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A operação que parecia rotina e escondia um dos esquemas mais ousados do país

Uma quadrilha agia nos bastidores do maior aeroporto do Brasil com uma tática surpreendente: trocava etiquetas de malas para enviar drogas ao exterior. Por trás do falso check-in e do acesso à área restrita, revelações chocantes vieram à tona e envolveram até funcionárias de companhias aéreas.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante meses, um esquema altamente articulado burlou os sistemas de segurança de um dos aeroportos mais movimentados da América Latina. O que parecia uma operação comum de despacho de bagagens escondia uma sofisticada rede criminosa de tráfico internacional. Agora, com as prisões e condenações em curso, os detalhes dessa estratégia engenhosa e perigosa foram finalmente expostos.

Falso check-in e despachos clandestinos

A operação que parecia rotina e escondia um dos esquemas mais ousados do país
© Pexels

O esquema teve início com a participação direta de funcionárias do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Uma delas, Tamiris Zacharias, de 31 anos, atuava na Gol Linhas Aéreas e era responsável por realizar um suposto check-in de malas carregadas com cocaína.

Em um dos flagrantes, imagens captadas em julho de 2023 mostram Tamiris ao lado de um homem com uma mala que continha 43 quilos da droga. Ela finge o atendimento, coloca a bagagem na esteira e a despacha para Lisboa, sem emitir nenhum comprovante. A mala foi apreendida pelas autoridades portuguesas, mas ninguém apareceu para buscá-la.

Além de Tamiris, outra mulher envolvida foi Carolina Pennachiotti, de 35 anos, contratada por uma empresa terceirizada para orientar passageiros. Interceptações telefônicas revelaram que ela também participava ativamente da operação, conforme mensagens de áudio enviadas à própria mãe.

Acesso à área restrita e troca de etiquetas

Após o check-in simulado, a segunda etapa do plano se dava em uma área restrita do aeroporto, onde as malas transitam antes de serem embarcadas. Neste ponto, a quadrilha contava com o auxílio de funcionários terceirizados, como Deivid Souza Lima e Pedro Venâncio.

Ambos foram flagrados por câmeras de segurança trocando etiquetas de bagagens. Eles retiravam etiquetas legítimas e as colocavam em malas carregadas com drogas, misturando-as entre as malas verdadeiras dos passageiros. A movimentação era feita de forma discreta, sem levantar suspeitas da segurança aeroportuária.

Esse mesmo método foi usado pouco antes de duas brasileiras serem presas injustamente na Alemanha. As duas vítimas do esquema ficaram detidas por 38 dias, mesmo sendo inocentes.

Prisões, confissões e condenações

Em agosto de 2023, seis integrantes do grupo foram condenados pela Justiça. Entre eles, nomes apontados como peças-chave do tráfico: ‘Vovô’, ‘Brutus’, ‘Charles’, ‘Man’, ‘Bahia’ e Carolina. Segundo a Polícia Federal, esses indivíduos faziam parte do núcleo estratégico da operação criminosa.

As investigações revelaram que alguns desses nomes eram considerados “mentores intelectuais” e “chefes do esquema”, responsáveis por planejar toda a logística da movimentação das drogas para fora do país.

Durante a apuração, a PF identificou o uso de senhas como “futebol” para se referir às remessas de entorpecentes. Essas informações foram obtidas a partir da análise de mensagens em celulares apreendidos com os envolvidos.

Na terça-feira, 22, um dos principais líderes da quadrilha, foragido há mais de dois anos, foi finalmente capturado pela Polícia Federal, encerrando uma das pontas soltas mais importantes da investigação.

Consequências e envolvimento das empresas

Tamiris, funcionária da Gol, foi demitida e admitiu participação no esquema. A empresa afirmou que colabora com as investigações desde o início. Já a WFS Orbital, responsável pela contratação de Carolina, disse estar prestando apoio às autoridades e reforçando o treinamento de seus colaboradores.

Os advogados de Deivid e Pedro Venâncio optaram por não comentar o caso. Já a defesa de Carolina alegou, na época, que a prisão representava uma violação das normas legais e que provaria sua inocência.

Apesar das prisões e condenações, o caso continua chamando atenção pela complexidade da operação e pelo fato de ter envolvido funcionários com acesso a áreas estratégicas, desafiando os protocolos de segurança aeroportuária e gerando repercussão internacional.

[Fonte: Terra]

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