferecidos pela plataforma Maven —, as empresas criam equipes mais dinâmicas e inovadoras.
“Construir o futuro da renda e da aprendizagem exige repensar a maneira como vemos a Geração Z”, afirma Litman. Em um mundo onde opções e flexibilidade são abundantes, conquistar a confiança dos jovens profissionais passa por reconhecer e apoiar sua identidade integral.
Fonte: Infobae