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Ciência

Água-viva imortal pode revelar o segredo para regenerar tecidos humanos e combater o envelhecimento

Uma pequena água-viva consegue reverter seu ciclo de vida e voltar à juventude. Cientistas investigam seus genes para desenvolver futuras terapias capazes de reparar tecidos humanos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Imagine um animal capaz de envelhecer, enfrentar condições extremas e simplesmente voltar a ser jovem. Parece ficção científica, mas é exatamente o que acontece com uma pequena água-viva que vive nos oceanos. Conhecida como Turritopsis dohrnii, ela possui uma habilidade extraordinária: reiniciar seu ciclo de vida. Agora, pesquisadores querem descobrir se os mecanismos responsáveis por esse rejuvenescimento podem inspirar tratamentos para recuperar órgãos danificados e combater doenças associadas ao envelhecimento.

Como funciona a incrível capacidade da água-viva imortal?

Água-viva imortal pode revelar o segredo para regenerar tecidos humanos e combater o envelhecimento
Turritopsis dohrnii: ciclo de vida © Popular Science Monthly Vol. 33, Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=11639254

A Turritopsis dohrnii mede apenas alguns milímetros, mas apresenta uma característica que desafia o funcionamento habitual do envelhecimento animal.

Quando enfrenta situações adversas, como ferimentos, falta de alimento ou estresse ambiental, ela pode abandonar sua forma adulta e retornar a uma fase anterior do desenvolvimento, conhecida como pólipo.

A partir dessa estrutura, novas águas-vivas podem surgir, reiniciando o ciclo biológico.

O fenômeno envolve um processo chamado transdiferenciação, no qual células especializadas podem mudar de identidade e assumir outras funções.

Diferentemente da maioria dos animais, que seguem um desenvolvimento predominantemente irreversível, essa espécie consegue reorganizar suas células e reconstruir estruturas corporais.

Apesar do apelido, a água-viva não é literalmente imortal. Ela continua vulnerável a predadores, doenças e condições ambientais desfavoráveis.

Cientistas encontram pistas importantes no DNA

Uma das descobertas mais interessantes surgiu em 2022, quando pesquisadores compararam o genoma da Turritopsis dohrnii com o de uma espécie aparentada.

A análise revelou diferenças em genes associados à reparação do DNA, à proteção celular e à manutenção dos telômeros.

Os telômeros são estruturas localizadas nas extremidades dos cromossomos que ajudam a proteger o material genético. Seu desgaste está relacionado a diversos processos do envelhecimento celular.

A água-viva apresenta cópias adicionais de determinados genes envolvidos na manutenção dessas estruturas.

Essas características podem ajudar a explicar sua extraordinária capacidade de rejuvenescimento, embora ainda não seja possível determinar exatamente como todos os mecanismos funcionam.

A bióloga marinha Maria Miglietta, da Universidade Texas A&M, nos Estados Unidos, investiga quais genes são ativados durante a transformação da água-viva adulta em pólipo.

Descoberta pode ajudar a recuperar tecidos do coração e do cérebro

Água-viva imortal pode revelar o segredo para regenerar tecidos humanos e combater o envelhecimento
© Unsplash

O grande interesse da medicina não está em transformar seres humanos em organismos imortais, mas em compreender como estimular a regeneração celular.

Segundo a reportagem da BBC News Brasil sobre a água-viva imortal, pesquisadores estudam se processos semelhantes poderiam contribuir para reparar tecidos lesionados.

Entre as possíveis aplicações futuras estão a recuperação de áreas do coração danificadas por infartos e de tecidos cerebrais afetados por acidentes vasculares cerebrais (AVCs).

Também existem perspectivas de investigação para doenças neurodegenerativas, como Alzheimer, e problemas de visão relacionados à idade.

O médico e pesquisador Michael Koldobskiy, da Universidade Johns Hopkins, participa de estudos que buscam compreender se mecanismos semelhantes podem ser estimulados em células humanas.

Entretanto, essas aplicações ainda são possibilidades científicas, não tratamentos disponíveis.

O maior desafio é controlar o rejuvenescimento das células

Reprogramar células humanas exige cuidados muito diferentes daqueles observados em organismos marinhos simples.

O corpo humano possui tecidos altamente especializados, cuja organização precisa ser preservada para garantir o funcionamento dos órgãos.

Uma reprogramação inadequada poderia provocar alterações celulares indesejadas, incluindo crescimento descontrolado.

Por isso, os cientistas procuram identificar mecanismos específicos capazes de estimular a reparação sem comprometer a segurança dos tecidos.

Os estudos também investigam como genes relacionados à longevidade humana podem compartilhar funções com aqueles encontrados na água-viva.

Estamos mais perto de vencer o envelhecimento?

Água-viva imortal pode revelar o segredo para regenerar tecidos humanos e combater o envelhecimento
© Centre for Ageing Better – Unsplash

Ainda não existe evidência de que os mecanismos da Turritopsis dohrnii possam interromper ou reverter o envelhecimento humano.

Mesmo assim, a espécie oferece um modelo valioso para compreender como células adultas conseguem recuperar características de estágios anteriores da vida.

Se os pesquisadores conseguirem identificar e controlar os processos responsáveis por essa transformação, poderão surgir novas estratégias de medicina regenerativa.

A descoberta não promete a imortalidade humana, mas apresenta uma possibilidade igualmente fascinante: aprender com a natureza a reparar danos que hoje parecem irreversíveis.

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