As rosas são há séculos símbolo de beleza, amor e elegância. Mas por trás das pétalas perfumadas que enfeitam buquês e jardins está uma história genética fascinante — e surpreendente. Um novo estudo conduzido por cientistas chineses revelou que todas as rosas cultivadas atualmente, independentemente de sua cor ou formato, descendem de um único ancestral: uma flor amarela com estrutura simples.
A descoberta que mudou o entendimento sobre as rosas

A pesquisa, publicada na Nature Plants e realizada por uma equipe da Universidade Florestal de Pequim, analisou 205 amostras de mais de 80 espécies do gênero Rosa. Por meio de sequenciamento genômico e técnicas avançadas de genética populacional, os cientistas conseguiram traçar o perfil genético e a evolução das rosas ao longo do tempo.
Segundo os dados coletados, o ancestral comum das rosas modernas tinha pétalas amarelas, uma única fileira simples e folhas com sete folíolos. Com o passar dos séculos — e com ajuda da domesticação humana — essas flores foram desenvolvendo novas tonalidades, formatos variados e características que hoje são consideradas padrão nas espécies ornamentais.
A rosa como símbolo estético e científico
Responsáveis por quase um terço das vendas de flores de corte no mundo, as rosas são amplamente cultivadas por sua beleza. Atualmente, existem mais de 200 espécies e cerca de 35 mil cultivares registradas, com variedades que florescem em diferentes épocas do ano, apresentam fragrâncias distintas e resistem melhor a doenças e mudanças climáticas.
Esse avanço na diversidade das rosas foi possível graças ao trabalho de séculos de cruzamentos seletivos. Contudo, com os efeitos das mudanças no clima global, o foco dos cientistas e produtores vem mudando: além da estética, agora é essencial selecionar rosas mais resistentes, duráveis e sustentáveis.
Um olhar para o passado para construir o futuro das rosas
A compreensão aprofundada sobre a origem genética das rosas não tem apenas valor histórico. Os dados obtidos podem auxiliar na conservação de espécies selvagens ameaçadas e também na reintrodução de características genéticas esquecidas, que podem ser úteis para o desenvolvimento de novas variedades mais adaptáveis.
Os autores do estudo destacam que o conhecimento sobre os traços ancestrais é um passo fundamental para o melhoramento moderno das rosas. Isso permitirá a criação de novas cultivares que combinem beleza, resistência e facilidade de cultivo — qualidades fundamentais para manter as rosas vivas e presentes no futuro da horticultura.
No fim das contas, a flor que conhecemos e amamos hoje passou por uma longa jornada de transformação. E tudo começou com uma rosa amarela, simples, mas repleta de potencial evolutivo.
[Fonte: Um só planeta]