A origem e evolução da raça Chianina
Originário da Itália, o gado Chianina tem uma história de mais de 2.200 anos. Inicialmente utilizado para tração agrícola devido à sua força e resistência, o rebanho passou a ser valorizado pela produção de carne de alta qualidade. A raça é conhecida pelo rápido crescimento, com bezerros que nascem com cerca de 50 kg e atingem o peso de abate de 650 kg em apenas 16 a 18 meses.
Com um rendimento de carcaça entre 60% e 65%, o Chianina se tornou referência em eficiência produtiva. Além do tamanho impressionante, a raça possui músculos bem definidos e uma coloração branca característica, que lhe rendeu o apelido de “gigante branco”.
A Fazenda Agricola Collivecchi e o manejo do gado Chianina
Na região da Úmbria, na Itália, a Fazenda Agricola Collivecchi é um exemplo do manejo especializado dessa raça. Administrada pelos irmãos Daniele e Dario Mecarelli, a propriedade se destaca pela combinação entre tradição e inovação na criação de Chianina.
Com um rebanho de 70 cabeças, incluindo 31 vacas, 12 novilhas e um touro, a fazenda investe em pastagens naturais e alimentação balanceada. Além da produção de carne, a propriedade mantém uma pousada e um restaurante, garantindo uma fonte adicional de renda e valorização da marca.
Daniele Mecarelli destaca que o gado Chianina se adapta bem ao calor e tem alta resistência a doenças, mas exige um manejo atento devido ao seu temperamento agressivo, principalmente durante a reprodução.
Carne premium e valorização no mercado
A carne do Chianina é reconhecida pela qualidade superior, com alta marmorização e suculência. Protegida pelo selo DOP (Denominação de Origem Protegida), é comercializada em cortes premium sob a certificação do Consorzio Produttori Carne Bovina Pregiata delle Razze Italiane.
Os preços variam conforme o tipo de corte e o mercado de destino. Em média, o valor é de 6,2 euros (cerca de R$ 39,81) por quilo para machos e 7,1 euros (aproximadamente R$ 45,59) para fêmeas. Para aumentar a lucratividade, a fazenda aposta na venda direta ao consumidor, eliminando intermediários e agregando valor ao produto final.
A dieta dos animais é cuidadosamente planejada, composta por 40% de milho, 20% de cevada, 20% de triticale, 5% de soja e outros minerais. Apesar de autossuficiente em feno, a fazenda enfrenta desafios climáticos, como secas que impactam a produção de forragem.
Desafios no manejo e reprodução da raça
Devido ao seu porte e temperamento forte, o gado Chianina exige um controle rigoroso na seleção genética. A fazenda segue um livro certificado de genética para escolher touros com temperamento mais dócil, minimizando riscos no manejo.
Os touros, cujo valor pode variar entre 4.000 e 8.000 euros (entre R$ 51.373,60 e R$ 102.747,20), desempenham um papel essencial no sucesso reprodutivo da fazenda. Daniele destaca que a longevidade das vacas, que podem ser reprodutoras até os 18 anos, é um fator positivo para a sustentabilidade do negócio.
Além do controle genético, a fazenda adota protocolos rigorosos de vacinação e prevenção de doenças, garantindo a saúde do rebanho. O subsídio europeu de 150 euros por hectare também contribui para manter a viabilidade econômica da propriedade.
O futuro da criação de Chianina
Apesar dos desafios, a raça Chianina continua sendo uma das mais valorizadas da pecuária italiana. Sua resistência, eficiência produtiva e carne premium atraem criadores e consumidores exigentes.
A combinação entre tradição e inovação na Fazenda Agricola Collivecchi demonstra que, com manejo adequado, é possível criar esse gigante da pecuária com segurança e rentabilidade. O Chianina segue como um símbolo de excelência no setor, conquistando cada vez mais espaço no mercado internacional de carnes nobres.
[Fonte: Diário do Acre]