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Ciência

A raça bovina gigante que desafia pecuaristas com sua força e temperamento

Com um porte impressionante e fama de agressividade, o gado Chianina se destaca como uma das raças mais robustas do mundo. Criadores especializados enfrentam desafios únicos no manejo dessa raça, enquanto sua carne premium atrai cada vez mais atenção no mercado global.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A origem e evolução da raça Chianina

Originário da Itália, o gado Chianina tem uma história de mais de 2.200 anos. Inicialmente utilizado para tração agrícola devido à sua força e resistência, o rebanho passou a ser valorizado pela produção de carne de alta qualidade. A raça é conhecida pelo rápido crescimento, com bezerros que nascem com cerca de 50 kg e atingem o peso de abate de 650 kg em apenas 16 a 18 meses.

Com um rendimento de carcaça entre 60% e 65%, o Chianina se tornou referência em eficiência produtiva. Além do tamanho impressionante, a raça possui músculos bem definidos e uma coloração branca característica, que lhe rendeu o apelido de “gigante branco”.

A Fazenda Agricola Collivecchi e o manejo do gado Chianina

Na região da Úmbria, na Itália, a Fazenda Agricola Collivecchi é um exemplo do manejo especializado dessa raça. Administrada pelos irmãos Daniele e Dario Mecarelli, a propriedade se destaca pela combinação entre tradição e inovação na criação de Chianina.

Com um rebanho de 70 cabeças, incluindo 31 vacas, 12 novilhas e um touro, a fazenda investe em pastagens naturais e alimentação balanceada. Além da produção de carne, a propriedade mantém uma pousada e um restaurante, garantindo uma fonte adicional de renda e valorização da marca.

Daniele Mecarelli destaca que o gado Chianina se adapta bem ao calor e tem alta resistência a doenças, mas exige um manejo atento devido ao seu temperamento agressivo, principalmente durante a reprodução.

Carne premium e valorização no mercado

A carne do Chianina é reconhecida pela qualidade superior, com alta marmorização e suculência. Protegida pelo selo DOP (Denominação de Origem Protegida), é comercializada em cortes premium sob a certificação do Consorzio Produttori Carne Bovina Pregiata delle Razze Italiane.

Os preços variam conforme o tipo de corte e o mercado de destino. Em média, o valor é de 6,2 euros (cerca de R$ 39,81) por quilo para machos e 7,1 euros (aproximadamente R$ 45,59) para fêmeas. Para aumentar a lucratividade, a fazenda aposta na venda direta ao consumidor, eliminando intermediários e agregando valor ao produto final.

A dieta dos animais é cuidadosamente planejada, composta por 40% de milho, 20% de cevada, 20% de triticale, 5% de soja e outros minerais. Apesar de autossuficiente em feno, a fazenda enfrenta desafios climáticos, como secas que impactam a produção de forragem.

Desafios no manejo e reprodução da raça

Devido ao seu porte e temperamento forte, o gado Chianina exige um controle rigoroso na seleção genética. A fazenda segue um livro certificado de genética para escolher touros com temperamento mais dócil, minimizando riscos no manejo.

Os touros, cujo valor pode variar entre 4.000 e 8.000 euros (entre R$ 51.373,60 e R$ 102.747,20), desempenham um papel essencial no sucesso reprodutivo da fazenda. Daniele destaca que a longevidade das vacas, que podem ser reprodutoras até os 18 anos, é um fator positivo para a sustentabilidade do negócio.

Além do controle genético, a fazenda adota protocolos rigorosos de vacinação e prevenção de doenças, garantindo a saúde do rebanho. O subsídio europeu de 150 euros por hectare também contribui para manter a viabilidade econômica da propriedade.

O futuro da criação de Chianina

Apesar dos desafios, a raça Chianina continua sendo uma das mais valorizadas da pecuária italiana. Sua resistência, eficiência produtiva e carne premium atraem criadores e consumidores exigentes.

A combinação entre tradição e inovação na Fazenda Agricola Collivecchi demonstra que, com manejo adequado, é possível criar esse gigante da pecuária com segurança e rentabilidade. O Chianina segue como um símbolo de excelência no setor, conquistando cada vez mais espaço no mercado internacional de carnes nobres.

[Fonte: Diário do Acre]

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